Graham Greene

Um Lobo Solitário

Um Lobo Solitário, de Graham Greene (Biblioteca Azul, 2016, 221 p., tradução de Julieta Leite, revisão de Tomoe Moroizumi e Fábio Bonillo, R$ R$ 39,90) narra a relação pessoal do escritor inglês com o “homem forte” do Panamá Omar Torrijos (1926-1981), ao longo de viagens entre 1976 e 1980, enquanto se faziam as negociações sobre a Zona do Canal do Panamá, e posteriormente em 1983.

Recolhe fragmentos de fatos da história de todos os países da América Central (Panamá, Costa Rica, Nicarágua, Honduras, El Salvador, Guatemala e Belize), e inclui Cuba, Granada, México e Estados Unidos.

Muitos personagens históricos são relatados ao longo das páginas do livro:

Ortegas, Chamorros, Fidel, Noriega, Jimmy Carter, Reagan, Kissinger, George Price, Miguel d’Escoto, Eden Pastora (Comandante Zero), além de outras figuras históricas como o arcebispo Óscar Romero, o escritor Gabriel García Márquez, João Paulo II, Augusto Pinochet, Alfredo Stroessner, Hugo Bánzer, …

Interessante a descrição étnica e geográfica desses países, que por vezes surge no livro.

O livro contém falhas de revisão, com por exemplo “uma cidadezinha encantadora a aproximadamente nove mil metros de altitude, …” – mais alta, portanto, do que o Monte Everest. Não duvido que no original o autor tivesse mencionado nove mil pés, 2700 metros.

Um Lobo Solitário mostra toda a visão esquerdista dos autor e dos líderes centro-americanos que tornaram, por décadas, a América Central uma das regiões mais instáveis do mundo.

O Panamá, hoje em dia, deve muito à ditadura de Torrijos, já que o Canal passou em 2000 à plena soberania do país, mas sobretudo modificou-se graças à modernização capitalista que domina o país no século XXI

 

Os Farsantes

Concluí a leitura de Os Farsantes, escrito por Graham Greene em 1966 (Biblioteca Azul da Editora Globo, 2016, traduçåo de Ana Maria Capovilla, 359 p., R$ 39,00).

O livro é escrito em primeira pessoa, com Brown, com um cidadåo inglês nascido em Monte Carlo, educado por jesuîtas, que herda da måe um hotel em Porto Príncipe e logo em seguida vivencia a ditadura de François Duvalier, o Papa Doc, e seus cruéis tontons macoutes.

Dentre os personagens, há a mulher de um embaixador sul-americano, que se torna amante do narrador.
Essa personagem, porém, nåo tem uma característica marcante – ao contrário da personagem feminina de O Americano Tranquilo.
Sua inserçåo em todos os capítulos nada traz de importante no restante da trama, que inclui rebeldes haitianos de vários espectros políticos e de diferentes níveis sociais, um ex-candidato à presidência dos Estados Unidos, um aventureiro inglês (Jones), que cria em torno de si a lenda de ter lutado contra os japoneses na Birmânia, e tenta contrabandear armas para rebeldes.
A leitura nessas partes do romance-adultério acaba se tornando um pouco arrastada, e quase nada contribuiu para o texto, pois o foco é a tentativa de deposiçåo do Papa Doc (que morreu no poder em 1971 e ainda deixou como legado ao Haiti seu filho Baby Doc).

O livro serviu de base para filme com o mesmo nome, de 1967, estrelado por Richard Burton, Elizabeth Taylor, Alec Guiness e Peter Ustinov.

Os Farsantes nåo é o melhor livro que já li de Graham Greene.

O Americano Tranqüilo

O Americano Tranqüilo, de Graham Greene (Biblioteca Azul da Editora Globo, tradução de Cássio de Arantes Leite, 2016, 228 p., R$40,00) foi o livro do autor inglês de que mais gostei, dos que li ou vi transformados em filmes.

A trama do livro se passa durante a Guerra da Indochina, entre a França e suas colônias, no início da década de 1950 (concomitante com a Guerra da Coréia).

Logo no primeiro capítulo é assassinado o personagem fundamental, Pyle, que é um americano que trabalha na “missão econômica americana” em Saigon.

A narrativa é feita por um jornalista inglês, Thomas, que avança e retrocede no tempo, para contar a relação com o americano, que se apaixona pela amante vietnamita do britânico, Phuong.

Thomas comenta contìnuamente sua admiração pelos asiáticos, o desprezo pelos franceses, e a falta de refinamento dos americanos.

O livro é recheado de informações sobre a situação política e o envolvimento dos diversos grupos, regionais ou estrangeiros, religiosos, civis ou militares, que atuavam à época na Indochina.

A forma como é apresentado o texto é muito interessante, pois já se sabe no início o final do assunto, mas a necessidade de se conhecer tudo o que houve antes ou depois do assassinato do americano prende a atenção do leitor.

