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Tutaméia

Estou sumido do blogue.
Não estou sumido da leitura.
Ocorre que Tutaméia (Terceiras Estórias), de Guimarães Rosa, não é uma obra que possa ser comentada.
A leitura é lenta, não por ser difícil, mas porque em cada linha encontramos algo que merece ser matutado, um verdadeiro tratado de filosofia.
Humor sutil, pensamentos que conduzem a outros.
Tutaméia é uma verdadeira lição de vida.
Se ainda não o leu, comece hoje.
Talvez a vida não lhe seja tão longa para concluir a leitura.
E certamente a vida lhe será menos inteligente sem essa obra-prima.
O texto pode fàcilmente ser encontrado na internet, e baixado em pdf.

Am I a Hindu?

Am I a Hindu – The Hinduism Primer, de Ed Viswanathan (Rupa & Co.; Rs 95; 1997; 321 p.), é um livro que comprei em 1999 em um sebo na Coréia do Sul (paguei W 15.000, equivalentes, no câmbio de hoje, a US$ 13,55) e que nunca consigo terminar de ler.

Viswanathan é um engenheiro elétrico que vive em Nova Orleans, e tenta explicar ao filho, de 14 anos, os fundamentos da religião da família.
Todo o livro, escrito em 1992, discorre como se fosse um diálogo entre filho e pai, de dúvidas e respostas.

Parece interessante, MAS o livro prende-se todo o tempo a comparar o hinduísmo com as religiões monoteístas surgidas no Oriente Médio (judaísmo, cristianismo e islamismo).
Acredito que por conta da influência da cultura dos Estados Unidos no adolescente, o pai achou que seria mais conveniente falar sobre hinduísmo com Moisés, Jesus e Maomé, citando os evangelhos cristãos em comparação com os livros sagrados do hinduísmo.

Resultado: não convence a quem quer saber sobre a religião dos hindus.
Saber sobre ela, e não sobre o que pensam os monoteístas do Oriente Médio.

Além disso, como o autor é um drávida, “falhas” e “defeitos”, como castas e o antigo ritual de queimar as viúvas junto com o corpo do marido, ficam por conta dos arianos.
Já ouvi de um drávida (tâmil, mais especificamente) que conheci, que os invasores arianos são inferiores aos drávidas, em termos culturais.

Descobri este ano que versão pdf do livro está disponível na internet.
Bem, em 1999 duvido que estivesse à disposição dos leitores.

P.S.  O autor diz que qualquer pessoa que aceite o hinduísmo é considerada hindu.
Já conversei com um hindu (ariano) que diz o contrário: para ser hindu é necessário nascer hindu, pois a religião é étnica.
Esse hindu ariano ainda afirmou que os “gurus” e outros quetais, que fazem proselitismo da religião, nada mais são do que espertalhões enganando europeus e americanos.

feiras de livros

Li há uns poucos dias (mas não consigo mais encontrar o artigo), que as feiras de livros hoje em dia não servem para “incentivar a leitura” –
estão mais para desovar encalhes e para “celebrar celebridades”, nada que sirva para a literatura.
Alguém dentre vocês leu o artigo?
Sabe onde foi?

Guerra e Paz

Decretei guerra contra mim mesmo e me debrucei, durante dois meses, sobre Guerra e Paz , de Leão Tolstói (Editora Nova Aguilar, 1993, 1224 páginas dedicadas a esse texto).

Logo na primeira parte comentei que achava o livro chato, e apenas uma amiga me disse que tinha também se dedicado a ler a tão renomada “obra prima”.

Escrevi em mensagens de correio eletrônico:

  • Terminei a primeira parte de Guerra e Paz.
    Um monte de gente fútil foi a um monte de jantares idiotas.
    Seria só isso, se Pedro não tivesse amarrado um policial às costas de um urso e atirado ambos do alto de uma ponte em Moscou.
    Fim. Descobri por que os russos precisam dos patronímicos.
    Quem não se chama Mikhail se chama Ivan.
    Então você precisa saber se é o Mikhail Ivanovitch ou o Mikhail Mikhailovitch.tipo português:
    Joaquim Manuel e Manuel Joaquim.
    estás a ver? Agora os mancebos vão para a guerra, lutar contra os malvados e opressores franceses que cortavam cabeças de reis.
    Os velhos e a mulheres ficaram em Moscou e em Petersburgo para continuar as fofocas dos jantares idiotas.
  • Terminei a segunda parte de guerra e pás.
    Pás, com S mesmo, porque nessa segunda parte é só um monte de carroça de soldado e de carruagem de general atolando na lama.
    Tinham de pegar umas pás e limpar o caminho, para fazer valer a lustrada de botas que tinham caprichado no começo dessa parte. Se a primeira parte era fútil, a segunda não disse nada. Ainda bem que faltam só 1000 (mil) páginas para eu terminar a leitura. Pás já descobri o que significam,
    guerra é o que fazemos tentando ler essa “obra-sogra”.
  • Estou quase no fim do livro. Faltam só mil páginas.
  • Terceira parte:um monte de soldados correndo de um lado para outro
    três imperadores: o austríaco, o russo, e o usurpador corso
    um dos personagens do livro desaparece na batalha de Austerlitz
    Quarta parte:
    soldados tiram férias em Moscou
  • pior do que pensava
    não conta nada
    o cara virou carola, maçonizou-se, e foi visitar uns amigos
    o tsar e napoleinho encontraram-se no entre-guerras e trocaram juras de amor
    o livro não é muito bem escrito
    e a tradução não sabe usar ênclise e próclise
    a leitura fica mesmo só por conta de algumas curiosidades das velhas rússias

E tive como resposta:

Aleluia, você é a única pessoa que eu conheço que tem coragem de dizer isso. Acho o livro bem chatinho e o personagem do Pierre é simplesmente intragável.

