Estadão

Marcelo Rubens Paiva

Marcelo Rubens Paiva nasceu em 1959.
De sua obra li apenas:

  • Feliz Ano Velho (1981)
  • Blecaute (1986)
  • Bala na Agulha (1994)

O autobiográfico Feliz Ano Velho continua a ser a marca registrada do autor. Blecaute me chamou a atenção, pela visão apocalíptica de São Paulo, e Bala na Agulha foi um livro que sequer passou por minha vida, já que não deixou registro na memória; não consigo lembrar do que trata.
Teria sido um bom autor de ficção científica. Bastaria deixar de lado o proselitismo de esquerda.

O escritor na verdade continua mais famoso por conta de Rubens Paiva, seu pai, e das situações políticas que envolveram a família, na época do regime militar e até hoje.
Também é colunista no jornal Estadão, e tampouco leio seus artigos.
Rodrigo Constantino, contudo, os lê.

http://veja.abril.com.br/blog/rodrigo-constantino/tags/marcelo-rubens-paiva/

 

 

Ignacio de Loyola Brandão

Ignácio de Loyola Brandão nasceu em 1936. De seus muitos livros, li:

  • Zero
  • Não verás país nenhum
  • Noite inclinada
  • O verde violentou o muro.

De novo um autor que, no final do século XX, fez sucesso porque, jornalista, escrevia com o cenário dos “revolucionários” pós-1964. Lembro que O Verde versa sobre as memórias do próprio autor enquanto morou em Berlim, dividida pelo Muro da Infâmia, mas absolutamente nada me vem à lembrança quando penso em Zero e em Não Verás, exceto que bem negativistas e muito lidos e bem comentados pela esquerda caviar.

Vale a pena ver como estão as opiniões mais recentes do autor, nessa entrevista de 2012:

http://g1.globo.com/platb/maquinadeescrever/2012/02/03/loyola-estamos-virando-uma-imensa-cracolandia/
Acho que a visão pessimista acabou sendo fruto da esquerda que ele defendia, e não da direita que era abominada em 1980.

Desde 2005 é cronista no jornal O Estado de São Paulo, mas confesso que não leio seus artigos.

 

Aspirantes a escritor

Encontrei no Estadão esta interessante matéria sobre aspirantes a escritor.

Arte & Lazer

http://www.estadao.com.br/noticias/arteelazer,aspirantes-a-escritor-evitam-o-nao-das-editoras-recorrendo-a-premios-,1062447,0.htm

Aspirantes a escritor evitam o ‘não’ das editoras recorrendo a prêmios

Concursos apresentam ao leitor brasileiro uma nova safra de autores que talvez não entrariam em grandes editoras.

09 de agosto de 2013 | 21h 29

Maria Fernanda Rodrigues – O Estado de S. Paulo

Há prêmios que reconhecem o trabalho de um escritor ou a qualidade de um livro e dão um respiro à saúde financeira dos literatos – muitas vezes precária, já que é consenso dizer que não se vive da venda de direitos autorais. Nesta terça-feira (13), serão anunciados os finalistas do Prêmio Passo Fundo Zaffari & Bourbon de Literatura, que premia o autor do melhor romance com R$ 150 mil. Há 10 dias, o Prêmio São Paulo de Literatura encerrou as inscrições – concorrem 187 obras. Este ano, ele passa a premiar em três categorias: melhor romance (R$ 200 mil), melhor romance de autor estreante com menos de 40 anos (R$ 100 mil) e melhor romance de autor estreante com mais de 40 anos. O Portugal Telecom, que paga R$ 50 mil aos vencedores das categorias romance, conto/crônica e poesia e mais R$ 50 mil ao melhor dos três, revela até meados de setembro quem está no páreo. Existem outros nessa linha, como o Jabuti, o Paraná, o Benvirá etc.

E há prêmios que priorizam a produção literária de jovens autores ou de autores que nunca publicaram. Os melhores exemplos são os do Prêmio Governo de Minas Gerais, que ainda não lançou o edital deste ano, mas que tem uma opção interessante para jovens escritores mineiros (entre 18 e 25 anos): o autor do melhor projeto de livro ganha R$ 25 mil para tocá-lo adiante. E o Prêmio Sesc, que só aceita originais de autores inéditos nos gêneros romance ou conto.

Desde que foi criado há 10 anos, o Prêmio Sesc apresentou aos leitores brasileiros uma nova safra de escritores que talvez não teriam entrada em grandes editoras. Já revelou 18 escritores das mais diferentes profissões – um professor universitário de química, um servidor público, uma estudante, um redator publicitário, um psicanalista e por aí vai.

Pessoas com pouca ou nenhuma circulação pelo mundo literário. Alguns deles ficaram pelo caminho, outros, com esse pontapé, investiram na carreira. É o caso, por exemplo, de Lúcia Bettencourt, André de Leones e Luisa Geisler. Vêm novos nomes por aí – as inscrições estão abertas até 30 de agosto.

