Moacyr Scliar

Histórias que os jornais não contam

Histórias que os jornais não contam, de Moacyr Scliar (L&PM, 2018, 158 p, R$ 34,90), foi um dos livros que mais tempo levei para conseguir ler.

 

Sempre gostei de ler Scliar, podem checar meus outros posts sobre livros de sua autoria.

Por isso comprei o livro no dia 1º de setembro, imediatamente comecei a ler, e levei três meses para conseguir chegar à última página

 

Logo no início é divertido ver pequenas notas de jornais serem transformadas em uma crônica, em geral cheia de ironia.

A fórmula, porém, logo se esgota, torna-se repetitiva.
Nem uma delas acaba se fixando na lembrança.

 

Uma pena, um martírio.

 

47 contos de Isaac Bashevis Singer

Concluí hoje a leitura de um dos melhores livros que desbravei nestes últimos tempos:

47 contos de Isaac Bashevis Singer (Companhia das Letras, 720p., 2004, R$ 31,00), com excelente prefácio de Moacyr Scliar.

Os contos são quase todos impregnados de indisfarçável caráter auto-bio-gráfico.
Como são contos, não cansa a leitura.
Cada um é cada um.
Dentre eles está Yentl, que foi tornado peça de teatro, em 1975, e depois filme, com Barbra Streisand, em 1983.

Há contos passados na Polônia sem data, relatos que ele ouvia durante a infância, outros na Polônia do início do século XX (período ainda sob domínio russo-austro-alemão), outros pré-Segunda Guerra Mundial.
Contos mais modernos se passam nos Estados Unidos – Nova York ou Flórida – no período pós-Segunda Guerra, ou em Israel, e até mesmo na Argentina.
Muitas palavras ou expressões estão em  iídiche, mas nada impossível de ser aprendido no glossário.

O que me surpreendeu foram as lições sobre o judaísmo.
Nunca imaginara que fossem tão tão tão supersticiosos!
Diabinhos, talismãs, amuletos, quebrantos, reencarnações, inferno (não eterno), e coisas do tipo em quase todos os capítulos.

Sem contar a tradição do casamento:
as casamenteiras saem para procurar “um bom partido” para ele e para ela.
Se não der certo, porém, nada mais fácil do que obter o divórcio.

Caramba, os judeus ashkenazim são muito mais complicados do que eu pensava…
Só não posso dizer isso a eles.

A tradução de José Roberto Siqueira parece ter sido feita por alguém que não mora no Brasil. Há termos que parecem demasiadamente com dicionários, e não com expressões da língua contemporânea.
A revisão, feita por Ana Maria Barbosa e Carmen S. da Costa também deixa a desejar. Curiosamente, são mais evidentes os erros em um conto que narra a história de um vizinho, que era revisor em um jornal iídiche em Nova York.

Descobri que há muito tempo, durante a adolescência, eu havia lido O Mago de Lublin (traduzido para o português por Rachel de Queiroz), livro escrito por Bashevis em 1960, mas o nome do autor não havia ficado registrado em minha memória – apenas o livro.
Gostei tanto de ler Bashevis, que já me municiei de outros dois livros de sua autoria: O Penitente, e Inimigos: Uma História de Amor, ambos publicados pela L&PM.

 

Diversos autores em diferentes épocas

Fiz uma lista autores de quem li vários trabalhos, em diferentes épocas de minha vida.
Não incluo na lista os autores de best-sellers, como Agatha Christie, ou Luís Fernando Veríssimo, ou livros cuja leitura era indicada na escola, como Machado de Assis, Jorge Amado, Rachel de Queiroz (ou já poderia ser Raquel de Queirós?) ou Maria José Dupré. Tampouco incluo Alexandre Dumas, de quem li boa parte da obra, adaptada ou não para o público juvenil.
Além disso, já comentei aqui no blog sobre alguns livros de autores como Bernhard Schlink, Graham Greene, e Moacyr Scliar, de quem li várias obras, cujos posts podem ser acessados nas respectivas tags.

Comentarei ràpidamente em outros posts o que li de:

  • Caio Fernando Abreu
  • Gore Vidal
  • Hermann Hesse
  • Ignácio de Loyola Brandão
  • Ingmar Bergman
  • Isabel Allende
  • José J. Veiga
  • Lygia Fagundes Telles
  • Marcelo Rubens Paiva
  • Noam Chomsky
  • Roberto Freire
  • Rubem Fonseca
  • Umberto Eco.

