ensaio

Roberto Freire

O psiquiatra e escritor Roberto Freire (1927-2006), além de ter sido diretor de cinema e teatro, e autor de telenovela, ficou famoso por sua técnica de terapia chamada somaterapia, que se baseava no anarquismo e nas idéias de Wilhelm Reich.

De suas obras, li

  • o romance Coiote,
  • e os ensaios Ame e Dê Vexame e
  • Sem tesão não há solução.

Esses livros foram emprestados para várias pessoas, sobretudo mulheres maduras que, no final do século XX, queriam mais novidades.

Noam Chomsky

Noam Chomsky, que nasceu em 1928, é o supra-sumo da esquerda festiva dos Estados Unidos.
Ninguém o supera, inclusive na obsoleta auto-definição de ser um anarco-sindicalista.
Tremendo cínico que não abre mão de viver no meio dazelite estadunidense.
Quanto será que cobra pelas palestras?

Li três trabalhos do pensador:

  • A minoria próspera e a multidão inquieta (1999)
  • O que Tio Sam realmente quer? (1999) e
  • Para entender o poder (2005).

Se ocasionalmente somos obrigados a ler bula de remédios, por que não ler também Mr. Chomsky?

 

 

 

Umberto Eco

Umberto Eco, também conhecido como Big Ego, é o escritor italiano contemporâneo mais conhecido. Nasceu em 1932.
De seus romances, li apenas:

  • O Nome da Rosa
  • A Ilha do Dia Anterior.

Considerei fenomenal O nome da rosa à época em que o li, e outros escritores descaradamente tentaram copiá-lo, como O Monge Inglês.

A Ilha do Dia Anterior, contudo, nada me significou. Foi um livro que mal passou em minha vida.

Preferi nunca ler  O Pêndulo de Foucault (1988), que tanto sucesso fez entre “bichos grilos”, teóricos de conspirações, e outros mais. Nunca me arrependi dessa decisão.
Como diz o próprio Ego, quer dizer, Eco, esse livro foi a inspiração de Dan Brown para o ridículo e execrável O Código da Vinci.

Em algum lugar do passado, li Apocalípticos e Integrados, lançado no Brasil pela Editora Perspectiva em 1965, e que é um ensaio sobre a influência dos meios de comunicação social.

Li também Turning Back the Clock: Hot Wars and Media Populism (2007), tradução de Alastair McEwen para a londrina Harvill Secker do original italiano A passo di gambero. Guerre calde e populismo mediatico (2006).
Este livro é uma coleção de ensaios  publicados sobretudo nos jornais La Repubblica e L’Espresso no período entre 2000 e 2005, assim como resumo de algumas palestras.
Na versão inglesa constam do livro os capítulos:

  • A guerra, a paz e outros assuntos;
  • Crônicas de um regime;
  • Retorno ao grande jogo;
  • Retorno às cruzadas;
  • A soma e o resto;
  • A defesa da raça (sobre o anti-semitismo); e
  • O crepúsculo do novo milênio.

Curiosamente, não consta o capítulo Cerchiamo almeno di divertirci (tentemos ao menos nos divertir) que fez parte do original italiano.
Como qualquer coletânea, contém altos e baixos, assim como este modesto blogue.
Depois de dois milênios em que tudo passou velozmente, tudo voltou-se para si mesmo e agora estamos no passo de um camarão, foi a conclusão a que chegou Big Ego.

 

 

 

 

 

 

 

Gore Vidal

Gore Vidal ((1925-2012) foi muito prolífico (e por que não também dizer promíscuo?), e sua produção artística inclui romances, ensaios, roteiros de filmes, peças de teatro, etc.

Em ordem cronológica da publicação, li:

  • A cidade e o pilar (1948)
  • À procura do rei (1950)
  • Verde escuro, vermelho vivo (1950)
  • O julgamento de Páris (1952)
  • Messias (1954)
  • Juliano (1964)
  • 1876 (1976)
  • Criação (1981)
  • Duluth (1983)
  • Império (1987)
  • Declínio e queda do império americano (ensaio) (1992)
  • Ao vivo do Calvário, o evangelho segundo Gore Vidal (1992) (Live from Golgotha, no original inglês)
  • Palimpsesto (memórias) (1995)
  • Um momento de louros verdes (não localizei o título original, nem a data da publicação), a maior parte delas (ou todas?) publicadas pela Rocco.

