quadrinhos

Ulisses

Ulisses, o clássico de James Joyce (L&PM Pocket – Mangá, tradução do japonês de Drik Sada, 2016, 388 p.), não me convenceu.

Simplesmente isso.

O mais famoso livro de James Joyce nunca foi famoso por suas gravuras, mas pelo texto.
O formato de mangá, porém, enaltece as figuras, e não o texto.
Além disso, a onomotopéia em japonês, com legendas ao pé de quadros, é um tanto incômoda de ser absorvida, ao mesmo passo em que esconde muitos detalhes descritos por Joyce.

O mangá segue rigorosamente a divisão em três partes e seus subcapítulos do livro de Joyce.
Os personagens, as horas retratadas, e tudo mais, estão de acordo com o que se encontra no original.
Os desenhos, contudo, não são capazes de transportar o leitor ao ambiente e às idéias dos personagens dublinenses.

Parece mesmo que não apenas foi feita a tradução do texto do japonês para o português, mas que Joyce vivia em Tóquio, e não na Irlanda.

Vale como experiência lúdica, não porém como literatura.

 

 

 

 

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90 Livros Clássicos para Apressadinhos

Em menos de uma hora li 90 livros clássicos.

O livro de ilustrações do sueco Henrik Lange (tradução de Ota, Galera Record, 2010, 190 p.), traz em apenas três quadrinhos o resumo de várias obras, algumas clássicas, e outras bem menos conhecidas do brasileiro médio.

  • Psicopata Americano, 1991, Bret Easton Eilis
  • Passagem para a Índia, 1924, E. M. Forster
  • A Praia, 1996, Alex Garland
  • O Sono Eterno, 1939, Raymond Chandler
  • Águas Negras, 1922, Joyce Carol Dates
  • Admirável Mundo Novo, 1932, Aldous Huxley
  • Ayla, a Afilha das Cavernas, 1980, Jean M. Axel
  • Cidade de Vidro, 1987, Paul Auster
  • Uma Confraria de Tolos, 1980, John Kennedy Toole
  • Morte de um Caixeiro-Viajante, 1949, Arthur Miller
  • Drácula, 1897, Bram Stoker
  • Fahrenheit 451, 1953, Ray Bradbury
  • Rambo, 1972, David Morrell
  • O Carnê Dourado, 1962, Doris Lessing
  • O Grande Gatsby, 1925, F. Scott Fitzgerald
  • As Viagens de Gulliver, 1726, Jonathan Swift
  • O Guia do Mochileiro das Galáxias, 1979, Douglas Adams
  • Cem Anos de Solidão, 1967, Gabriel García Márquez
  • Eu sou a Lenda, 1954, Richard Matheson
  • Em Busca do Tempo Perdido, 1927, Marcel Proust
  • Agência nº 1 de Mulheres Detetives, 1999, Alexandre McCall Smith
  • O Perfume, 1985, Patrick Susskind
  • O Cemitério, 1983, Stephen King
  • A Pianista, 1983, Elfried Jelinek
  • A Sombra do Vento, 2001, Carlos Ruiz Zafón
  • O Estrangeiro, 1943, Albert Camus
  • O Espião que veio do Frio, 1963, John le Carré
  • Pássaros Feridos, 1977, Collen McCullough
  • Os Três Mosqueteiros, 1844, Alexandre Dumas
  • O Sol é para Todos, 1960, Harper Lee
  • A Cabana do Pai Tomás, 1852, Harriet Beecher Stowe
  • O Código Da Vinci, 2003, Dan Brown
  • O Senhor dos Anéis, 1955, J. R. R. Tolkien
  • Coração das Trevas, 1899, Joseph Conrad
  • O Velho e o Mar, 1952, Ernest Hemingway
  • As Crônicas de Nárnia: o Leão, o Feiticeiro e o Guarda—Roupa, 1950, C. S. Lewis
  • O Senhor das Moscas, 1954, William Golding
  • A Guerra dos Mundos, 1898, H. G. Wells
  • 1984, 1949, George Orwell
  • Moby Dick, 1851, Herman Melville
  • O Processo , 1925, Franz Kafka
  • A Bíblia
  • Crime e Castigo, 1866, Fiódor Dostoiévski
  • Don Quixote de La Mancha, 1605, Miguel de Cervantes
  • Vinte Mil Léguas Submarinas, 1870, Júlio Verne
  • A Ilha do Tesouro, 1883, Robert Louis Stevenson
  • O Retrato de Dorian Gray, 1890, Oscar Wilde
  • As Aventuras de Tom Sawyer, 1876, Mark Twain
  • O Nome da Rosa, 1980, Umberto Eco
  • Morte em Veneza, 1912, Thomas Mann
  • Lolita, 1955, Vladimir Nabokov
  • Ardil 22, 1961, Joseph Heller
  • Odisséia, sec. VIII a.e.C., Homero
  • O Apelo da Selva, 1903, Jack London
  • Mistério na Neve, 1992, Peter Høeg
  • Era uma Vez em Watership Down, 1972, Richard Adams
  • A Vida de Pi, 2001, Yann Martel
  • Almoço Nu, 1959, William S. Burroughs
  • As Aventuras de Alice no País das Maravilhas, 1865, Lewis Carroll
  • Náusea, 1958, Jean-Paul Sartre
  • Bola de Sebo, 1884, Guy de Maupassant
  • O Caso dos Dez Negrinhos, 1939, Agatha Christie
  • Laranja Mecânica, 1962, Anthony Burgess
  • O Corcunda de Notre-Dame, 1831, Victor Hugo
  • Três Garotos num Barco, 1889, Jerome K. Jerome
  • Ratos e Homens, 1937, John Steinbeck
  • On the Road, 1957, Jack Kerouac
  • O Mestre e Margarida, 1928, Mikhail, Bulgakov
  • O Apanhador no Campo de Centeio, 1951, J. D. Salinger
  • Ulisses, 1922, James Joyce
  • Nada de Novo no Front, 1929, Erich Maria Remarque
  • O Coração Denunciador, 1893, Edgar Allan Poe
  • O Submarino, 1973, Lothar-Günther Buchheim
  • Watchmen, 1987, Alan Moore
  • Um Estranho no Ninho, 1962, Ken Kesey
  • Thérèse Raquin, 1867, Émile Zola
  • Nosso Homem em Havana, 1958, Graham Greene
  • A Fantástica Fábrica de Chocolate, 1964, Roald Dahl
  • Romeu e Julieta, 1597, William Shakespeare
  • Frankenstein, 1818, Mary Shelley
  • Robison Crusoé, 1719, Daniel Defoe
  • O Cão dos Baskervilles, 1902, Arthur Connan Doyle
  • O Lobo da Estepe, 1928, Herman Hesse
  • Factótum, 1975, Charles Bukowski
  • Orgulho e Preconceito, 1815, Jane Austen
  • Os Nus e os Mortos, 1848, Norman Mailer
  • 2001: Uma Odisséia no Espaço, 1968, Arthur C. Clarke
  • Oliver Twist, 1839, Charles Dickens
  • Fome, 1890, Knut Hamsun
  • O Alquimista, 1988, Paulo Coelho.