 

Mês de cães danados

Mês de cães danados – Uma aventura nos tempos da Legalidade (1961) foi escrito por Moacyr Scliar em 1977 e ganhou, naquele ano o Prêmio Brasília, outorgado pela Fundação Cultural do Distrito Federal para obras inéditas de ficção.

Li esta semana sua edição dada L&PM Pocket (2011, 170 p., R$ 18,00). O filho de um criador de gado da região sul do Rio Grande do Sul conta para um estranho sua história, desde a infância na casa de uma tia, em Pelotas, o tempo na Faculdade de Direito em Porto Alegre e o estado de mendicância em que se encontra.

Os capítulos registram os conturbados dias da renúncia de Jâno Quadros, e as agitações instigadas por Leonel Brizola, em torna da legalidade da posse do vice-presidente João Goulart.Descrevem o Rio Grande do Sul rural e a atualidade urbana de Porto Alegre.

A forma como foi escrita, no entanto, exclusivamente desenvolvida pela fala do mendigo, em muitas vezes torna-se monótona, e a leitura em certos trechos fica um pouco arrastada. Tem seu valor enquanto mistura a história do Brasil há 50 anos com o romance que se passa em um tempo mais atual, embora não especificado. Não é, contudo, uma obra-prima de Moacyr Scliar, escritor que demonstrou maior agilidade em outros livros.

Histórias para (quase) todos os gostos

Histórias para (quase) todos os gostos, de Moacyr Scliar (L&PM, 1998 – 3a. edição 2006, 134 páginas) foi o pequeno livro que comprei ontem em um sebo, por R$ 11,00, à procura de um outro.

Contém 23 contos, de leitura bem rápida, muitas vezes se assemelhando ao que L. F. Veríssimo ainda escreve.

Nenhum deles me chamou a atenção para merecer um destaque especial.

Isso não quer dizer que eu não recomende a leitura: apenas é um livro que se lê fàcilmente e que do qual se esquece também com facilidade.

A Mulher que Escreveu a Bíblia

A Mulher que Escreveu a Bíblia, de Moacyr Scliar, foi lançado em 1999, e reeditado pela Planeta DeAgostini em 2003 (216 páginas).

É um livro muito agradável de ser lido. Por conta de uma terapia de regressão a vidas passadas, uma mulher escreve o que teria acontecido com uma das esposas de Salomão.

Feiíssima de rosto, mas uma das raras mulheres alfabetizadas da época, o rei a tira do harém, para que ela passe a dar tom de redação aos escritos que alguns “sábios” há anos faziam, sobre a história do povo judeu. Salomão tinha como intenção deixar uma herança que durasse mais do que o grande templo.

A visão feminina que a autora confere aos textos bíblicos é sempre descontraída e, não poucas vezes, cheia de erotismo. Adão e Eva no paraíso vivem uma grande orgia. Dúvidas sobre como Caim procriou. A emoção feminina da história de Naomi e Ruth, tão diferente das histórias masculinas de sogro e genro. Lògicamente sua redação provoca escândalo entre os “sábios”.

O final do livro é inesperado, e muito coerente com toda a trama.

Leitura fácil, rápida e até mesmo útil, por mostrar que tudo tem outro lado para ser apreciado – até mesmo a bíblia.

A Majestade do Xingu

A Majestade do Xingu, de Moacyr Scliar (Coleção Grandes Escritores da Atualidade, Planeta DeAgostini, 2004), escrito em 1997, é um livro muito gostoso de ser lido.

Conta a história de um imigrante judeu, da Europa Oriental, que no navio que trouxe sua família ao Brasil, no início do século XX, fez amizade com outro menino judeu. O narrador torna-se um pequeno comerciante em São Paulo, e o segundo um renomado médico sanitarista que trabalha com os índios.  A história se passa enquanto o comerciante conta sua vida ao médico, em um hospital, e todas a imaginação que teve de contatos com o amigo criança, que na verdade ele nunca mais tinha reencontrado.

Muito bom. A imaginação de cada ser humano no protagonismo que não ocorre.