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A Cabeça do Italiano

A Cabeça do Italiano – uma visita guiada (título original: La Bella Figura), de Beppe Severgnini, Editora Record, 2008, tradução de Sérgio Mauro, 272 p. – R$ 21,00, não é um livro de viagens, como aparece na classificação dos editores.
É um livro escrito por um  jornalista, para retratar o comportamento médio dos italianos, que salienta a diferença e a igualdade entre as regiões do país.

A desorganização e o descompromisso com “o outro”- o que importa é ao “eu vou me dar bem”.
Desordem nas filas, burocracia, trânsito e transporte, comércio, gastronomia, moradia, bancos, igrejas, praias, futebol, turismo sexual e corrupção.

Parece com um outro país que você conhece, não é mesmo?

O texto é de leitura fácil, mas nem todos os capítulos despertam interesse.
Destaco:

A Itália é um país indisciplinado, mas uniforme em sua indisciplina.

Os piores inimigos da paisagem já não são a ignorância e a fome, nascida da pobreza. A principal ameaça é a ganância, agravada pelo mau gosto. Ambos ficaram espertos e agora se dizem democráticos e populares. Como eu ia dizendo, os governos concedem anistias regulares e desastrosas a violadores de códigos. Muitos governos municipais, onde o construtor é amigo do prefeito, quando não é, ele mesmo, o prefeito, justificam essas abominações alegando que elas criaram empregos. Não se sabe se estão sendo míopes ou descarados.

Uma Breve História do Mundo

Uma Breve História do Mundo, de H. G. Wells (L&PM, 2011, 378 p., R$ 21,00), o mesmo autor de clássicos da ficção científica como “A ilha do Doutor Moureau”, “O homem invisível” e “A Guerra dos Mundos”, foi escrita em 1922, na outra faceta do grande escritor, a de historiador.

Os 67 capítulos são bem curtos, e ao final de cada um fiz um intervalo, para ruminar e digerir o que li. Por isso também demorei vários dias na leitura.
O início do livro é quando a terra ainda estava quente, e a descrição dos períodos geológicos e e a evolução das formas de vida. Pterossauros, cenozóico e outras palavras que a gente já ouviu, mas não tem muito claro o que significam.

Ele fala de umas coisas que outros autores não costumam dizer, como as origens étnicas dos povos antigos.
Fenícios eram semitas que mais tarde se ajudeuzaram, e se espalharam por Cartago e pela Espanha.
Em geral outros autores falam de Cartago fenícia, mas não dizem que depois do fim dos fenícios surgiram os judeus na Espanha. Não é uma coincidência. Mas vá dizer isso a um libanês – você será trucidado.

Os russos inicialmente eram da mesma origem que os suecos. Franceses e alemães têm a mesma origem étnica e histórica (até o império de Carlos Magno) – só que um fala língua latina e o outro língua germânica. Búlgaros identificam-se com os turcos, mas têm religião ortodoxa e língua eslava.

Os gregos não são tratados exatamente como geniais em todas as situações, mas Aristóteles e Arquimedes o foram.
Roma é tratada pelas diferenças, e não pelas semelhanças que podem ter tido nos séculos romanos. Júlio César foi um personagem de segunda grandeza.

Gostei dos vários capítulos que tratam dos mongóis e seus diversos governos e impérios ao longo de milhares de anos da história. Mas antes, ao falar dos hunos, Wells disse que Átila se encontrou com o papa, e isso é lenda.

Não gostei do tratamento dado os bizantinos. O livro que li sobre Bizâncio desmente muitos dos pré-conceitos ocidentais descritos.

A partir da chamada Idade Moderna, os capítulos passam a ser menos factuais e muito mais analíticos. O desenrolar da História dá-se por grandes mudanças de pensamento e pelos substanciais progressos tecnológicos e científicos. Coincide com o apogeu britânico e o predomínio dos Estados Unidos.

O último capítulo é sobre a Liga das Nações.
Ele já anunciava que a primeiro guerra mundial seria seguida de uma muito pior.
Isso em 1922…

A nomenclatura é totalmente fora do contexto de correção política que existem na história. Povos e países são muitas vezes nomeados pela desginação atual – alemães, por exemplo, e não alamanos, germânicos ou teutônicos.

Pelo preço e pelo conteúdo, vale a pena a leitura desse livro da L&PM. Recomendo.