Luciano Alves Meira

O Livro da Mitologia

O Livro da Mitologia (Thomas Bulfinch, Martin Claret, 2015, 534 p., tradução de Luciano Alves Meira, R$ 38,90) foi escrito em 1855.
Talvez seja por isso que contém tantos vícios, ao focar quase exclusivamente a mitologia greco-romana, que o próprio autor qualifica a Grécia como “pátria-mãe da mitologia clássica”.
Chega até mesmo a classificar a mitologia nórdica como um conjunto de superstições.
Não leva em conta, porém, que os deuses gregos tinham nomes gregos, e não latinos. Isso o autor simplesmente ignora em todo o livro… Na Grécia havia Zeus, não Júpiter!

Os diversos capítulos são permeados de trechos de poemas (em sua maioria de autores românticos) que fazem menção à mitologia grega. Cansa…

Dá rápidas pinceladas nas religiões egípcia e mesopotâmica, ignorando por completo que essas regiões foram berço de civilizações em tempos bem anteriores ao da Grécia clássica.

Irã e Índia são abordados muito superficialmente.

A antiga religião dos celtas é vista como um amontoado de rituais selvagens. Justamente a religião que, hoje em dia, mais interesse provoca no mundo anglo-americano… Embora eu ache essa onda “new age” muito “bem comportada” e apenas um reflexo de busca de valores étnicos das Ilhas Britânicas que andavam abandonados.

A leitura fica mais interessante e ágil quando se chegam aos capítulos em que se fala da mitologia nórdica. Apesar de a Valhala ter menos agitação do que o Olimpo.
Não obstante, o trecho sobre sua variante germânica é mais a reprodução de libretos de óperas de Wagner.

Resumindo: ôôôôoooooo livro chato!!!
Não foi à toa que me arrastei por quase três meses para conseguir concluir a leitura.
E que pouco acrescenta aos interessados em mitologia, que hoje em dia dispõem de muitas outras obras para consulta e pesquisa.
O valor do livro restinge-se à época em que foi escrito.

Ah, o glossário no final do livro esclarece muito menos do que se poderia esperar.