papa João Paulo II

Lá sou amigo do rei

Lá sou amigo do rei, de Carlos Marques (Editora Geração, 2012, 264 p., R$ 39,90) conta as aventuras auto-bio-gráficas marco-polianas do jornalista, que foi da revista Manchete, da UNESCO, perseguido político, etc. e tal.

O livro oferece leitura bastante ágil. Termina com rapidez. Os temas são, de algum modo, curiosidades sobre o Brasil e fatos internacionais, de 1960 a 1999.

Como dito no próprio livro, um “Forrest Gump” brasileiro, que esteve presente em diversos fatos históricos. Castelo Branco, Fidel Castro, Geisel, Isabelita de Perón, a princesa Cristina de España (a mesma que hoje em dia é investigada por corrupção, com o marido), François Mitterand, Glauber Rocha, João Paulo II, Pelé, Salvador Dalí, etc., etc., etc., etc., etc., etc…

Sempre com visão esquerdista, porém, o autor adjetiva demais várias situações. Além disso, exagera no ego hiper-inflado. Isso o faz parecer mais um papagaio de pirata, e não um protagonista.

Essas falhas terminam por tirar relevância da obra, e a leitura do livro, no final, parece mais um artigo de revista de sala de espera de dentista. Algo para passar o tempo.
Influência da velha revista Manchete, talvez.

P.S. Como hábito, dei o livro após a leitura. A amiga que o recebeu comentou que achou o autor muito curioso, pois ele não esconde os inúmeros fracassos pessoais dos leitores, nem os profissionais nem os pessoais. Um ponto positivo para alguém que eu mencionei ter o ego hiper-inflado.

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O internacionalismo vaticano e a nova ordem mundial

O internacionalismo vaticano e a nova ordem mundial: a diplomacia pontifícia da Guerra Fria aos nossos dias, de Anna Carletti (FUNAG, 2012, 228 p.), supre uma lacuna nos livros sobre a igreja católica, ao tratar de sua diplomacia, as relações com outros países, com organismos internacionais e também com outras igrejas. Logo no início faz uma interessante apresentação das muitas instituições que auxiliam o papado na condução da igreja e nos assuntos internos e externos do Vaticano.

Ao contrário do que o título sugere, a obra inicia seu estudo com as relações entre o papado e o Império Bizantino, estendendo-se pela história da Europa Ocidental, de Carlos Magno (século VIII) à unificação italiana, quando desapareceram os Estados Pontifícios (1870), e o papa declarou-se “prisioneiro do Vaticano”.

Naturalmente enfatiza o período que se seguiu a essa data, marcando com detalhes o pontificado de todos os papas desde então. Demonstra a influência canônica de Leão XIII e de Pio X, o período internacionalmente conturbado que coincidiu com o reinado de Bento XV, a seqüência dos papados conservadores de Pio XI e Pio XII (relação com o nazi-fascismo), até a reviravolta produzida pela renovação trazida com João XXIII, Paulo VI e o curtíssimo período de João Paulo I. Fala do longo reinado de João Paulo II e do atual período de Bento XVI, concluindo:

Bento XVI luta contra o que ele considera um inimigo invisível, mas presente: o relativismo. Mesmo apresentando elementos de continuidade em relação ao seu predecessor, o pontificado de Bento XVI abandonou a teatralidade dos gestos de João Paulo II, privilegiando tons mais sóbrios, que chamam a atenção mais pelo conteúdo de seus discursos do que pelos gestos do pontífice. O diálogo até discreto com pequenos grupos parece ser a estratégia preferida do papa-professor.

Eu, particularmente, sempre preferi a racionalidade de Ratzinger ao emocionalismo de Wojtyla.

O livro precisaria, contudo, ter tido uma melhor revisão. Mais de uma vez surge a informação – errada – de que “o primeiro papa estrangeiro foi Adriano VI, eleito em 1523”. Em primeiro lugar, o que é estrangeiro? Pedro, que eu me lembre, era da Galiléia, e não tinha cidadania romana. Entre ele e Adriano houve papas africanos, sírios, franceses, espanhóis, etc.. Então, entre Adriano VI e João Paulo II deve-se dizer que o flamengo foi o último papa não italiano antes de Wojtyla.

Em mais de uma vez, também, a autora confunde Núncio/Embaixador DE com Núncio/Embaixador EM.

Erros de regência também são encontrados com freqüência maior do que a desejável em uma obra acadêmica. Não comprometem o conteúdo do livro, mas deixam a desejar com relação à acuidade da obra.