Idade Média

The Sagas of Icelanders

Um amigo tentou ler, desistiu e me deu The Sagas of Icelanders (Leifur Eriksson Publishing Ltd., Penguin Books, 848 p., 2001, prefácio de Jane Smiley, introdução de Robert Kellogg).

IMG_20160617_145305875Não deu.

As 70 e tantas páginas iniciais, que contam a história dos vikings, seus estabelecimentos na Europa do Norte e as viagens à América do Norte, por volta do ano 1000, foram suficientes.

As sagas, propriamente ditas, mais pareciam tratados de genealogia, com nomes e mais nomes de pessoas, e poucas coisas que realmente justificassem tantas folhas de papel, e tanto prestígio dos “críticos” profissionais.

Desisti na leitura da quarta parte, e vendi o livro em um sebo, o que raramente faço, pois prefiro dar a amigos. Quem mo deu deve ter sido um inimigo disfarçado.

Já passei da idade de precisar me fingir de intelectual.

 

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Italo Calvino

Italo Calvino, de Maria Angela Cernigliaro (EdiLingua, 2011, 80 p., R$ 43,41), é um livro didático (acompanhado de CD com o áudio dos textos), no nível B1-B2 Intermediário de aprendizes da língua italiana, dentro da coleção Primiracconti classici.

O livro contém 11 pequenos resumos de obras (contos ou capítulos) de Ítalo Calvino.

  1. Il giardino incantato
  2. l visconte dimezzato
  3. Il barone rampante
  4. Il cavaliere inesistente
  5. Il castelo dei destini incrociati
  6. Le città invisibili: La città de Leonia
  7. Se una notte d’inverno un viaggiatore
  8. Gli amori difficili: L’avventura di due sposi
  9. Marcovaldo: Il bosco sull’autostrada
  10. Marcovaldo: Il coniglio velenoso
  11. Palomar: Del prendersela coi giovani

Alguns desses textos enfocam a Idade Média, e outros o período final do século XX. Alguns são ‘realistas’ e outros ‘fantasias’. Calvino não deixa de inserir sua dose da visão política de quem foi membro do Partido Comunista Italiano.

O que mais me agradou foi “a aventura de dois cônjuges”,  que narra um casal de operários que trabalha em horários opostos (ela durante o dia e ele durante a noite)  e que mal tem tempo para trocarem palavras ou se amar.

Como já comentei anteriormente, o viajante em noite de inverno me parece petulante, pretensioso, típico de quem já desfrutava da fama.

Gostei muito do último texto, que aborda a dificuldade de relacionamento entre gerações. Os “adultos” costumam dizer que sou um velho ranzinza, mas os “jovens” gostam de conversar com o tio-vovô.  Talvez os “adultos” sejam mais refratários a novas idéias do que admitem.

Os Ortodoxos

A família de meu pai era ortodoxa antioquina, e confesso que nunca entendi o que os diferia do ramo materno católico. As diferenças pareciam ser na ênfase na Páscoa (em data diferente, conforme o calendário juliano), na persignação “invertida” (do ombro direito para o esquerdo), e poucas outras coisas, em geral relacionadas à liturgia de sacramentos.

Fui esclarecido com a leitura de Os Ortodoxos – O Oriente do Ocidente (Enrico Morino, editora Paulinas, tradução de Antonio Efro Feltrin, 2005, 126 p.), um interessante livro escrito por professor de História e Instituições da Igreja Ortodoxa na Universidade de Bolonha, Itália. E pela primeira vez vou me alongar, aqui no blog, no comentário sobre a leitura que tive de um livro.

Ao contrário do que sempre se divulga, não foi em 16 de julho de 1054, durante a liturgia matinal na nave da Igreja de Santa Sofia, que se materializou o tal Cisma que significou a divisão entre a Igreja Católica com sede em Roma e a Igreja Ortodoxa com sede em Constantinopla.