A questão do ineditismo é o que difere o Prêmio Sesc e o São Paulo, que também tem uma categoria de autores estreantes – mas neste caso, só concorrem livros já editados.

Portanto, de autores que já venceram a primeira barreira.

Acostumado a receber originais, o editor Marcelo Ferroni, da Alfaguara, já foi um autor estreante. Seu Método Prático de Guerrilha saiu pela Companhia das Letras e ganhou o Prêmio São Paulo em 2011 nesta categoria, o que acabou dando mais visibilidade a sua obra. Em 2014, lança, pela mesma editora, Da Parede, Meu Amor, os Escravos Nos Contemplam. Como editor, diz que prêmios podem ajudar um autor, mas que não é só isso o que importa: “Se o autor tem algo no currículo, ou se é indicado por alguém de confiança, isso facilita seu caminho, para que ele seja lido mais rapidamente pelo editor. Mas no final, o que conta mesmo é a qualidade do livro.”

Naquele ano, o São Paulo ainda pagava R$ 200 mil. Já o do Sesc não envolve dinheiro – e isso não importa aos vencedores ouvidos pelo Estado. Mais relevante é, na opinião deles, a oportunidade de ver o livro editado e distribuído pela Record, a maior editora do País. É esse o prêmio. Por sua vez, o Sesc organiza um intenso tour com os vencedores por suas unidades e por outros eventos, como a Jornada de Passo Fundo e a Flip – na programação paralela que a instituição promove durante a festa. Anualmente, o Sesc investe R$ 500 mil nessas ações.

E foi lá em Paraty, no mês passado, que o advogado paranaense Marcos Peres, de 28 anos, fez seu debut literário. Vencedor da última edição do prêmio com o romance O
Evangelho Segundo Hitler, ele é exemplo de um novo movimento: de autores que têm preferido encarar outros concorrentes num prêmio do que esperar um milagre ou uma carta-padrão de uma editora negando o original. Quem o inspirou a tomar esse caminho foi o conterrâneo Oscar Nakasato, o professor que, com Nihonjin, seu romance de estreia, venceu o 1.º Prêmio Benvirá e o Jabuti.

Há 10 anos, concurso possibilita a estreia literária de aspirantes a escritor Mostrar o primeiro livro para um estranho não é tarefa fácil. A carioca Lúcia Bettencourt
que o diga. Tímida, ela passou a vida estudando literatura, escrevendo contos e cuidando do marido e dos quatro filhos. Resistia em mostrar sua ficção porque tinha uma carreira acadêmica e achava que passaria vergonha. Seu marido Guilherme ficou sabendo do Prêmio Sesc, que estava então em sua segunda edição, e disse que não havia mais desculpas. Como a inscrição seria feita com um pseudônimo, se não desse certo ninguém saberia. Foi ele quem organizou e imprimiu os textos e inscreveu o livro da mulher.

Mas Guilherme morreu em outubro de 2005, antes de saber que Lúcia tinha vencido – o anúncio seria feiro em março do ano seguinte. “O prêmio foi minha tábua de salvação. Se não fosse por ele hoje eu estaria numa clínica de repouso, pirada”, comenta. Estavam juntos há 36 anos. “Ele se foi, e a literatura me deu sustentação.”

Ela deixou de ser Lúcia, a mulher de Guilherme (ele era executivo de uma grande empresa), e virou Lúcia, a escritora. O luto ela viveu viajando pelas unidades do Sesc. No interior do Paraná, ouviu de um leitor que um de seus contos tinha sido escrito para ele, e essa nova profissão começou a fazer sentido.

Outros livros vieram depois de A Secretária de Borges, e há um mês ela recebeu a notícia de que O Banquete, obra baseada em sua tese, tinha recebido o prêmio da Academia Brasileira de Letras na categoria crítica literária e R$ 50 mil.

André de Leones, vencedor na categoria romance com Hoje Está Um Dia Morto no mesmo ano em que Lúcia ganhou, também não inscreveu o livro sozinho. À época, ele tinha terminado um curso de cinema em Goiânia e estava de volta à casa dos pais, em Silvânia. Entre os 19 mil habitantes, estava o escritor Aldair Aires, que tomou a iniciativa.

“Se não fosse pelo prêmio, é provável que eu estivesse lecionando no interior de Goiás e dependendo de editais para, com sorte, publicar meus livros localmente”, conta o escritor.

Numa das viagens para divulgar o prêmio, conheceu, em Paranaguá, sua primeira mulher. Foi a deixa para ir embora de vez de Goiás. Participou do projeto Amores

Expressos, publicou mais quatro livros pela Record e pela Rocco e está em outras tantas antologias – internacionais, inclusive. Vive hoje em São Paulo e é colaborador do Caderno 2.

No ano seguinte, foi a vez dele dar uma mão a um colega. Wesley Peres, psicanalista em Catalão, não achava que seu romance Casa Entre Vértebras seria considerado no prêmio “porque estava no limite entre prosa e poesia”. Foi Leones quem a inscreveu. Wesley já tinha lançado dois livros de poemas. Depois do prêmio, investiu num segundo romance, o Pequenas Mortes, publicado recentemente pela Rocco.

