Rubem Fonseca

Rubem Fonseca

Rubem Fonseca é quase de outra geração – nasceu em 1925 – mas é um autor contemporâneo.
Psicólogo de formação universitária, e ex-investigador policial, é um dos autores mais premiados e sérios da atual literatura brasileira. Dele li:

  • 64 contos de Rubem Fonseca (2004)
  • A grande arte (1983) – romance policial
  • Bufo & Spallanzani (1986) – romance policial
  • Vastas emoções & pensamentos imperfeitos (1988) – romance que se passa sobre a marginália urbana e a violência carioca mas tem um trecho, passado na Europa, que é perfeitamente adaptado a mim mesmo:

“Você não quer ver museus?”
“Não.”
“Não quer ver a Nefertiti?”
“Não. Meu único interesse, em qualquer lugar, são as pessoas”.

Excelente na modelagem de personagens de todos os tipos. Um dos maiores escritores brasileiros do século XX, embora abominado por certos grupos religiosos.

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Contos Latino-Americanos Eternos

Reli nesta semana Contos Latino-Americanos Eternos, com organização de Alicia Ramal (Bom Texto, 302 p., 2005), que contém textos, todos na versão de tradução para o português, dos seguintes vinte e dois autores, que organizo por países:

  • Argentina – Adolfo Bloy Casares – Em Memória de Paulina (1948)
    • Jorge Luís Borges – O Aleph (1949)
    • Julio Cortázar – Casa Tomada (1951)
    • Leopoldo Lugones – Yzur (1926)
    • Roberto Artl – O Concurdinha (1933)
  • Brasil – Machado de Assis – Missa do Galo (1899)
    • Mário de Andrade – O Peru de Natal (1942)
    • Rubem Fonseca – Feliz Ano Novo (1975)
  • Chile – José Donoso – Uma Senhora (1970)
  • Colômbia – Gabriel García Márquez – Olhos de Cão Azul (1947)
  • Cuba – Alejo Carpentier – Viagem à Semente (1944)
  • Guatemala – Miguel Ángel Asturias – Lenda da Tatuana (1930)
  • México – Carlos Fuentes – Chac Mool (1954)
    • Juan Rulfo – Macário (1953)
    • Octavio Paz – Minha Vida com a Onda (1949)
  • Nicarágua – Rubén Darío – O Rei Burguês (1888)
  • Paraguai – Augusto Roa Bastos – O Trovão entre as Folhas (1953)
  • Peru – César Vallejo – Paco Yunque (1931)
    • Mario Vargas Llosa – Dia de Domingo (1959)
  • Uruguai – Horacio Quiroga – A Almofada de Penas (1917)
    • Juan Carlos Onetti – O Inferno Tão Temido (1967)
    • Mario Benedetti – À Imagem e Semelhança (1968)

Agora tenho de blasfemar contra a tão  decantada e prestigiada literatura “latino-americana”.
De início, tenho de dizer que a Professora Ramal pegou o trilho errado e parece preferir um insignificante eterno, como aparece no título da coletânea.
Fora que a seleção, tão “cuidadosa” incorporou alguns textos que até eu, que sou francamente contrário à hipocrisia do polìticamente correto, fiquei revoltado e chocado com a obscena quantidade de preconceitos e difamações contra grupos generalizantes de pessoas, em alguns dos contos. Coisas da época, eu sei, e não vou pedir que os contos sejam re-escritos, para ficarem “ao sabor” dos emburrecidos leitores de 2014.

Faltaram no livro umas tantas muitas notas de rodapé, para que todos possam entender as expressões em guarani que recheiam O Trovão entre as Folhas. Eu tenho dicionário guarani-português, mas acredito que a imensa maioria dos brasileiros não tenham compreendido o significado das palavras nessa outra língua.
No entanto, em outros contos que incluem menção a personagens ou elementos do folclore local, existem notas de rodapé.