As duas igrejas já nasceram separadas. Uma sempre foi latina (romana) e a outra sempre foi grega (oriental). Eram duas civilizações distintas dentro do Império Romano, por mais proximidade que tivessem em alguns aspectos. Os latinos mesclaram-se com os povos germânicos; enquanto na parte oriental do Império foram os eslavos que predominaram.

Os latinos deturparam (e seus descendentes mantiveram) “o termo “bizantino” ao lugar-comum, de origem medieval de “grego infiel” (graeculus perfidus)”. [medieval é tudo o que ocorreu após a divisão do antigo Império Romano de César Augusto em duas partes, no século IV, até a destruição do Império Bizantino, em 1453]

O autor logo no início mostra que as diferenças eram bem maiores, “já que nas Cruzadas mascarava-se, com princípios humanitários, uma intenção hegemônica subjacente que comportava, na realidade, a destruição da civilização ortodoxa. O mesmo se repetiu quando as potências ocidentais aliaram-se ao Império Otomano na Guerra da Criméia (a do século XIX), e mais recentemente, na luta contra a Sérvia em favor de Kosovo. Sempre foi mais conveniente aos ocidentais aliar-se aos muçulmanos do que aos ortodoxos.

O autor mostra logo no início que “a Ortodoxia pode realmente definir-se, em nosso panorama cultural, como a grande desconhecida, ou talvez pior, como a grande pouco conhecida (com o agravante de que conhecer mal é muito pior do que não conhecer nada).”

A arquitetura de início já mostra de modo característico diferenças entre as duas formas de fé cristã. Nas igrejas ortodoxas “o altar está bem escondido, atrás da chamada iconóstase”, e “as imagens sagradas, os ícones, têm um estilo diferente e cumprem uma função totalmente diferente na liturgia.” “Quase paradoxalmente, nas duas igrejas (ortodoxa e católica), nas quais se realizam ritos com o mesmo valor teológico, apresentam-se como dois ambientes completamente hetereogêneos, enquantos outras duas (católica e protestante), nas quais se praticam ritos com pressupostos teológicos diferentes, são ambientalmente homogêneos” (ao menos nas igrejas protestantes mais tradicionais, como a anglicana e a luterana).

Mais algumas diferenças pouco conhecidas por leigos católicos:

os Ortodoxos não têm o conceito de purgatório, “para expiação e posterior salvação; no Oriente ortodoxo existe a doutrina dos trânsitos aduaneiros, mediante os quais as almas, logo depois da morte, são postas à prova ou examinadas por vários vícios pelos demônios e defendidas pelos anjos.”;

a Igreja Ortodoxa não aceita o dogma católica da Imaculada Conceição de Maria. “Por causa de Adão todos herdaram a culpa, mas não as conseqüências, e, primeira dentre elas, a inclinação ao pecado. A Mãe de Deus nasce sem pecado original simplesmente porque assim todos nascem. Maria se livrou das conseqüências do pecado original, graças a uma disciplina interior austera.”;

na Igreja Ortodoxa a relação com a matéria é objeto de uma profunda consideração teológica. A encarnação do Filho de Deus, penhor e primícia da divinização do homem, consiste exatamente na paradoxal – inadmissível para todo espiritualismo – apropriação da matéria criada por parte do Deus criador. Nessa perspectiva, compreende-se a afirmação quase provocatória de São João Damasceno: “Não cessarei de prestar veneração à matéria, por meio da qual operou-se a minha salvação. Eu não venero a matéria, mas o Criador da matéria“. “Os muitos aspectos aparentemente materialistas da sua piedade não são expressão de uma fé ingênua e quase supersticiosa, mas o resultado de um refinamento extremamente refinado.”

Chegamos aí aos dois grandes símbolos que tanto caracterizam as igrejas ortodoxas, o ícone e as relíguias.