Depois parei de comentar até que terminasse a leitura das 15 partes, do epílogo e do apêndice (tudo obra de Tolstói).
Personagens sem conteúdo, tanto entre as figuras imperais e da alta patente militar, como entre os condes, camponeses e as outras classes sociais.
Os amores e romances são de dar sono, pois os amorosos românticos não têm qualquer conteúdo. José de Alencar dava de 20 a 0 nesses russos.
O que se salva são descrições de cenários de guerra, e as incontáveis superstições que os russos cultiva(va)m com todo carinho.
O epílogo também tem aspectos interessantes, para refletirmos sobre história e historiadores.

Padre Sérgio é muito mais interessante.

Bem, Tolstói não foi exatamente um exemplo de boa pessoa. A forma como tratou a mulher é um exemplo.
Não merece ser “divinizado” por “críticos”.  Afinal de contas, quantidade não é qualidade.
Posso avisar que não é porque o livro é “muito grande” que não gostei dele. Há muito tempo, quando li os seis volumes de O Visconde de Bragelone (terceira parte de Os Três Mosqueteiros, de Alexandre Dumas), não tive “sono”.

Como diria Shakespeare: much ado about nothing.

Como um romance

Pràticamente não reparava nele, magro com suas 167 páginas, espremido com uma capa bege no meio de outros de cores mais fortes. Não sei quando o comprei, nem onde, nem quanto por ele foi pago. De repente, foi como se pulasse da prateleira para minha mão, e então comecei a ler “Como Um Romance”, escrito em 1992 por Daniel Pennac (Pennachioni, na verdade), traduzido para o “brasileirês” por Leny Werneck, e editado pela Rocco, em 1993.

Tão logo comecei a leitura, escrevi por e-mail (correio eletrônico, para os puristas) alertando-os

Você já leu “Como um romance”, de Daniel Pennac?
(Editora Rocco, tradução de Leny Werneck – existem outras traduções, inclusive para o lusitanês)
Sim?
Parabéns
Não?
Então leia logo, não faça como eu, que deixei o livro durante tanto tempo em uma prateleira.
Leia:
leitura obrigatória.
Só quem o tiver lido poderá saber o significado desse ensaio, escrito como um romance.
Procure no sebo, na livraria, peça emprestado, encomende na Amazon, xeroque de alguém (são 167 páginas).

Em seguida recebi algumas respostas:

1) Oi, Boppe
Acho que eu tenho na estante.
Se não estiver lá, vou correndo comprar.
1A) Encontrei Como um romance na estante.
Felizmente ainda estava lá.

2) Não. Vai me emprestar??

3) Resumo do livro “Como um romance” de Daniel Pennac (ÓTIMA DICA DE LEITURA!), por Daiane Matos …

Li o resumo e não gostei. Enfim, pretensão e água benta cada um usa quanto quiser.
Em seguida descobri outros resumos e comentários jorrando na internet, alguns deles melhores, mais claros e objetivos do que o postado pela princesa Daiane.

Pennacchioni não gosta de “leituras obrigatórias”. Azar dele. Acho que o livro tem de ser lido por todas as pessoas que se interessam por letras, sílabras, palavras, frases, pensamentos, … Talvez devesse ser lido pelos pais, ao lado do berço de seus bebês.

Sobre o que trata o livro? Sobre livros e leituras.
Primeiro leia-o. Depois, quem sabe, um dia conversaremos sobre o assunto.

Está escrito

Mariel Fernandes

enluarada

Aos covardes do amor, cem anos de solidão. Que vivam nas sombras das suas desculpas razoáveis, cheias de bom senso e justificativas plausíveis. Os conspiradores sabem por quem os sinos dobram e os abandonam, transformando a si mesmos em fantasmas da terra do nunca. Não se aventuram, por isso não se perdem. Evitam desafios marítimos, por isso não naufragam. Se acreditam à salvo das tempestades, por isso transformam a vida em sonhos de uma noite de verão.

Aos covardes do amor, uma certeza: vivem em guerra e paz com eles mesmos, são um estado de alma e escolhem ver a vida no cartão postal por acreditar que podem abrir mão da paisagem. Crendo nisso, se condenam a uma existência menor e seguem sorrindo em direção à outras vidas secas.

Aos covardes do amor a consciência de que crime e castigo andam juntos, mas não como pensam. Crime é abrir mão…

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Autores na infernet

Sempre, sempre, sempre a mesma coisa.

Diaporamas infernetosos que circulam por aí, com frases melosas, daquelas que fazem mal a diabéticos, ou com frases até obscenas, atribuídas a algum escritor famoso.

Vinicius, Fernando Pessoa, Veríssimo, Benedetti, García Márquez, Neruda, Borges, Woody Allen, sei lá quem mais.
A gente pesquisa na interlenta e os erros aparecem lá, multiplicados pelas pessoas que nunca se preocuparam em buscar as fontes originais.
Você pesquisa em livros autênticos, de papel, tinta e letras, com capa, contra-capa e lombada, e verifica que o texto nunca existiu na obra daquele autor.

Que sacanagem com o escritor fazem esses abestalhados que não têm coragem para assinar, mas acham-se geniais ao atribuir o texto a um famoso.

Quando eu tiver morrido, espero não “ver” circular por aí algum texto atribuído a mim.
Juntarei as cinzas para puxar as pernas do maledetto que tiver feito isso.

A imbecilidade du çerizumanu não tem limites.
A infernet multiplika uz hêrrus.