Sabem a conclusão a que chego?
Não existe literatura latindo-americana.
Existe um coitadismo chato, implantado no meio do aristocratismo “criollo”, e mais nada.
Os melhores são os brasileiros, os cisplatinos e, às vezes, mexicanos e argentinos.
De resto, só blablablá para agradar a socialistas de meia-tijela daquela europazinha pirenaica decadente e enfumaçada de tabacarias e conchavos, que costuma premiar os semelhantes.
Sempre a mesma coisa:
os oprimidos, o medo (ai, aquele medo de que os “outros” invadam meu terreno! – não raras vezes “os outros” somos nós, brasileiros), aquele romantismo água com açúcar, o sobrenatural barato que chamam de “fantástico”, e coisas do tipo.
No caso do Brasil, sempre transparece aquela ponta de mau-caratismo típica dos brasileiros, ricos ou pobres, brancos, pretos ou índios, urbanos ou caipiras.
No caso dos hispano-falantes, aquela lamentação, aquele complexo de perdidos no meio do caminho. Los olvidados
O pior é que há uma considerável parcela de brasileiros que compra a idéia de que somos “semelhantes”.
Hermanos, nós?
Jamais!
Nossos irmão são os lusitanos, os cabo-verdianos, os angolanos, os moçambicanos, os são-tomenses. Com esses sei, comprovei, que temos afinidades, inclusive afetivas, embora nem sempre coincidamos na forma de exprimir idéias.
Os outros são hermanos entre si, hijos de la misma p. madre patria, como eles mesmos dizem.
Não me incluam nessa!
Uma coisa muita boa na seleção de contos da Professora Ramal feita pela Bom Texto Editora: amo livros de capa dura. Deveriam ser mais freqüentes. Há muitos livros muito caros e com péssimo acabamento. Não é a capa que eleva seus preços.

Livros que li e que por alguma razão deixei de incluir no blog

Há muitos livros que li, e que por alguma razão deixei de incluir no blog.

Alguns porque eu os li há muito tempo, muitas vezes por obrigação de leitura escolar (do ginásio à faculdade), outros que li por conta do trabalho, e vários porque nem sei quando os li. No caso dos de leitura mais recente, a internet nem sempre deve ter colaborado.
Só que alguns desses livros mereceriam menção.
Como é impossível recordar todos eles, decidi fazer apenas uma pequena menção aos 41 livros que fazem parte da coleção Grandes Escritores da Atualidade, que a Editora DeAgostini publicou em 2003 e 2004, vendidos em bancas de revistas por R$ 16,90.
O primeiro deles é o excelente Abril Despedaçado, do albanês Ismail Kadaré, livro que na verdade já tinha lido anteriormente, em edição da grife dos livros caros. A história da obrigatória vingança entre famílias, até o desfecho esperado, tal como uma morte anunciada.

Outro é o delicioso Onde andará Dulce Veiga?, de Caio Fernando Abreu, que narra a história de uma antiga cantora famosa de rádio.

Também brasileiro é o romance policial Informações sobre a Vítima, de Joaquim Nogueira.

Também brasileiro e também romance policial é A Grande Arte, de Rubem Fonseca, que tive o prazer de ler na primeira metade da década de 1980.

Para concluir o trio de romances policiais brasileiros cito Bellini e a Esfinge, do músico e escritor Tony Bellotto muito bem montado em termos de trama.

Por alguma razão deixei de comentar Coelho corre, de John Updike. Talvez o coelho tenha fugido de minha memória. Um livro que não me deixou qualquer marca na memória.
Tentei certa vez ler As Bruxas de Eastwick, desse renomado autor, mas não consegui passar das trinta primeiras páginas.

Outro livro de autor americano: A Trilogia em Nova York, de Paul Auster, uma obra muito oscilante. Trechos muito ruins e outros bons. Deve ter sido por isso que nem cheguei a fazer comentários a respeito dessa obra.

Diferente disso foi O Buda de Subúrbio, do anglo-paquistanês Hanif Kureishi, um livro que me agradou e que relerei daqui a algum tempo.

Achei petulante Se um viajante numa noite de inverno, de Ítalo Calvino. O tipo de livro que quer demonstrar que o autor é inteligente, e que seus leitores também o são.

Concluí, dessa forma, que ainda me restam doze livros da coleção, para eu ler. Sem contar aqueles que não quis terminar e outros que quero reler em outra ocasião.