humor

Histórias que os jornais não contam

Histórias que os jornais não contam, de Moacyr Scliar (L&PM, 2018, 158 p, R$ 34,90), foi um dos livros que mais tempo levei para conseguir ler.

 

Sempre gostei de ler Scliar, podem checar meus outros posts sobre livros de sua autoria.

Por isso comprei o livro no dia 1º de setembro, imediatamente comecei a ler, e levei três meses para conseguir chegar à última página

 

Logo no início é divertido ver pequenas notas de jornais serem transformadas em uma crônica, em geral cheia de ironia.

A fórmula, porém, logo se esgota, torna-se repetitiva.
Nem uma delas acaba se fixando na lembrança.

 

Uma pena, um martírio.

 

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Tutaméia

Estou sumido do blogue.
Não estou sumido da leitura.
Ocorre que Tutaméia (Terceiras Estórias), de Guimarães Rosa, não é uma obra que possa ser comentada.
A leitura é lenta, não por ser difícil, mas porque em cada linha encontramos algo que merece ser matutado, um verdadeiro tratado de filosofia.
Humor sutil, pensamentos que conduzem a outros.
Tutaméia é uma verdadeira lição de vida.
Se ainda não o leu, comece hoje.
Talvez a vida não lhe seja tão longa para concluir a leitura.
E certamente a vida lhe será menos inteligente sem essa obra-prima.
O texto pode fàcilmente ser encontrado na internet, e baixado em pdf.

Virginia Woolf – Contos Completos

Virginia Woolf – Contos Completos é um livro com uma bonita edição gráfica, da Cosac Naify, de 2005 (reedição em 2007)  (468 p.), com tradução de Leonardo Fróes e notas de Susan Dick.

O livro é dividido em etapas cronológicas da vida de Virginia (1882-1941):   Primeiros Contos (1906/1909) ; 1917-1921; 1922-1925; 1926-1941, com um total de 46 contos.
Pode-se ser observada claramente a mudança de estilo da grande escritora ao longo desses 35 anos de trabalho.
Os primeiros são nìtidamente arrastados, de leitura que não se fixa, mas vão se alterando progressivamente.

Alguns contos são nìtidamente crônicas que foram adaptadas. Outros apresentam um sutil humor ou alguma malícia. Há os que são apenas “confissões de luluzinhas” preocupadas com os assuntos femininos de casamento, filhos e casa, ou então o a roupa e o penteado para um jantar.
A variedade de conteúdos inclui também ficção que se assemelha a lendas, ou outros que são retratos visuais descritos em palavras.

Sem dúvida o livro é de leitura obrigatória para quem quer conhecer um pouco mais da literatura em língua inglesa da primeira metade do século XX.
A leitura deste livro me fez desejar reler o conhecido Orlando, romance publicado em 1928, do qual tenho vívidas lembranças passados já 36 anos da primeira vez em que o livro me caiu aos olhos.

Asterix entre os Pictos

Fui querer me distrair e comprei “Asterix entre os Pictos” (Jean-Yves Ferri, desenhos de Didier Conrad, Editora Record, 48 p., R$ 28,00), primeiro livro do personagem gaulês que surgiu após a morte do autor Goscinny e a aposentadoria do co-autor Uderzo, com todos os personagens da velha aldeia que já conhecemos.

Não deu. A melhor homenagem da dupla Ferri e Conrad teria sido deixar a obra tal como era originalmente.

Faltou humor, faltou sutileza, faltaram insinuações que ferissem o abominável polìticamente correto de hoje, marcas das historietas anteriores.

Gosta de Astérix? (prefiro na forma original francesa, e adoptada na Lusitânia, com o acento agudo sobre o E)

Melhor reler as obras antigas.

Platão e um ornitorrinco entram num bar…

Li em julho de 2009 “Platão e um ornitorrinco entram num bar“ (Plato and a Platypus Walk Into a Bar),  de Thomas Cathcart & Daniel Klein (Editora Objetiva, 2007), que tem ainda o subtítulo “A filosofia explicada com senso de humor” e que parece um livro muito mais velho do que o é, embora escrito, ou melhor, copyrighteado, em 2006.

O livro é formatado de modo a explicar a filosofia para quem não quer levar a sério as coisas sérias, como diz a maioria dos comentários que encontrei.

Existe porém algo que incomoda: as piadas já circularam pela internet muito antes de ela ter se popularizado no Brasil. Certamente não havia blogues, e eu não tinha uma lista com mais de 100 endereços eletrônicos diários quando li a maioria das piadinhas que estão inseridas no livro, para ilustrar as diversas escolas filosóficas.

Dessa forma, a sensação de algo passado, o déjà vu (ou déjà lu) incomoda. É difícil dar risada das velhas piadas que ainda circulam pela internet. É difícil dar risada das mesmas velhas piadas, mesmo que aplicadas a situações da história da filosofia. Nesse sentido, o livro perde seu objetivo, pois nem fica sério, nem vira gozação, é apenas mais uma repetição, ilustrativa.