Hermann Hesse

Demian

Demian, de Hermann Hesse, escrito em 1919, é tido como a auto-bio-graphia do famoso escriptor que, nas décadas de 1960 e 1970, tornou-se ícone dos movimentos pacifistas.

Li a 45a. edição brasileira, comemorativa dos cinqüenta anos do lançamento da obra em terras tupinambás. Editora Record, 2016, tradução e pós-fácio de Ivo Barroso, 194 p., R$ 32,90.

O livro narra a história de um garoto, Emil Sinclair, que tem dificuldades de relacionamento com os colegas na escola. Nesse contexto ele conhece Max Demian, que lhe expõe teorias sobre a capacidade das pessoas em praticar tanto o bem como o mal, chamado o Sinal de Caim, e que lhe fala de Abraxas, a divindade síntese de deus e do demônio.

Mais tarde, Sinclair conhece outros rapazes com quem troca conversas do mesmo tipo de religiosidade mística, um mais velho, o organista Pistórius, e outro da mesma idade, Knauer. O vínculo com Demian, contudo, sempre jaz e floresce na vida de Sinclair, como uma forma de amor platônico, que anos mais tarde também se transfere para a mãe de Demian, Eva.

Tudo no livro são narrativas de pensamentos, de sofrimentos, de vergonha, de sexualidade não resolvida, de estudos psicanalíticos, de idealizações e idealismos.

Ao final, a Guerra se impõe, pois para que algo nasça é preciso que alguma coisa morra…

 

 

Hermann Hesse

Hermann Hesse, embora nascido em 1877 e ter morrido em 1962, pode ser considerado um autor contemporâneo, atual, pois fez muito sucesso com as “gerações Woodstock”.

Li, mais de uma vez, Sidarta, romance escrito em 1922, sobre um outro Sidarta, que teria vivido na época de Gautama, o Buda Histórico.

O jogo das contas de vidro, de 1943, é utopia que se desenrola no século XXV

Além disso li o conto Alma de Niño, na coletânea Cuentos Universales, sobre o qual comentei que Hesse Hesse é um escritor sempre preocupado com moral, com ética, no sentido profundo, religioso até, na descrição de comportamentos de um jovem que demora para atingir a maturidade (prenúncio do mundo do século XXI).

Hesse recebeu o Prêmio Nobel de Literatura em 1946 e é, sob meu ponto de vista, um misto de romancista e profeta.

Diversos autores em diferentes épocas

Fiz uma lista autores de quem li vários trabalhos, em diferentes épocas de minha vida.
Não incluo na lista os autores de best-sellers, como Agatha Christie, ou Luís Fernando Veríssimo, ou livros cuja leitura era indicada na escola, como Machado de Assis, Jorge Amado, Rachel de Queiroz (ou já poderia ser Raquel de Queirós?) ou Maria José Dupré. Tampouco incluo Alexandre Dumas, de quem li boa parte da obra, adaptada ou não para o público juvenil.
Além disso, já comentei aqui no blog sobre alguns livros de autores como Bernhard Schlink, Graham Greene, e Moacyr Scliar, de quem li várias obras, cujos posts podem ser acessados nas respectivas tags.

Comentarei ràpidamente em outros posts o que li de:

  • Caio Fernando Abreu
  • Gore Vidal
  • Hermann Hesse
  • Ignácio de Loyola Brandão
  • Ingmar Bergman
  • Isabel Allende
  • José J. Veiga
  • Lygia Fagundes Telles
  • Marcelo Rubens Paiva
  • Noam Chomsky
  • Roberto Freire
  • Rubem Fonseca
  • Umberto Eco.

 

Cuentos Universales

Cuentos Universales (Editorial Andrés Bello, 1985, 212 p.) é uma coletânea que comprei há vários anos no Chile, e que agora aproveitei para reler.

Constam dele:

  • Edgar Allan Poe
  1. La caída de la casa Usher
  2. El corazón delator
  3. El pozo y el péndulo
  • Guy de Maupassant
  1. La loca
  2. San Antonio
  • Oscar Wilde
  1. El amigo fiel
  2. El ruiseñor y la rosa
  • Anton Tchekhov
  1. La señora del perro
  2. Una noche de espanto
  • Franz Kafka
  1. Una cruza
  2. La edificación de la Muralla China
  • Hermann Hesse
  1. Alma de niño

Poe, tão reproduzido em filmes (muitos dos quais classe B) e tão copiado por outros escritores, tornou-se “café-com-leite”. Não impressiona tantos mais; algumas vezes chega a ser aborrecida sua leitura, por conta da previsibilidade. Inegável, porém, seu trabalho inovador. Se é tão copiado é porque ousou na criatividade.

Maupassant é pouco conhecido no Brasil, e merece ser mais divulgado, tendo em conta seu refinado tom de ironia.

Oscar Wilde é um mestre em mostrar as baixas intenções dos seres humanos, como sua própria biografia.

Tchekhov elabora muito bem o texto que termina, e contudo não chega a um fim.

Kafka, sem dúvida, é sempre um mestre da literatura. Raras vezes é de leitura fácil, dadas as contradições que permeiam seus textos.

Hesse é um escritor sempre preocupado com moral, com ética, no sentido profundo, religioso até, na descrição de comportamentos.

Cuentos Universales, como explicado em seu prólogo de Luís Moore, reforça a idéia de que “Nenhuma outra forma literária exige uma maior concentração de forma e fundo. Nenhuma outra permite menos recheio.” Perfeito.