Revolução Francesa

Uma Breve História do Mundo

Uma Breve História do Mundo, de H. G. Wells (L&PM, 2011, 378 p., R$ 21,00), o mesmo autor de clássicos da ficção científica como “A ilha do Doutor Moureau”, “O homem invisível” e “A Guerra dos Mundos”, foi escrita em 1922, na outra faceta do grande escritor, a de historiador.

Os 67 capítulos são bem curtos, e ao final de cada um fiz um intervalo, para ruminar e digerir o que li. Por isso também demorei vários dias na leitura.
O início do livro é quando a terra ainda estava quente, e a descrição dos períodos geológicos e e a evolução das formas de vida. Pterossauros, cenozóico e outras palavras que a gente já ouviu, mas não tem muito claro o que significam.

Ele fala de umas coisas que outros autores não costumam dizer, como as origens étnicas dos povos antigos.
Fenícios eram semitas que mais tarde se ajudeuzaram, e se espalharam por Cartago e pela Espanha.
Em geral outros autores falam de Cartago fenícia, mas não dizem que depois do fim dos fenícios surgiram os judeus na Espanha. Não é uma coincidência. Mas vá dizer isso a um libanês – você será trucidado.

Os russos inicialmente eram da mesma origem que os suecos. Franceses e alemães têm a mesma origem étnica e histórica (até o império de Carlos Magno) – só que um fala língua latina e o outro língua germânica. Búlgaros identificam-se com os turcos, mas têm religião ortodoxa e língua eslava.

Os gregos não são tratados exatamente como geniais em todas as situações, mas Aristóteles e Arquimedes o foram.
Roma é tratada pelas diferenças, e não pelas semelhanças que podem ter tido nos séculos romanos. Júlio César foi um personagem de segunda grandeza.

Gostei dos vários capítulos que tratam dos mongóis e seus diversos governos e impérios ao longo de milhares de anos da história. Mas antes, ao falar dos hunos, Wells disse que Átila se encontrou com o papa, e isso é lenda.

Não gostei do tratamento dado os bizantinos. O livro que li sobre Bizâncio desmente muitos dos pré-conceitos ocidentais descritos.

A partir da chamada Idade Moderna, os capítulos passam a ser menos factuais e muito mais analíticos. O desenrolar da História dá-se por grandes mudanças de pensamento e pelos substanciais progressos tecnológicos e científicos. Coincide com o apogeu britânico e o predomínio dos Estados Unidos.

O último capítulo é sobre a Liga das Nações.
Ele já anunciava que a primeiro guerra mundial seria seguida de uma muito pior.
Isso em 1922…

A nomenclatura é totalmente fora do contexto de correção política que existem na história. Povos e países são muitas vezes nomeados pela desginação atual – alemães, por exemplo, e não alamanos, germânicos ou teutônicos.

Pelo preço e pelo conteúdo, vale a pena a leitura desse livro da L&PM. Recomendo.

O Amante do Vulcão

Já tinha lido, há tempos, algumas coisas de Susan Sontag. Não tinha gostado. Nestes dias, li O Amante do Vulcão (Planeta DeAgostini, 2003, 423 p., R$ 16,90), que a escritora norte-americana escreveu baseando-se na vida de sir William Hamilton, o marido da famosa Emma Hamilton, modelo de quadros e amante de lord Nelson, trio que já foi objeto de outros livros e de filmes.

O livro de Susan Sontag perde-se ao longo de suas páginas. O primeiro terço é interessante, curioso, fala mais de Hamilton, embaixador britânico no Reino de Nápoles, colecionador inveterado de obras de arte, antigüidades, pedras vulcânicas que ele mesmo colhe no Vesúvio, e discorre com algum humor. No restante do livro, interessada em demonstrar muita erudição Sontag passa a focar coisas em excesso, e acaba tornando o livro um emaranhado de parágrafos mal ajeitados, de comentários fora de propósito, de descrições desnecessárias em diálogos. O famoso trio britânico de amantes já teve versões melhores, na literatura ou no cinema.

Nos quatro últimos pequenos capítul0s, a autora dá ao desenrolar das várias tramas do livro as versões de quatro personagens femininas do livro: a primeira mulher de William, a mãe de Emma, a própria Emma, e da poetisa Eleonora da Fonseca Pimentel. Versões que servem para mais “filosofices” de Susan Sontag.

Como mencionei logo no início, não tinha gostado de outras obras de Susan Sontag. Tampouco gostei de mais esta que li. Susan Sontag, como sempre, demonstrou ser uma fonte de pensamentos negativos.