matemática

O Estranho Caso do Cachorro Morto

O Estranho Caso do Cachorro Morto, de Mark Haddon (Record, 12a. edição, 2011, 288 p.,  tradução de Luzi Antonio Aguiar e Marisa Reis Sobral, R$ 18,00), é um pequeno romance surpreendente.
Não foi à toa que recebeu o Prêmio Whitbread de melhor livro do ano de 2003.

“Narrativa brilhante e engenhosa…  este livro não é sòmente um dos romances mais originais dos últimos tempos… ... …. .” – The Times, como consta da capa

O livro conta, em primeira pessoa, a história de um adolescente autista, que vive apenas com o pai no interior da Inglaterra, sonha em ser astronauta, e encontra um cachorro morto por um forcado.

A partir daí, decide descobrir quem havia matado o animal da casa em frente à sua, e vai juntando peças de que-bra-ca-be-ças, que no entanto o conduzem a outras descobertas mais sérias, como o fato de que a mãe não havia morrido, como lhe contara o pai, mas vivia em Londres com o marido da dona do cachorro morto.

Os capítulos vão se misturando com a narrativa do pequeno Sherlock, com suas memórias e com pensamentos da lógica matemática que ele aprecia, para ordenar sua mente autista, incapaz de compreender metáforas, ou expressões faciais – muito menos emojis.

Por exemplo, os capítulos do livro são numerados na seqüência dos números primos. 2, 3, 5, 7, 11, 13, 17, 19, … 233.

A linguagem do livro é rápida, a leitura é muito dinâmica, embora às vezes sobre para o leitor um pouco da angústia de ter de mergulhar no pensamento quase inflexível do rapaz.

Grande livro. Recomendo sua leitura, tanto pelo valor literário, como para poder alargar a visão do mundo em que vivemos.

 

 

 

O Homem que Calculava

O Homem que Calculava – Malba Tahan (Júlio César de Mello e Souza), 1895-1974, é um livro de 1934, que eu tinha lido por volta de 1965, e que continua sendo reeditado, e por isso o reli agora nestes dias.

Mas tornou-se um livro velho.

Os cálculos deixaram de ser instigantes, na medida em que os problemas dependem mais da lógica do que da matemática na sua solução.

Algumas coisas ainda são curiosas, mas muitas outras viraram feijão com arroz.

Interessante ainda ler sobre a vida de matemáticos famosos, em notas de rodapé ou no apêndice do livro.

E o pano de fundo, um matemático persa na corte de Bagdá, está totalmente ultrapassado, pois hoje em dia ninguém confunde o Oriente Médio com um cenário das Mil e Uma Noites. Sabemos muito mais sobre a intolerância religiosa, artes e costumes de todos os povos monoteístas daquela região. Conto de fadas não cola mais.