A lista contempla muito mais livros em língua inglesa, alguns dos quais mais conhecidos pela adaptação ao cinema, do que uma verdadeira relação de livros clássicos. Lamentàvelmente, o único livro em língua portuguesa é apenas um best-seller.

Sem Goethe, nem Tolstói, Balzac, Marquês de Sade, Tchekhov, Sófocles, Cortázar, Hans Andersen, Ibsen, Eça de Queirós, ou até mesmo Saramago.

A forma de escrever dos quadros é bastante agradável, muito atualizada para o linguajar do final do século XX – início do XXI, apesar de, claro, não cobrir toda a trama dos livros.

A leitura pode ser útil, para reavivar livros já conhecidos ou para estimular o interesse por outros.

A composição das páginas, porém, é mais um dos famosos engodos editoriais de deixar muito espaço em branco, para aumentar o volume de páginas e aumentar o preço.

O tipo da letra, imitando os quadrinhos, em algumas vezes não é muito favorável ao leitor.

Wayne de Gotham

Batman sempre foi um super-herói de que gostei; talvez meu preferido. Arquimilionário, sem super-poderes (apenas a refinada “trecnologia“), e com um mordomo que resolve todos os problemas. Criado em 1939, por Bill Finger e Bob Kane, Batman é muito melhor do que aqueles outros super-heróis, em geral de classe média, cheios de mutações e também de fraquezas.

Wayne de Gotham, de Tracy Hickman (Leya – Casa da Palavra, 2013, tradução de Edmundo Barreiros, 270 p., R$ 15,00) é um livro que conta a história de Batman de outro modo: a oscilação entre a vida atual e o passado, das décadas de 1950/60, com o “império” multinacional de “beneficência” no submundo da pesquisas genéticas, de alterações de comportamento, agências secretas, e a tal “luta contra o crime”, que o avô e o pai de Bruce Wayne tinham fundado em Gotham City.

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A escrita prende a atenção do leitor, a ligeiras mudanças de parágrafos dão a nítida visão do que seriam cenas de ação nos filmes.
Não é, contudo, algo que conseguirá superar a inabalável versão de humor do seriado Batman e Robin, protagonizada por Adam West e Burt Ward, sem dúvida melhor do que qualquer filme sombrio (gótico) sobre o homem-morcego.

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Asterix entre os Pictos

Fui querer me distrair e comprei “Asterix entre os Pictos” (Jean-Yves Ferri, desenhos de Didier Conrad, Editora Record, 48 p., R$ 28,00), primeiro livro do personagem gaulês que surgiu após a morte do autor Goscinny e a aposentadoria do co-autor Uderzo, com todos os personagens da velha aldeia que já conhecemos.

Não deu. A melhor homenagem da dupla Ferri e Conrad teria sido deixar a obra tal como era originalmente.

Faltou humor, faltou sutileza, faltaram insinuações que ferissem o abominável polìticamente correto de hoje, marcas das historietas anteriores.

