gastronomia

A Cabeça do Italiano

A Cabeça do Italiano – uma visita guiada (título original: La Bella Figura), de Beppe Severgnini, Editora Record, 2008, tradução de Sérgio Mauro, 272 p. – R$ 21,00, não é um livro de viagens, como aparece na classificação dos editores.
É um livro escrito por um  jornalista, para retratar o comportamento médio dos italianos, que salienta a diferença e a igualdade entre as regiões do país.

A desorganização e o descompromisso com “o outro”- o que importa é ao “eu vou me dar bem”.
Desordem nas filas, burocracia, trânsito e transporte, comércio, gastronomia, moradia, bancos, igrejas, praias, futebol, turismo sexual e corrupção.

Parece com um outro país que você conhece, não é mesmo?

O texto é de leitura fácil, mas nem todos os capítulos despertam interesse.
Destaco:

A Itália é um país indisciplinado, mas uniforme em sua indisciplina.

Os piores inimigos da paisagem já não são a ignorância e a fome, nascida da pobreza. A principal ameaça é a ganância, agravada pelo mau gosto. Ambos ficaram espertos e agora se dizem democráticos e populares. Como eu ia dizendo, os governos concedem anistias regulares e desastrosas a violadores de códigos. Muitos governos municipais, onde o construtor é amigo do prefeito, quando não é, ele mesmo, o prefeito, justificam essas abominações alegando que elas criaram empregos. Não se sabe se estão sendo míopes ou descarados.

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100 Experiências Gastronômicas

100 Experiências Gastronômicas para se ter antes de morrer, de Stephen Downes (Editora Prumo, 2008, 215 p., tradução de Ana Carolina Mesquita) é um livro que levei bem mais do que 100 dias para concluir a leitura. Costumava ficar ao lado da cama, para ler na hora em que me deitava.

O “renomado” (?!) crítico gastronômico australiano (Austrália?!), desses com coluna em jornal local (no caso, Melbourne), resolveu fazer um desses livros “numerais”- livro de 100. Enfileirou sua dose de esnobismo com diversas experiências gastronômicas que nada têm em comum.

Mantém típica dose de humor “superior”.  Caçoa de tudo e de todos, o que torna alguns capítulos muito engraçados. Essa mesma atitude, porém, esvazia vários outros.

Em alguns casos, Downes faz a descrição do preparo de certos pratos; em outros, apenas menciona o prazer que teve em degustar algo bem caseiro, típico em algum lugar (como o cuscuz argelino, ou o churrasco argentino). Perde-se no regionalismo “lá daquele canto do mundo”, na divisa entre o Vietnã e a Austrália, além, é claro, dos ensinamentos da sogra francesa.

O livro não mantém ritmo. SE não quisesse aproveitar a fórmula mágica de 100 (ou de 500 ou de 1000), e selecionasse apenas pela qualidade, a obra talvez não ultrapassasse 30 capítulos, e não seria publicado. Fica aí a sugestão para outra experiência para se ter antes de morrer.