Rede Globo

Ignacio de Loyola Brandão

Ignácio de Loyola Brandão nasceu em 1936. De seus muitos livros, li:

  • Zero
  • Não verás país nenhum
  • Noite inclinada
  • O verde violentou o muro.

De novo um autor que, no final do século XX, fez sucesso porque, jornalista, escrevia com o cenário dos “revolucionários” pós-1964. Lembro que O Verde versa sobre as memórias do próprio autor enquanto morou em Berlim, dividida pelo Muro da Infâmia, mas absolutamente nada me vem à lembrança quando penso em Zero e em Não Verás, exceto que bem negativistas e muito lidos e bem comentados pela esquerda caviar.

Vale a pena ver como estão as opiniões mais recentes do autor, nessa entrevista de 2012:

http://g1.globo.com/platb/maquinadeescrever/2012/02/03/loyola-estamos-virando-uma-imensa-cracolandia/
Acho que a visão pessimista acabou sendo fruto da esquerda que ele defendia, e não da direita que era abominada em 1980.

Desde 2005 é cronista no jornal O Estado de São Paulo, mas confesso que não leio seus artigos.

 

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A Queda de Artur

A Queda de Artur, de J. R. R. Tolkien (Martins Fontes, 2013, 286 p., R$ 32,00), é simplesmente uma delícia para se ler.

Obra incompleta do grande filólogo, mais conhecido por “O Senhor dos Anéis” e por “O Hobbit”, Tolkien escreveu o texto em forma de poesia dos bardos antigos. A aliteração que se declamava na Idade Média busca ritmo nas consoantes tônicas (ou vogais, em certos casos), e não nas rimas das vogais finais.

Tolkien nunca concluiu a obra, que foi editada pelo filho Christopher Tolkien.

O livro contém o texto original em inglês, nas páginas pares, e ao lado a tradução aliterada para o português feita por Ronald Eduard Kyrmse.

Vou acrescentar aqui dois links sobre o livro, para quem quiser mais informações:

1) O Épico Inacabado de Tolkien, do especialista John Garth,

2) O Inesgotável Baú de J. R. R. Tolkien (revista Época).

Não dá para eu comentar mais sobre isso.

Vou apenas apresentar alguns versos da poesia aliterada feita por Tolkien. (coloco letras maiúsculas para ressaltar a aliteração)

In her Blissful Bower   on Bed of silver

Softly slept She   on Silken pillows

with Long hair Loosend,   Lightly breathing,

in Fragrant dreams   Fearless wandering,

of Pity and rePentance   no Pain feeling

in the Courts of Camelot   Queen and peerless,

Queen unGuarded.   Cold blew the wind.

His Bed was Barren;   there Black phantoms

of deSire unSated   and Savage fury

in his Brain had Brooded   till Bleak morning.

-=-=-=-=-

FeLiz na saLeta,    em Leito de prata

em maCios traveSSeiros   de Seda ela dorme,

os tranÇados Soltos,    em suSSurros respira

e Vaga enVolta   no perFume dos sonhos,

não se arrePende, sem Pena,     não a Pica dor nenhuma,

na Cômoda Corte   de Camelot é rainha,

desampaRada sobeRana.    A aRagem sopra fria.

Ele Dorme em lrito esTéril.   FanTasmas negros

de deSejo insaCiado   e inSólita fúria

assalTaram-lhe a vonTAde   na maTina enfadonha.

(alterado conforme o comentário inserido pelo próprio Ronald Kyrmse)

Um brevíssimo comentário: a língua galesa (do País de Gales) mantém a estrutura de “combinar” os sons das consoantes em cada frase.

 

Leitura como forma de ressocialização

24/11/2012 23h04 – Atualizado em 25/11/2012 00h00

Presos que lerem Dostoiévski terão pena reduzida em comarca de SC

Projeto da Vara Criminal de Joaçaba prevê redução de quatro dias da pena.
Proposta consiste na distribuição e leitura dos livros pelos apenados.

Géssica Valentini Do G1 SC

Detentos voluntários receberam um exemplar do livro, acompanhado de um dicionário (Foto: TJSC/Divulgação)
Detentos voluntários receberam um exemplar do livro, acompanhado de um dicionário (Foto: TJSC/Divulgação)

Um projeto da Vara Criminal de Joaçaba, no Oeste de Santa Catarina, prevê a redução de até quatro dias na pena de detentos que lerem obras clássicas, de autores como Fiódor Dostoiévski. A proposta, chamada ‘Reeducação do Imaginário’, é coordenada pelo juiz Márcio Umberto Bragaglia e iniciou na manhã desta sexta-feira (23).

De acordo com o Tribunal de Justiça (TJ) do estado, a proposta consiste na distribuição dos livros aos apenados da comarca. Posteriormente, magistrado e assessores vão realizar entrevistas. “Os participantes que demonstrarem compreensão do conteúdo, respeitada a capacidade intelectual de cada apenado, poderão ser beneficiados com a remição de quatro dias de suas respectivas penas”, explica o TJ.

Apenados receberam o livro na sexta-feira (23), em Joaçaba (Foto: TJSC/Divulgação)Apenados receberam o livro na sexta-feira (23), em Joaçaba (Foto: TJSC/Divulgação)

“O projeto visa a reeducação do imaginário dos apenados pela leitura de obras que apresentam experiências humanas sobre a responsabilidade pessoal, a percepção da imortalidade da alma, a superação das situações difíceis pela busca de um sentido na vida, os valores morais e religiosos tradicionais e a redenção pelo arrependimento sincero e pela melhora progressiva da personalidade, o que a educação pela leitura dos clássicos fomenta”, explicou o juiz Bragaglia.

O primeiro módulo prevê a leitura de ‘Crime e Castigo’, de Fiódor Dostoiévski. No segundo módulo, os apenados devem ler ‘O Coração das Trevas’, de Joseph Konrad. Depois, estão previstas obras de autores como William Shakespeare, Charles Dickens, Walter Scott, Camilo Castelo Branco, entre outros. Os livros serão adquiridos em edições de bolso, com verbas de transação penal destinadas ao Conselho da Comunidade.

Na manhã de sexta (24), os participantes do projeto, todos apenados voluntários do Presídio Regional de Joaçaba, receberam uma edição de ‘Crime e Castigo’, acompanhada de um dicionário de bolso. As avaliações estão previstas para ocorrer após 30 dias. Ainda conforme o TJ, o projeto tem o apoio do Ministério Público de Santa Catarina.