Leiko Gotoda

Diário de um velho louco

Diário de um velho louco (tradução de Leiko Gotoda, Estação Liberdade, 2007, 208 p., R$ 21,00), de 1962, foi o último livro escrito por Jun’ichiro Tanizaki, que morreu em 1965.

Em formato de diário, conta a história de um septuagenário rico, que descreve a velhice, as doenças (e remédios), as relações com os parentes, os médicos, e, sobretudo, a relação com a nora.

Fala do erotismo de alguém que se descreve como alguém que “continua vivo e não pode deixar de sentir atração pelo sexo oposto”.
Enquanto isso, o velho sai a procurar o túmulo que mandará construir para, em breve, guardar seus ossos.

A linguagem é sempre muito ágil, e tem muita ironia e sarcasmo do personagem com relação às pessoas que o cercam.

Por outras vezes, fala da aparente “dureza” que o velho tenta manter, mas que resvala em lágrimas, que esconde quando inquirido por seu estado de saúde.

Muito bom.

Ao contrário de Voragem, do mesmo autor e da mesma tradutora, neste livro, porém, não há muitas notas para explicar detalhes dos hábitos japoneses, como por exemplo peças da indumentária.

Nada grave. Podem perfeitamente ser sub-entendidos e passados por cima.
(sub por cima ?!)

 

 

 

 

Anúncios

Voragem (e P.S.)

Li nos últimos dias um livro escrito em 1928, do escritor japonês Junichiro Tanizaki (Voragem, Planeta deAgostini, 2003, 240 p., R$ 16,90).

O título em inglês do livro é Quicksand (areia movediça), e o original japonês é Manji, o símbolo da suástica budista.

O romance, de leitura ágil, conta com um excelente trabalho de tradução de Leiko Gotoda, que também esclarece ao leitor brasileiro informações e conceitos do Japão da primeira metade do século XX.

Narra um triângulo (quadrilatéro ?) amoroso entre duas jovens mulheres japonesas, o marido de uma e o noivo de outra.

O livro é cheio de erotismo, em linguagem que não apela a menções explícitas a atos sexuais, bem diferente de obras de autores brasileiros ou de língua espanhola, como Vargas Llosa e Mário Prata, que beiram a pornografia dos frustrados por vida sexual insatisfatória.

Com Voragem, descobri que nada tenho contra livros de teor erótico; do que não gosto é dessa literatura sexual que mencionei acima.

P.S. O livro no final cria uma dúvida: quem traiu quem? Quem manipulou os outros?