ruim

O Vendedor de Passados

O Vendedor de Passados, de José Eduardo Agualusa (Gryphus, 2011, 200 + 8 páginas, R$ 21,00, no Sebo), é sem dúvida merecedor de um prêmio!

O livro mais CHATO que já li, desde que fui alfabetizado nesta encarnação!
Nem sei quantos meses eu me arrastei para concluir a leitura dessa obrada!

O começo curioso, com a participação de uma lagartixa da espécie osga, que recebeu o nome de Eulálio e vive na casa do albino Félix Ventura, em Luanda.
Outros personagens menos interessantes surgem, como José Buchmann, Ângela e Edmundo
Melhor seria se o livro se focasse na Velha Esperança, que arruma a casa no início do romance.

Narrado ora em terceira pessoa, ora pelo inFeliz desVenturado albino e ora pela filosófica lagartixa, o texto já se perde nessa experiência.

Para piorar, o livreto ganhou 64 páginas em branco e mais 8 iniciais, para que a editora pudesse chegar a 200 páginas e propusesse um preço mais elevado.

Procurei outros comentários e/ou críticas sobre o livro, e tampouco foram favoráveis (ou farofáveis).
Achei melhor colocar o link para a versão cinematográfica (brazuco-global), com os comentários dos leitores/visualizadores:

http://www.adorocinema.com/filmes/filme-218155/criticas-adorocinema/

 

Associação Judaica de Polícia

Associação Judaica de Polícia, de Michael Chaban (Companhia das Letras, 2009, 472 p., tradução de Luiz A. de Araújo, revisão técnica de George Schlesinger) é um livro que já tentei ler algumas vezes.

Não adianta, não consigo chegar à centésima página.

O texto é chaterrésimo, parece que está sempre começando. Nada se desenrola. Fica sempre nas preliminares.

Hoje este livro sairá da estante e irá – literalmente – para uma lixeira em uma parada de ônibus aqui perto do apartamento.

Até já tentei vendê-lo em um sebo, mas não aceitaram. Disseram que já tem o suficiente desse livro “tão celebrado”.

Prova contumaz de que comentários de “jornalistas especializados” do The Guardian, Associated Press, International Herald Tribune e Esquire nunca devem ser levados em consideração quando se pretende algo parecido com literatura, e não apenas com o ego inflado de “intelectuais”, que pretendem ser engraçadinhos.

Ah, o livro se passa em um hipotético país judeu instalado no Alasca, de língua iídiche, depois de o território israelita ter sido inteiramente ocupado pelos vizinhos árabes.
Zero à esquerda é pouco. Aliás, parece que depois do primeiro zero houve uma vírgula, de tão ruim.

Fábulas

Fábulas, atribuídas a Esopo (L&PM Pocket, 2012, 163p., R$ 15,90), não me convenceram nesta versão.

Quase todas elas já conhecia de outros autores que fizeram coletânea de fábulas, como Monteiro Lobato, La Fontaine, e outros mais.
Essa versão, porém, com tradução de António Carlos Vianna (1997) é MUITO chatinha.

Aliás, a editora não informa se a tradução foi feita a partir de algum texto grego, francês, espanhol, iídiche, armênio, iorubá ou o que seja. Mas é claro que Esopo, há 2500 anos, não ia falar de árabes nem de porto no sul da África. Isso só pode ter sido escrito BEM depois.
Héracles ou Hércules? O que faz esse Hércules?, que em uma das fábulas saiu de Roma e participou de uma aventura na Grécia, deixando seu parceiro grego de escanteio? Hellooooo!!!!
Alguma coisa foi “acrescentada” nestes 25 séculos. Além disso, a maneira concisa demais de escrever, com pressa em chegar ao final, a tal “moral da fábula”, é desagradável, a leitura torna-se enfadonha, dada a fórmula repetitiva.