De que me lembro dessas obras? Pouco, retenho na memória menos do que o que eu tinha apreciado na época da leitura.

À procura do rei – lembro apenas que trata do resgate (ransom) por Ricardo Coração de Leão, aprisionado pelos franceses;
Verde escuro, vermelho vivo – algo que se passou na Guatemala;
Messias – sobre os tele-evangelistas.

De fato, só me lembro de

Juliano – romance histórico sobre o curto reinado do imperador romano (360-363), equivocadamente chamado de “o apóstata”, dado que ele nunca foi cristão, e não podia, portanto, ter recebido esse epiteto;
Criação – outro romance histórico, que versava sobre Ciro Espítama, um personagem fictício que teria sido um diplomata persa e conhecido pessoalmente Zoroastro (de quem Ciro seria neto), Sócrates, Buda (Gautama), Mahavira, Lao-tsé e Confúcio;
Ao vivo do Calvário – uma sátira de como teria sido uma transmissão televisiva do julgamento e da crucificação de Cristo, caso a tecnologia o permitisse;
Palimpsesto – chatíssimo, cheio de fofocas, intrigas, brigas de ódio, sobretudo com a mãe.

Na verdade, passado o tempo, vejo Gore Vidal como um bom escritor, de linguagem ágil, com dose de humor irreverente, mas muito parecido com o que são tantos colunistas de jornais e revistas, que gostam de se manter em evidência por meio de falsas polêmicas. Confundiu a vida (homo-sexual) e a política (do Partido Democrata) com a própria obra, por isso ela se tornou muito bem recebida, mas ao mesmo tempo de pouca profundidade: um típico produto de consumo.

 

 

Como um romance

Pràticamente não reparava nele, magro com suas 167 páginas, espremido com uma capa bege no meio de outros de cores mais fortes. Não sei quando o comprei, nem onde, nem quanto por ele foi pago. De repente, foi como se pulasse da prateleira para minha mão, e então comecei a ler “Como Um Romance”, escrito em 1992 por Daniel Pennac (Pennachioni, na verdade), traduzido para o “brasileirês” por Leny Werneck, e editado pela Rocco, em 1993.

Tão logo comecei a leitura, escrevi por e-mail (correio eletrônico, para os puristas) alertando-os

Você já leu “Como um romance”, de Daniel Pennac?
(Editora Rocco, tradução de Leny Werneck – existem outras traduções, inclusive para o lusitanês)
Sim?
Parabéns
Não?
Então leia logo, não faça como eu, que deixei o livro durante tanto tempo em uma prateleira.
Leia:
leitura obrigatória.
Só quem o tiver lido poderá saber o significado desse ensaio, escrito como um romance.
Procure no sebo, na livraria, peça emprestado, encomende na Amazon, xeroque de alguém (são 167 páginas).

Em seguida recebi algumas respostas:

1) Oi, Boppe
Acho que eu tenho na estante.
Se não estiver lá, vou correndo comprar.
1A) Encontrei Como um romance na estante.
Felizmente ainda estava lá.

2) Não. Vai me emprestar??

3) Resumo do livro “Como um romance” de Daniel Pennac (ÓTIMA DICA DE LEITURA!), por Daiane Matos …

Li o resumo e não gostei. Enfim, pretensão e água benta cada um usa quanto quiser.
Em seguida descobri outros resumos e comentários jorrando na internet, alguns deles melhores, mais claros e objetivos do que o postado pela princesa Daiane.

Pennacchioni não gosta de “leituras obrigatórias”. Azar dele. Acho que o livro tem de ser lido por todas as pessoas que se interessam por letras, sílabras, palavras, frases, pensamentos, … Talvez devesse ser lido pelos pais, ao lado do berço de seus bebês.

Sobre o que trata o livro? Sobre livros e leituras.
Primeiro leia-o. Depois, quem sabe, um dia conversaremos sobre o assunto.