Joaquim Nabuco

O Castelo de Papel

O Castelo de Papel, de Mary del Priore (Rocco, 2013, 317 p., R$ 29,90), faz parte dos títulos sobre a monarquia brasileira escritos pela historiadora (A Carne e o Sangue; Condessa de Barral; O príncipe maldito).

O livro tem falhas de revisão, em datas e em palavras estrangeiras, mas é bem municiado de informações. A forma de escrever, porém, soa às vezes exageradamente coloquial, com excesso de frases de uma só palavra.

Ao tratar da vida da Princesa Isabel e do Conde d’Eu, são retratadas várias décadas da história do Brasil. D. Pedro II, o Banana, é apresentado sempre como um sujeito “cinzento”, alguém cuja coloração é sempre desconhecida, que não compartilhava idéias e que não aceitava opiniões alheias. Isabel preocupava-se apenas com a família e com a religião, e dizia ostensivamente que tinha aversão aos assuntos políticos, e preferia ir às lojas ou às audições de música. Gastão de Orléans, o Conde d’Eu, era, aos olhos dos políticos brasileiros, um estrangeiro demasiadamente liberal, e nunca foi aceito pela sempre xenófoba sociedade brasileira.

À parte o traçado da personalidade dessas figuras do Império, temos partidos políticos sem qualquer credibilidade, uma capital do país que se opunha aos interesses das províncias, um conjunto de figuras políticas de baixa qualificação e de pior estatura moral, que apenas buscavam proteger o interesse pessoal, mudavam de lado com a maior facilidade, e atacavam os adversários de forma muito baixa. De positivo, uma época em que a imprensa teve liberdade de expressão como nunca em qualquer outro período do Brasil.

O resultado é desalentador. Vemos que os mesmos temas de mais de um século e meio não foram resolvidos, porque outros D. Pedros IIs estiveram à frente do país, ou porque algumas Isabéis acreditam que conseguirão por força de algum milagre solucioná-los. Sempre os mesmos temas: desigualdade social, educação e saúde, transportes e comunicações.

Um livro que dá uma visão bem menos adocicada do final do Império, e que deve ser lido com outras obras de outros autores, para melhor situar o cidadão brasileiro sobre o que nos antecedeu e o que se seguiu. Indico a biografia de D. Pedro II escrita por José Murilo de Carvalho.