Sem contar que há algumas situações que se reproduzem, os mesmos animais, com os mesmos comportamentos, e a conclusão difere da fábula anterior. Ou Esopo tinha falta de imaginação ou as milhões de versões que já foram feitas por diferentes tradutores, nestes dois milênios e tanto, deram resultados opostos.

Não, definitivamente Esopo merece uma edição melhor do que esse livro de bolso, mal-ajambrado, cansativo e incoerente.

Leitores de fábulas merecem textos melhores. Sobretudo hoje em dia, quando a preguiça de ler domina tantas pessoas, e outros têm à disposição uma grande variedade de formas e versões sobre o mesmo assunto.
Tanto para uns quanto para outros, é melhor ficar afastado desse livro da L&PM.

Os versos satânicos

Há alguns anos, comprei “versículos satânicos”, livro escrito em “lusitanês”, que ainda não era vendido no Brasil.
Dei para alguém sem ter chegado a lê-lo.

Depois, na coleção de grandes autores contemporâneos, recebi a versão brazuca.

Comecei a ler a obra magna e consegui chegar à metade do primeiro capítulo!

Perguntei a vários amigos:

Alguém aí leu o livro?
Vale a pena tentar?
Ou é chato mesmo, parecido com aquelas coisas escritas pelo Salamargo?
Devo insistir ou posso levar à mesquita que há aqui perto, para ser incinerado por algum imã?

Recebi algumas respostas – todas unânimes:
ninguém teve paciência para ler
e só conhecem gente que abandonou a leitura.

Pois podem me incluir:
já abandonei a leitura desse livro,
sem chegar a concluir o primeiro capítulo –
capitulei!

Como disse uma amiga,
por causa desse livro aquela arabada fez tanto escândalo?
falta de coisa melhor para fazer.

Não obstante, recomendo a quem puder que leia O Último Suspiro do Mouro, do mesmo autor Salman Rushdie.

 

O papa de Hitler – a história secreta de Pio XII

Há vários anos, ganhei de um então vizinho O papa de Hitler – a história secreta de Pio XII (John Cornwell, Imago, 472 p., 1999), e desde essa época o livro ficou em estantes. Resolvi agora “desvendar os segredos”, o que se tornou interessante depois de ter lido, há cerca de um ano, O Internacionalismo Vaticano e a Nova Ordem Mundial, de Anna Carletti.

Cornwell ganhou fama de mau escritor com sua polêmica, já que judeus escreveram depois para desmentir a obra do jornalista inglês e a suposta colaboração de Pio XII com relação ao extermínio de judeus, além de muitos outros artigos escritos por estudiosos de diferentes nacionalidades.

Li a tradução, por isso não sei como está no original inglês, mas o livro afirma que o Papa “Pio IX, popularmente conhecido como Pio Nono”. Pois é, Pio IX era conhecido como Pio Nono, e não como Leão Treze, ou João Terceiro, ou Adriano Sexto. Acho que o tradutor não percebeu a “pegadinha” da língua italiana que há em Nono (9.) e Nonno (avô), já que foi Pio IX foi o papa com mais longo reinado na história da Santa Sé. O tradutor tampouco teve tempo para pesquisar que Benedictus é traduzido para o português como Bento, e não como Benedito XV, quando assim chamou o papa eleito em 1914 e que morreu no início de 1922. Fosse hoje em dia ele teria tido a oportunidade de conhecer Bento XVI.

De qualquer forma, ao falar de Pio X (Pio Décimo, capisce?) Cornwell menciona que foi instituído

“uma forma de controle de pensamento que não tinha paralelo nem mesmo nos regimes fascistas e comunistas.”

Como fazer paralelismo entre o pensamento de um papa que morreu em 1910 com regimes políticos que surgiram mais tarde? Pio X inspirou os regimes fascistas e comunistas?

Consta do livro:

O Embaixador britânico em Berlim de 1930 a 1936 achava que Pacelli era “o diplomata mais bem-informado de Berlim”. Segundo a jornalista americana Dorothy Thompson, Pacelli era na verdade “o diplomata mais bem-informado da Alemanha.”

