Rick Riordan

guia do mochileiro das galáxias

Há uns dias, tomei emprestado o Guia do Mochileiro das Galáxias – não deixe a terra sem ele, Douglas Adams, escrito por em 1979, (editora Sextante, tradução de Carlos Irineu da Costa e Paulo Henriques Britto, 204 p. , 2004).

Quem me emprestou, um jovem de seus 25 anos, disse que tinha sido o pior livro que já tinha lido, e que por conta dessa “obra prima” ele tinha “dado um tempo” em leituras.
Outras pessoas, da mesma idade, disseram que tinham achado o livro muito divertido, e que eu gostaria dele.

Bem, quase fiquei com a mesma impressão do dono do livro (a quem emprestei Na Prisão, de Kazuichi Hanawa). Não foi o pior livro que li em minha vida, porque já enfrentei coisas piores, em meus muitos mais anos de vida.
Que festival de nadas, esse guia do mochileiro. O pior é que fez sucesso e foi complementado por sei lá quantas seqüências, no pior estilo das obras de Rick Riordan.

Jovens merecem coisas muito melhores, para manterem o hábito (e o ato) da leitura. De outro modo, acabam acreditando em palavras mais ocas do que a de certos palestrantes profissionais.

 

 

Casa de Hades

Eu havia comentado que não compraria outro livro de Rick Riordan. Bem, ocorre que ganhei Casa de Hades – Os heróis do Olimpo – livro quatro  (Intrínseica, 2003, 494 p.) e passei a ler o livro que foi lançado simultâneamente nos Estados Unidos e no Brasil, em outubro passado.

Dos três livros que li, do mesmo autor sobre o mesmo assunto, é o que teve a pior tradução. Observo que cada um dos três livros teve tradutores diferentes. Coisas do tipo acompanhar o acompanhante, e declive para baixo, podem fazer sentido em inglês, que utiliza palavras que não são semelhantes no primeiro caso e que precisa de certas preposições no segundo. Em português, demonstra apenas uma falta de cuidado bem grande com o que foi escrito.

A história é fraca, confusa, e recheada de excesso de personagens e de cenários. Útil como roteiro de filme, mas ruim como literatura juvenil.

O melhor do livro é o glossário de mitologia grego-romana que ocupa as últimas dezesseis páginas do livro.

Por acaso, entrei em uma livraria na semana passada, e lá havia sete ou oito livros Rick Riordan à venda.  Quanta rapidez na produção!!! Mais de vinte livros em tão pouco tempo… Para mim isso demonstra que ele é apenas mais um escritor que quer sugar ao máximo o dinheiro de um público leitor que pode ter se interessado pelas primeiras obras. Rick poderia tentar também trabalhar como autor de uma das temporadas de Malhação

O Mar de Monstros

Mais um livro da série para adolescentes Percy Jackson e Os OlimpianosO Mar de Monstros, de Rick Riordan (Editora Intrínseca, 2013, 286 p., R$ 29,90).

O filho de Poseidon e seus amigos sai em busca do Velocino de Ouro (na mitologia grega original levado ao rei Pélias por Jasão e os argonautas), que estava agora no Mar de Monstros, atualmente transladado para o Triângulo das Bermudas, pois o Olimpo, que no primeiro livro da série descobrimos ter se mudado para o Empire State Building, e tudo o que se refere à antiga mitologia grega tem de ser deslocado para o “novo centro da civilização”, ou seja, para os Estados Unidos.

Há em todo o livro excesso de aventuras e de riscos. Cada capítulo é farto em mais e mais personagens, com caras de poucos amigos que, provocam todo tipo de lutas entre os semi-deuses e os monstros que atuam pelo restabelecimento do titã Cronos.

Ao final do livro, uma prévia de um capítulo do próximo volume da série.

Rick Riordan está agora mais preocupado em ganhar dinheiro do que em escrever sobre a mitologia grega. Pior para a literatura juvenil, melhor para os produtores de cinema e melhor para livrarias que vendem enxurradas de livros sobre bruxos, vampiros ou semi-deuses.

Os Diários do Semideus

Os Diários do Semideu, de Rick Riordan (Intrínseca, 2013, 288 p., R$ 24,90), faz parte da série do autor sobre mitologia grega adaptada para público juvenil do século XXI.

Gostei muito quando vi o filme Percy Jackson – The Lightning Thief (O ladrão de raios), de 2005, versão cinematográfica do primeiro livro da série.
Semideuses gregos são muito melhores do que os super-heróis das històrinhas do século XX (desses que usam cueca vermelha ou ficam verdes de raiva).

Este livro contém três contos do autor:
O Diário de Luke Castellon, (Luke, o filho de Hermes),
Percy Jackson e o cajado de Hermes, 
(Percy, filho de Poseidon),
Leo Valdez e a busca por Buford
(Leo, filho de Hefesto).

Um quarto conto, Filho da magia, integra o livro. Este último foi escrito por  Haley Riordan, filho de Rick para quem tinham sido escritos os primeiros trabalhos do escritor, e tem como personagem principal Alabaster, filho da deusa Hécate.

Apesar da apresentação cheia de baba do papai orgulhoso, este último capítulo destoa um pouco dos três outros, já que lhe faltam as situações de humor com que Rick Riordan brinca no mundo do século XXI.
Haley ainda precisa tomar muito achocolatado antes de ter o dom da palavra do pai.

No conjunto o livro é literatura juvenil instrutiva, para gregos e goianos, que oferece também bons momentos de leitura para velhos, pessoas que se aprimoram com o tempo.
Ou, talvez, este velho tenha se lembrado dos livros infantis de Monteiro Lobato, como o Minotauro, Os Doze Trabalhos de Hércules, e outras citações da mitologia greco-latina que preencheram meu tempo.