“O ícone, considerado não no seu valor histórico-artístico nem segundo os parâmetros estéticos, mas nos seus fundamentos teológicos, representa uma das mais formidáveis materializações do sagrado.” “A razão da proibição do Antigo Testamento “não farás imagens para ti” é atribuída à natureza espiritual de Deus e, portanto à absoluta impossibilidade de ser representado: toda tentativa nesse sentido teria sido uma caricatura blasfema do divino. Considerar esse estado de coisas ainda válido nos nossos tempos quereria dizer negar que com a encarnação Deus mesmo, assumindo uma natureza humana íntegra, tenha-se tornado voluntariamente representável.” “Por isso o ícone não é um retrato vivo de um defunto, mas a representação de um homem já transfigurado no processo de divinização.” “As convenções do ícone, por vezes surreais – pois não se limita a transgredir as mais comprovadas regras de perspectivas, mas apresenta uma perspectiva exatamente invertida -, têm a finalidade de afirmar a dimensão totalmente metaistórica e metafísica do mundo do qual o ícone quer ser o espelho fiel.”

“Ícones e relíquias representam, de maneira absolutamente paralela, duas formas de presença na ausência do Cristo e dos santos, duas modalidades por meio das quais o sagrado – nas religiões evoluídas é absolutamente imaterial – materializa-se, sem perder a prerrogativa intrínseca de transcendência.”

Mais uma informação sobre os símbolos: as velas. Elas são de cera natural amarelo-escura, diferindo das velas brancas de parafina dos católicos.

Em uma cerimônia religiosa, o fiel molha o dedo no azeite das lâmpadas. O jogo de luzes, o canto litúrgico, rigorosamente sem instrumentos musicais, apenas com a voz humana, e o uso abundante do incenso inebriante ao olfato, são instrumentos com os quais o fiel é chamado a participar de quase todos os sentidos.

Um capítulo trata da vida monacal, e outro sobre o sentido de “economia” (oikós) na Igreja, e suas implicações no matrimônio.

Na conclusão desses aspectos todos da Igreja Ortodoxa, transcrevo os ensinamentos de São Basílio e de São Cipriano: “Não pode ter Deus por Pai quem não teve a única e diferente Igreja por mãe”. Depende da legitimidade de quem administra os sacramentos sua validade, e não da intenção de quem os recebe.

Com relação ao livro, a escrita do autor é às vezes confusa, e isso não foi aliviado pelo tradutor ou pelo revisor. Não raras vezes, no meio de frases intercaladas em vírgulas, e de inúmeros apostos, encontra-se o sujeito de um período na terceira linha do texto. Adjuntos adverbiais são mal colocados no conjunto de palavras, havendo casos em que um adjunto temporal insere-se no meio de dois adjuntos de local. Isso torna a leitura muitas vezes enfadonha, pois é necessário ler e reler o texto para sua compreensão.

Além disso, aparecem ocasionalmente palavras que existem em italiano mas que em português não fazem sentido, como “asbúrgico”, para significar adjetivo referente à dinastia austríaca dos Habsburgos. Nem Houaiss nem Aurélio consignam essa palavra, apesar de eu já a ter encontrado em outras traduções do italiano para o português.

Traduttore, traditore, embora no caso a traição seja à língua portuguesa, e não ao significado.

Guerra das Rosas – 1

Guerra das Rosas – 1 – Pássaro da Tempestade, de Conn Iggulden (Editora Record, 2014, 406 p., R$ 45,00) é um romance histórico que inicia uma coleção de três livros sobre o período histórico das lutas dinásticas entre York e Lancaster, na Inglaterra, enquanto ainda ocorria a Guerra dos Cem Anos, contra os franceses.

Como romance  histórico, conforme admite o próprio autor, o livro “cria” fatos a partir de suposições.
Na nota histórica no final o livro o próprio autor esclarece essas inserções.
Não raras vezes eventos paralelos, ocorridos com a população civil, como a fuga de ingleses dos territórios perdidos para os franceses, e a revolta popular no Kent, são mais interessantes do que os episódios dos conchavos e traições de cortesãos.
Há diálogos que são tão improváveis e mal escritos como se eu me propusesse a escrever um romance. Teria sido melhor manter a narrativa em terceiro pessoa do que inseri-los para “dar cor” ao romance.

