Haiti

Os Farsantes

Concluí a leitura de Os Farsantes, escrito por Graham Greene em 1966 (Biblioteca Azul da Editora Globo, 2016, traduçåo de Ana Maria Capovilla, 359 p., R$ 39,00).

O livro é escrito em primeira pessoa, com Brown, com um cidadåo inglês nascido em Monte Carlo, educado por jesuîtas, que herda da måe um hotel em Porto Príncipe e logo em seguida vivencia a ditadura de François Duvalier, o Papa Doc, e seus cruéis tontons macoutes.

Dentre os personagens, há a mulher de um embaixador sul-americano, que se torna amante do narrador.
Essa personagem, porém, nåo tem uma característica marcante – ao contrário da personagem feminina de O Americano Tranquilo.
Sua inserçåo em todos os capítulos nada traz de importante no restante da trama, que inclui rebeldes haitianos de vários espectros políticos e de diferentes níveis sociais, um ex-candidato à presidência dos Estados Unidos, um aventureiro inglês (Jones), que cria em torno de si a lenda de ter lutado contra os japoneses na Birmânia, e tenta contrabandear armas para rebeldes.
A leitura nessas partes do romance-adultério acaba se tornando um pouco arrastada, e quase nada contribuiu para o texto, pois o foco é a tentativa de deposiçåo do Papa Doc (que morreu no poder em 1971 e ainda deixou como legado ao Haiti seu filho Baby Doc).

O livro serviu de base para filme com o mesmo nome, de 1967, estrelado por Richard Burton, Elizabeth Taylor, Alec Guiness e Peter Ustinov.

Os Farsantes nåo é o melhor livro que já li de Graham Greene.

Vamos emburrecer a nação brasileira!

Uma figura, que não sei como qualificar, decidiu que uzalunu naum teim qi studá palavra defíssis nus dissionaru.

É, a senhora Patrícia Secco vai reescrever clássicos da literatura brasileira, para torná-los acessíveis a todos os burros e, sobretudo, aos preguiçosos que não sabem consultar dicionário (em papel ou na internet). Como aparece na matéria da Folha de São Paulo, “sagacidade” virou “esperteza”, por exemplo.
Não, minha senhora, não é ischpérto emburrecer a população!

Como talvez não tenha se interessado em estudar outras línguas, dona Patricinha nunca observou que, em outros países, livros de escritores considerados clássicos, editados para estudantes, são publicados com notas de rodapé que dão o significado de palavras menos usuais, e com explicações sobre fatos e/ou personagens menos conhecidos desse público a que se dirige esse tipo de trabalho didático.

A tal “escritora” não sabe que cultura adquire-se com experiência, com leitura, com visitas a centros de estudo. Ou será que é nas ruas, em festas funks? Nem sei mais, confundi-me.

Nada como a inversão de valores para chegar aos resultados desejados por certos grupos:

VAMOS EMBURRECER A NAÇÃO BRASILEIRA!

VAMOS NIVELAR TUDO POR BAIXO!

Sem essa, não vai dar certo.

Se já perdemos o bonde da história com relação a outros países que, em 1960, eram mais atrasados do que nós, como Coréia do Sul, Índia, e outros mais, que investiram em educação, daqui a 20 anos teremos sido convertidos, com projetos como o dessa inqualificável, em algo no nível do Tchad ou do Haiti. Esse projeto político pode interessar a alguns grupos.