Recomendo a leitura.

Diversos autores em diferentes épocas

Fiz uma lista autores de quem li vários trabalhos, em diferentes épocas de minha vida.
Não incluo na lista os autores de best-sellers, como Agatha Christie, ou Luís Fernando Veríssimo, ou livros cuja leitura era indicada na escola, como Machado de Assis, Jorge Amado, Rachel de Queiroz (ou já poderia ser Raquel de Queirós?) ou Maria José Dupré. Tampouco incluo Alexandre Dumas, de quem li boa parte da obra, adaptada ou não para o público juvenil.
Além disso, já comentei aqui no blog sobre alguns livros de autores como Bernhard Schlink, Graham Greene, e Moacyr Scliar, de quem li várias obras, cujos posts podem ser acessados nas respectivas tags.

Comentarei ràpidamente em outros posts o que li de:

  • Caio Fernando Abreu
  • Gore Vidal
  • Hermann Hesse
  • Ignácio de Loyola Brandão
  • Ingmar Bergman
  • Isabel Allende
  • José J. Veiga
  • Lygia Fagundes Telles
  • Marcelo Rubens Paiva
  • Noam Chomsky
  • Roberto Freire
  • Rubem Fonseca
  • Umberto Eco.

 

O cerne da questão (com P.S.)

O cerne da questão, de Graham Greene (Editora Globo, 2007, 396 p., R$ 30,60), é um romance que demorei várias semanas para concluir a leitura. Em algumas partes ela fluía ràpidamente, em outras, rastejava.

O livro narra a história de um major da polícia colonial britânica, em Freetown, Serra Leoa, durante a Segunda Guerra Mundial, que vive uma relação fria com a mulher, tem princípios católicos rígidos para a convivência com os outros brancos da cidade, e que se apaixona por uma jovem viúva, de quem se torna amante.

Os personagens têm suas várias facetas psicológicas expostas ao longo dos capítulos, porém, muitos dos diálogos são tediosos. Conversas do tipo “você me ama?”, ou “quero ser seu amigo”  são pouco convincentes. Mais parecem frases de um folhetim do século XIX.

A história de frustrações e de pesadas recordações não chega a empolgar. Dos quatro livros que li de Graham Greene, este foi o que menos me agradou, menos até do que Nosso Homem em Havana, que me pareceu um chavão da Guerra Fria. Preferi, ao ler, O Fator Humano e O Poder e a Glóriadois livros cuja leitura recomendo.

P.S. 13 de junho – No livro há um trecho muito interessante, que quero destacar:

O desespero é o preço que pagamos por nos comprometermos com uma meta impossível.
É, dizem, o pecado imperdoável, mas um pecado que nunca é cometido pelos corruptos ou pelos maus.
Eles sempre têm esperança.
Nunca atingem aquele estado paralisante que é o conhecimento do fracasso absoluto.
Só os homens de boa vontade carregam sempre no coração essa capacidade de danação.

O Fator Humano

O Fator Humano, clássico escrito em 1978 por Graham Greene (LP&M Pocket, 2008, 320 p.), é um livro que merece ser relido.

Funcionário britânico deixa o serviço na África do Sul do apartheid, e torna-se agente duplo, em gratidão à  ajuda dos comunistas na fuga da amante e informante negra,  de Johanesburgo para Moçambique. Essa história, que serviu de base também para filme, dá saudade do tempo (não tão antigo) em que os livros tinham conteúdo, suspense, boa narrativa e boa descrição, e serviam para ser lidos (e vistos) com interesse.

O livro descreve em algumas partes o tédio burocrático do serviço exterior, aquilo que também é chamado de diplomacia.

Realmente O Fator Humano merece o lugar de destaque que teve, e que mantém, na literatura internacional.

O Poder e a Glória

O Poder e a Glória (editora BestBolso, 2008, 292 p., R$ 17,90) foi o segundo livro que reli escrito pelo inglês Graham Greene. O primeiro tinha sido o popularesco “Nosso Homem em Havana“, escrito em 1958, precedendo a revolução castrista em Cuba, que li há vários anos e que não me deixou boa impressão.

Este outro, porém, escrito em 1940, trata de um padre alcoólatra, pai de uma menina, no estado de Tabasco, durante o período em que um governo socialista radical havia proibido o consumo de bebidas e qualquer prática ligada ao catolicismo (fim dos anos 1920 e início dos anos 1930).

Muito bem desenvolvida, a trama se desenrola com personagens que se cruzam ao longo do texto, em demonstrações de caráter firme ou de incoerências e fraquezas. Senti, ao final da leitura do livro, que essa tinha sido bem proveitosa, e inclusive me deu a oportunidade de aprender fatos da história do México que eu desconhecia.

Um livro cuja leitura eu indico.

Curiosamente existe um link na internet que mapeia as localidades narradas em O Poder e a Glória:

http://www.communitywalk.com/the_power_and_the_glory_map/map/226545