Do prólogo, referente a 1377, o autor passa para o corpo do livro, em 1443, sem informações históricas que complementem o texto.

Ao iniciar a leitura, pesquisei na internet referências sobre o autor e a obra, e o que encontrei foram vários blogs que apenas reproduziam a resenha que havia sido divulgada pela editora quando do lançamento do livro.
Eu, como consumidor, me senti lesado.
Se não leu o livro, por favor, não o comente.

A impressão que Conn Iggulden me transmitiu foi a de que se trata de mais um escritor que pretende ganhar a vida, lançando livros a cada temporada.
Já havia escrito, no início da carreira literária, a coleção O Imperador, sobre a vida de Júlio César, e a história do general romano não foi exatamente a preocupação do romancista Iggulden.
Seu nome estará ausente de minha curiosidade no futuro.

Em uma classificação de até cinco estrelas, Guerras das Rosas fica com três.

La Confrérie des Éveillés

La Confrérie des Éveillés, de Jacques Attali (Livre de Poche – Fayard, 2004, 312 p., 6,5 €), é um romance histórico, que se passa no período entre 1149 e 1165, quando o islamismo vê surgir um grupo de fanáticos que, ao assumir comando político do Norte da África e da Andaluzia, abala a relação de convívio que existia, até então, entre muçulmanos e judeus.

Os personagens principais do livro são “simplesmente” ibn Rash, o Averróis, médico, filósofo e astrônomo árabe (1126-1198), e Moshé ben Maimon, o Maimônides, médico e filósofo judeu (1135-1204), ambos nascido e criados em Córdoba. Época muito importante para o pensamento religioso, ético e filosófico no mundo todo, pois o cristianismo conheceu, no mesmo período Thomas Becket (1120-1170).

Além das cruzadas (e o sultão Saladino – 1137-1198), e das lutas entre os diversos reinos cristãos e emirados muçulmanos na Península Ibérica, a época marca a “redescoberta” de Aristóteles (382-322 a.e.c) como expoente da filosofia clássica grega, e a influência que isso teve em todo o pensamento ocidental, sobretudo na questão entre fé e ciência.

Os “éveillés” (despertos) seriam pessoas espalhadas pelo mundo, desde Cochin (no extremo sul da Índia) até a Península Ibérica. Essas poucas pessoas teriam tido contacto, e conhecido, uma suposta obra de Aristóteles, o Tratado da eternidade absoluta, que seria mantida em segredo pelo grupo, pois poderia causar o desmoronamento das instituições eclesiásticas de todas as religiões, baseadas exclusivamente na fé.
No romance, Maimônides e Averróis fazem parte das pessoas que buscam encontrar traduções escondidas da obra de Aristóteles, para o latim e para o árabe, feitas por Geraldo de Cremona (1114-1187) em Toledo.

As conversas entre Averróis e Maimônides, os debates e também as disputas com grupos das três religiões monoteístas abraâmicas, ocupam boa parte do romance, que prende a atenção por essas comparações. Mostra uma intolerância religiosa crescente, que perdura até hoje, apesar de todos os pensamentos unificadores que poderiam ser encontrados em Aristóteles, que teria se inspirado também na filosofia budista (Buda – 563-483 a.e.c).

O livro prende a atenção, mas requer algum conhecimento prévio sobre os personagens, História, e algumas noções de filosofia e das três religiões abraâmicas. Recomendo a leitura.

A leitura do livro no original em francês não deixa de ser uma oportunidade para comparar o cuidado que têm escritores naquela língua com a riqueza gramatical subjacente em cada frase, algo que lamentàvelmente muitos escritores em língua portuguesa parecem pretender destruir.

 

A Queda de Artur

A Queda de Artur, de J. R. R. Tolkien (Martins Fontes, 2013, 286 p., R$ 32,00), é simplesmente uma delícia para se ler.