Gosta de Astérix? (prefiro na forma original francesa, e adoptada na Lusitânia, com o acento agudo sobre o E)

Melhor reler as obras antigas.

Dan Brown

Já tinha comentado mais de uma vez que não tinha lido, e tampouco tinha interesse em ler, O Código Da Vinci, quando comentei sobre a leitura de O problema com Deus, e também O que a bíblia não nos contou.

Bem, caiu-me às mãos a tal edição especial ilustrada do livro mais famoso de Dan Brown (Sextante, 2005, 400 p.), e comecei a lê-lo. Foi impossível, porém. Cheguei à página 200 e desisti.
Um dos piores livros já escritos na galáxia, que bem podia ter sido transformado em história em quadrinhos, pois teria mais sentido e ainda justificaria o sucesso imerecido que teve.
O pior é que um mundaréu de gente acredita nessas lendas.

Escrevi sobre isso para uns amigos, e recebi de volta o comentário:

Tb não entendi o pq de tanta coisa com esse livro. Mas aí, vc viaja pelo mundo visitando livrarias que vendem “obras” do paulocoelho (escrevo assim de propósito) e entende tudo. Povo besta.

Mais besta, ainda, pois tem-se que Inferno, do mesmo Dan Brown, encabeça a lista dos mais vendidos, atualmente, no Brasil. Os mesmos personagens de história em quadrinhos, dessa vez avacalhando Dante Alighieri!

Volto aos meus livros de Literatura ou de História, com maiúsculas, que aproveito melhor meu tempo.
Em termos de romances policiais, há autores muito melhores, inclusive no Brasil, como já tive a oportunidade de comentar aqui algumas vezes.

Na prisão

Na prisão, de Kazuichi Hanawa (Conrad Livros, 236 p., 2005) é um livro-mangá, ou seja, livro no formato de história em quadrinhos japonesa, que se lê de trás para diante.

Narra histórias verdadeiras vividas pelo autor, em prisão na ilha de Hokkaido, durante o cumprimento de pena por porte ilegal de arma de fogo.

Descreve, em seus capítulos, minuciosamente, a vida em uma prisão japonesa, onde a hierarquia, o respeito e a ordem são os princípios fundamentais a que devem submeter-se os prisioneiros, pois o conceito não é o de “ressocializar” (mentira usada no sistema prisional brasileiro), mas punir quem cometeu algum crime.

Filme uma vez por mês (para os bem comportados), nada de “visitas íntimas”, trabalho obrigatório (e remunerado), uso de uniformes, dizer “por favor” e “obrigado” para tudo, inclusive para o pedido de uso de instalações sanitárias, nada de noticiários, e certamente sem o uso dos telefones celulares, a mais achinchalhada prática do sistema brasileiro.

Como explicado na introdução, “é óbvio que a prisão é opressora e não há nada de estranho quanto a carceiros despóticos”.

E, como também explicado na introdução, não há no mangá o sentido de denúncia, ou, em sentido contrário, o de arrependimento.

Enquanto isso o Japão continua sua vidinha, sem a interferência de “grupos de direitos dus mânu”, e sem tribunais da caduca OEA a dar palpites no que entende por “abusos”. Abuso é sustentarmos aquela organização internacional totalmente inútil e defasada.

Por falar nisso, com que freqüência temos notícias sobre revoltas em penitenciárias japonesas? Enquanto isso, na  América Latrina, como vão os direitos da população que é refém dus mânu?

Valsa com Bashir

Valsa com Bashir, de Ari Folman (texto) e David Polonsky (lustrações) (L&PM Editores, 2009, 118 p.),  tem o subtítulo “Uma História da Guerra do Líbano”, se bem que fosse melhor esclarecer que é a visão do autor israelense sobre uma das muitas gueras no Líbano. No caso, um ex-soldado israelense sofre, vinte anos depois dos acontecimentos, com alucinações decorrentes de memória dissociativa do que viveu quando do massacre de palestinos nos acampamentos de refugiados de Sabra e Chatila, feito por falangistas cristãos libaneses, com o apoio do exército israelense.

O livro tem o formato de história em quadrinhos, o que não é vantagem. Ilustrações poderiam vir no meio do texto, mas o livro ficaria muito resumido.

Virou filme e foi super-badalado pela crítica especializada. Faz parte da onda de “denúncias” sobre crueldades, que tanto agrada “engajados” e “politicamente corretos”.

No fundo, uma história de guerra, não a pior nem a “menos ruim”. Apenas mais uma história de guerra, verídica, sim, mas que apenas mostra quão brutais podem ser as pessoas (inclusive os intelectuais), não importa o lado em que estejam em um conflito. Temos ainda a oportunidade de ver que as vítimas de uma guerra tornam-se os algozes em outra mais tarde – sempre.

Há li livros muito melhores sobre essa temática. Certamente a Valsa com Bashir não merecia toda a “oba-obice” que recebeu na época.

Ah, já tinha lido o livro quando foi lançado. Apenas o retirei da prateleira, agora, para dar uma espanada nele, mas desta vez ele será repassado a outra pessoa.