O que quer dizer isso? Fiquei na dúvida: Pacelli era um diplomata a serviço da Alemanha? Confesso que não sei como deve ser interpretado o texto. Redundância? Problema de tradução?

O autor defende categòricamente a tese de que Pacelli era inábil em termos de diplomacia, cargo que exerceu durante a maior parte do tempo em que foi sacerdote, antes do papado. sempre tendendo a favorecer os nazistas e a desprezar e/ou ignorar os problemas dos católicos e dos judeus.

 Como [Klaus] Scholder ressaltou: “diz sobre a habilidade de Pacelli o fato de ambas as partes acharem que ele estava do seu lado”. Não pode haver a menor dúvida, porém, de que a política de Pacelli, avaliada como um todo, era indubitavelmente a favor da conciliação [entre a Igreja Católica e o Reich nazista].

Será que Cornwell esperava que Pacelli, e todo o Vaticano, fizessem uma política de enfrentamento direto com o regime nazista?

O pior de todo o livro é que Cornwell, como muitos “intelectuais”, acha que a História pode ser contada com a visão de “como deveria ter sido, se ocorresse nos dias atuais”.  Isso, porém, é apenas teoria política e econômica, estòrinha da carochinha, não é o que aconteceu.
São muitas as partes do livro em que o autor usou o subjuntivo e o futuro do pretérito. Essa forma de escrever serve apenas para constituir especulações, não História.
Por isso Cornwell foi logo desmentido por tantos outros autores, que não fizeram interpretação de dados recolhidos em arquivos: leram ou narraram o que houve de concreto.

O Octavo de Estocolmo

O Octavo de Estocolmo, de Karen Engelmann (Rocco, 2013, 446 p., R$ 44,50) foi escrito na forma de um romance que tenta retratar a Suécia do final do século XVIII, quando ocorreu o assassinato do rei Gustavo III durante um baile de máscaras, enquanto na França desenvolvia-se a Revolução que determinou, naquele mesmo ano, a execução de Luís XVI.

Gira em torno da história de um fiscal alfandegário que tenta ascender na sociedade daquela época. A ligação com uma mulher ao mesmo tempo cartomante e dona de um cassino, ocupa a maior parte dos capítulos. No entanto, o elevado número de personagens, e um certo abuso de detalhes entremeando os diálogos, tornam a narrativa pouco interessante, muito mais parecida com o texto de uma novela de televisão, cujo final pouco acrescenta ao conjunto da narrativa. A história de leques é repetitiva e perde interesse ao longo do livro.

Confesso que esperava mais do livro dessa escritora, pois sempre tive boa impressão das obras de autores escandinavos. Não foi o que ocorreu desta vez.

Sobre Heróis e Tumbas

Há mais de duas semanas comecei a ler Sobre Heróis e Tumbas, de Ernesto Sabato (Planeta DeAgostini, 2003, 623 p., R$ 16,90) , e até agora só consegui chegar à página 188 (30% do total). Tem parecido uma carroça atolada.

O livro fala da paixão entre os adolescentes Martín e Alejandra. A cada capítulo, mais e mais enrolação de conversas intermináveis, de falatório. A longa caracterização dos jovens é dispensável e aborrecida, sem contribuir com algo mais concludente. Não se chega a lugar algum.

No entanto, o livro foi classificado como um dos cem melhores romances do século XX em língua espanhola.

Prefiro, muito muito muito mais, El túnel, realmente uma obra de primeira categoria, do mesmo autor.

Se um dia eu for um velho aposentado, com tempo sobrando, talvez eu retome a leitura desses  heróis, enquanto relembrar o passado, como vô Pancho e outros personagens secundários.

Certamente há outros livros em minhas estantes que me ensinarão muito mais. Por essa razão, por enquanto, vou deixar para os críticos que adulam tudo o que se faz em espanhol, como o máximo da literatura do século XX, que aproveitem suas tumbas.