Kazuichi Hanawa

guia do mochileiro das galáxias

Há uns dias, tomei emprestado o Guia do Mochileiro das Galáxias – não deixe a terra sem ele, Douglas Adams, escrito por em 1979, (editora Sextante, tradução de Carlos Irineu da Costa e Paulo Henriques Britto, 204 p. , 2004).

Quem me emprestou, um jovem de seus 25 anos, disse que tinha sido o pior livro que já tinha lido, e que por conta dessa “obra prima” ele tinha “dado um tempo” em leituras.
Outras pessoas, da mesma idade, disseram que tinham achado o livro muito divertido, e que eu gostaria dele.

Bem, quase fiquei com a mesma impressão do dono do livro (a quem emprestei Na Prisão, de Kazuichi Hanawa). Não foi o pior livro que li em minha vida, porque já enfrentei coisas piores, em meus muitos mais anos de vida.
Que festival de nadas, esse guia do mochileiro. O pior é que fez sucesso e foi complementado por sei lá quantas seqüências, no pior estilo das obras de Rick Riordan.

Jovens merecem coisas muito melhores, para manterem o hábito (e o ato) da leitura. De outro modo, acabam acreditando em palavras mais ocas do que a de certos palestrantes profissionais.

 

 

Na prisão

Na prisão, de Kazuichi Hanawa (Conrad Livros, 236 p., 2005) é um livro-mangá, ou seja, livro no formato de história em quadrinhos japonesa, que se lê de trás para diante.

Narra histórias verdadeiras vividas pelo autor, em prisão na ilha de Hokkaido, durante o cumprimento de pena por porte ilegal de arma de fogo.

Descreve, em seus capítulos, minuciosamente, a vida em uma prisão japonesa, onde a hierarquia, o respeito e a ordem são os princípios fundamentais a que devem submeter-se os prisioneiros, pois o conceito não é o de “ressocializar” (mentira usada no sistema prisional brasileiro), mas punir quem cometeu algum crime.

Filme uma vez por mês (para os bem comportados), nada de “visitas íntimas”, trabalho obrigatório (e remunerado), uso de uniformes, dizer “por favor” e “obrigado” para tudo, inclusive para o pedido de uso de instalações sanitárias, nada de noticiários, e certamente sem o uso dos telefones celulares, a mais achinchalhada prática do sistema brasileiro.

Como explicado na introdução, “é óbvio que a prisão é opressora e não há nada de estranho quanto a carceiros despóticos”.

E, como também explicado na introdução, não há no mangá o sentido de denúncia, ou, em sentido contrário, o de arrependimento.

Enquanto isso o Japão continua sua vidinha, sem a interferência de “grupos de direitos dus mânu”, e sem tribunais da caduca OEA a dar palpites no que entende por “abusos”. Abuso é sustentarmos aquela organização internacional totalmente inútil e defasada.

Por falar nisso, com que freqüência temos notícias sobre revoltas em penitenciárias japonesas? Enquanto isso, na  América Latrina, como vão os direitos da população que é refém dus mânu?