Obra incompleta do grande filólogo, mais conhecido por “O Senhor dos Anéis” e por “O Hobbit”, Tolkien escreveu o texto em forma de poesia dos bardos antigos. A aliteração que se declamava na Idade Média busca ritmo nas consoantes tônicas (ou vogais, em certos casos), e não nas rimas das vogais finais.

Tolkien nunca concluiu a obra, que foi editada pelo filho Christopher Tolkien.

O livro contém o texto original em inglês, nas páginas pares, e ao lado a tradução aliterada para o português feita por Ronald Eduard Kyrmse.

Vou acrescentar aqui dois links sobre o livro, para quem quiser mais informações:

1) O Épico Inacabado de Tolkien, do especialista John Garth,

2) O Inesgotável Baú de J. R. R. Tolkien (revista Época).

Não dá para eu comentar mais sobre isso.

Vou apenas apresentar alguns versos da poesia aliterada feita por Tolkien. (coloco letras maiúsculas para ressaltar a aliteração)

In her Blissful Bower   on Bed of silver

Softly slept She   on Silken pillows

with Long hair Loosend,   Lightly breathing,

in Fragrant dreams   Fearless wandering,

of Pity and rePentance   no Pain feeling

in the Courts of Camelot   Queen and peerless,

Queen unGuarded.   Cold blew the wind.

His Bed was Barren;   there Black phantoms

of deSire unSated   and Savage fury

in his Brain had Brooded   till Bleak morning.

-=-=-=-=-

FeLiz na saLeta,    em Leito de prata

em maCios traveSSeiros   de Seda ela dorme,

os tranÇados Soltos,    em suSSurros respira

e Vaga enVolta   no perFume dos sonhos,

não se arrePende, sem Pena,     não a Pica dor nenhuma,

na Cômoda Corte   de Camelot é rainha,

desampaRada sobeRana.    A aRagem sopra fria.

Ele Dorme em lrito esTéril.   FanTasmas negros

de deSejo insaCiado   e inSólita fúria

assalTaram-lhe a vonTAde   na maTina enfadonha.

(alterado conforme o comentário inserido pelo próprio Ronald Kyrmse)

Um brevíssimo comentário: a língua galesa (do País de Gales) mantém a estrutura de “combinar” os sons das consoantes em cada frase.

 

A Milenária Presença de Judeus na Itália

“A Milenária Presença de Judeus na Itália – Resgatando a memória da imigração de judeus italianos no Brasil (1938-1941)”, de Anna Rosa Campagnano e Sema Petragnani (editora Atheneu, 2007, 332 p., R$ 117,00), divide-se em duas partes.

A primeira trata da presença de judeus na Itália, desde tempos pré-cristãos até o final da Segunda Guerra Mundial. Trata das relações com os diferentes países que surgiram na península italiana, desde o Império Romano, bem como em países próximos, que tiveram relação com êxodos de judeus para a Itália, decorrentes de perseguições na Espanha, na Alemanha e no Império Austro-Húngaro. Comenta as alterações provocadas pela Revolução Francesa e sua Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão. Trata, também, das relações entre a igreja católica e as comunidades judaicas, nos dois milênios.

A segunda parte aborda a emigração de judeus italianos para o Brasil, como alternativa de fuga às perseguições anti-semitas na Itália, que inclusive provocaram as deportações para campos de concentração nazistas, a formação de um agrupamento irônicamente chamado Colônia Mussolini, para marcar o motivo do exílio forçado no Brasil. Conclui com depoimentos de pessoas ou de famílias de italianos judeus que buscaram abrigo no Brasil, no período de 1938 a 1941. Curiosamente encontrei narrativas de três professores que tive, que eu ignorava serem judeus.

O livro é muito bem ilustrado, e incorpora muitas informações em geral desconhecidas, sobre preconceitos surgidos na Idade Média e que se estenderam até o século XX. Contra o texto, algumas traduções mal feitas do italiano para o português, e algumas falhas na revisão, mas que não comprometem as informações contidas no livro.

A lamentar, porém, o alto preço do livro, que difìcilmente pode ser considerado acessível.