Luisa Geisler foi a mais jovem escritora premiada pelo Sesc e tem uma das carreiras mais promissoras. Ela tinha 17 anos e fazia a oficina literária do Luiz Antonio de Assis Brasil quando soube do concurso. Ajeitou alguns contos, fez outros e inscreveu Contos de Mentira na premiação. Levou. No ano seguinte, em 2011, resolveu experimentar o romance, e escreveu Quiçá. Levou de novo. No mesmo ano, foi selecionada para a Granta Melhores Jovens Escritores Brasileiros e o romance que escreve agora sairá pela Alfaguara, uma das principais editoras na área de ficção. “Sem o Prêmio Sesc, minha carreira estaria na estaca zero em termos de publicação”, conta a estudante de Relações Internacionais e Ciências Sociais.

“A ideia é justamente essa: que o prêmio dê o primeiro empurrão na carreira literária dos autores, e que eles possam assim construir as suas trajetórias”, explica Henrique Rodrigues, um dos idealizadores do concurso.

De fato, o prêmio deu o pontapé na carreira de muitos dos vencedores. Alguns passaram a acreditar na vocação, abandonaram a ideia de autopublicação ou de publicação por uma editora regional, e tentam viver de literatura. Outros conciliam a profissão com a escrita.

É o caso de Marcos Peres, servidor do Tribunal de Justiça, em Maringá e autor do melhor romance deste ano. “A questão de ser apenas um escritor é quase uma utopia. Eu consigo conciliar o ato de escrever com meu trabalho”, diz.

O publicitário João Paulo Vereza, vencedor este ano com os contos de Noveleletas, conta que ainda não descobriu o que é ser escritor. Sempre escreveu, nunca publicou. “A literatura sempre foi meu playground, o espaço onde me sinto livre e confortável.”

Vencedores do Prêmio Sesc

1ª edição (2003/2004):

Romance: Santos Reis da Luz Divina, de Marco Aurélio Cremasco

Contos: As Netas de Ema, de Eugenia Zerbini

2ª edição (2004/2005):

Romance: Hoje Está um Dia Morto, de André de Leones

Contos: A Secretária de Borges, de Lúcia Bettencourt

3ª edição (2005/2006):

Romance: Casa Entre Vértebras, de Wesley PeresContos: Correio Litorâneo, de Nereu Afonso da Silva

4ª edição (2006/2007):

Romance: Zé, Mizé, Camarada André, de Sérgio Guimarães

Contos: Beijando Dentes, de Maurício Almeida

5ª edição (2008/2009):

Romance: O Momento Mágico, de Marcio Ribeiro Gomes

Contos: Mentiras do Rio, de Sergio Rio

6ª edição (2009/2010):

Romance: Prosa de Papagaio, de Gabriela Guimarães Guazinelli

Contos: Cavala, de Sergio Tavares

7ª edição (2010/2011):

Romance: Habeas Asas, Sertão do Céu, de Arthur Martins Cecim

Contos: Contos de Mentira, de Luisa Geisler

8ª edição (2011/2012):

Romance: Quiçá, de Luisa Geisler

Contos: Réveillon e Outros Dias, de Rafael Gallo

9ª edição (2012/2013)

Romance: O Evangelho Segundo Hitler, de Marcos Peres

Contos: Noveleletas, de João Paulo Vereza

No início do ano, comentei sobre inéditos. Não raras vezes muito melhores do que os escritores renomados.

Livros na rua

Embora eu comente há muito tempo sobre meu hábito de deixar livros nas ruas, algo que aprendi quando li o chaterrésimo livro Xadrez, Truco e Outras Guerras – Ira, de José Roberto Torero, da coleção Plenos Pecados, em 1998, e o deixei em um banco na sala de espera do aeroporto 2 de Julho, em Salvador, o Estadão publicou uma matéria sobre um projeto carioca de deixar livros na rua, “copiando um projeto dos Estados Unidos”.

O açougue cultural T-Bone, na Asa Norte, também deixa livros expostos no próprio local, ou em paradas de ônibus de Brasília, há bastante tempo. Mas, a idéia é dos gringos, lógico.

O que importa é que vocês adotem a idéia: terminou de ler um livro, repassem-no a outra pessoa, conhecida ou não. Se ele tiver “a cara de alguém” conhecido, dê a essa pessoa; se não, deixe-o em qualquer lugar, máquina de auto-atendimento bancário, parada de ônibus, poltrona de cinema, assento de ônibus, etc.. A menos que seja um livro de referência, ou de uma área de estudo particular do seu interesse, que lhe vai ser necessário no futuro. Literatura é para ser repassada aos outros, essa é a própria idéia de existir qualquer arte, não ficar enfurnada.

A cultura agradece, e as editoras que se emputeçam. Afinal de contas, quem manda cobrarem absurdos pelo produto, sobretudo uma certa “grife“.