Editora Globo

A Redoma de Vidro

A Redoma de Vidro, de Sylvia Plath (The Bell Jar, Biblioteca Azul Editora Globo, tradução de Chico Mattoso, 2014, 280 p., R$ 21,00) é um romance semi-autobiográfico da escritora que cometeu suicídio um mês após sua publicação, em 1963.

Passando-se no início da década de 1950, narra a história de uma jovem bostoniana que vai a Nova York para fazer estágio em famosa revista de moda.
Terminado o estágio, volta para a casa da mãe e toma conhecimento de não ter sido aceita para um curso de redação, o que inicia um processo de profunda depressão, que culmina com sua internação em clínica onde sofre eletrochoques em um tratamento mal conduzido.

A dúvida entre ser obrigada a constituir família ou obter uma profissão, a questão da virgindade ainda vista como prioridade na época pré-revolução sexual, e outros tratamentos médicos psiquiátricos confundem ainda mais a jovem, que se sente respirando dentro de uma redoma de vidro.

Sylvia Plath tornou-se sinônimo de escritora maníaco-depressiva que termina por buscar o suicídio, sendo registrado como “efeito Sylvia Plath” o fenômeno de que escritores criativos são mais suscetíveis a doença mental.

A linguagem do romance é muito clara e bem expressa.
O assunto é bem abordado pela autora.

Merece a leitura.

 

Os Farsantes

Concluí a leitura de Os Farsantes, escrito por Graham Greene em 1966 (Biblioteca Azul da Editora Globo, 2016, traduçåo de Ana Maria Capovilla, 359 p., R$ 39,00).

O livro é escrito em primeira pessoa, com Brown, com um cidadåo inglês nascido em Monte Carlo, educado por jesuîtas, que herda da måe um hotel em Porto Príncipe e logo em seguida vivencia a ditadura de François Duvalier, o Papa Doc, e seus cruéis tontons macoutes.

Dentre os personagens, há a mulher de um embaixador sul-americano, que se torna amante do narrador.
Essa personagem, porém, nåo tem uma característica marcante – ao contrário da personagem feminina de O Americano Tranquilo.
Sua inserçåo em todos os capítulos nada traz de importante no restante da trama, que inclui rebeldes haitianos de vários espectros políticos e de diferentes níveis sociais, um ex-candidato à presidência dos Estados Unidos, um aventureiro inglês (Jones), que cria em torno de si a lenda de ter lutado contra os japoneses na Birmânia, e tenta contrabandear armas para rebeldes.
A leitura nessas partes do romance-adultério acaba se tornando um pouco arrastada, e quase nada contribuiu para o texto, pois o foco é a tentativa de deposiçåo do Papa Doc (que morreu no poder em 1971 e ainda deixou como legado ao Haiti seu filho Baby Doc).

O livro serviu de base para filme com o mesmo nome, de 1967, estrelado por Richard Burton, Elizabeth Taylor, Alec Guiness e Peter Ustinov.

Os Farsantes nåo é o melhor livro que já li de Graham Greene.

O Americano Tranqüilo

O Americano Tranqüilo, de Graham Greene (Biblioteca Azul da Editora Globo, tradução de Cássio de Arantes Leite, 2016, 228 p., R$40,00) foi o livro do autor inglês de que mais gostei, dos que li ou vi transformados em filmes.

A trama do livro se passa durante a Guerra da Indochina, entre a França e suas colônias, no início da década de 1950 (concomitante com a Guerra da Coréia).

Logo no primeiro capítulo é assassinado o personagem fundamental, Pyle, que é um americano que trabalha na “missão econômica americana” em Saigon.

A narrativa é feita por um jornalista inglês, Thomas, que avança e retrocede no tempo, para contar a relação com o americano, que se apaixona pela amante vietnamita do britânico, Phuong.

Thomas comenta contìnuamente sua admiração pelos asiáticos, o desprezo pelos franceses, e a falta de refinamento dos americanos.

O livro é recheado de informações sobre a situação política e o envolvimento dos diversos grupos, regionais ou estrangeiros, religiosos, civis ou militares, que atuavam à época na Indochina.

A forma como é apresentado o texto é muito interessante, pois já se sabe no início o final do assunto, mas a necessidade de se conhecer tudo o que houve antes ou depois do assassinato do americano prende a atenção do leitor.

Recomendo a leitura.

As Mil e Uma Noites

Livro das Mil e Uma Noites – Volume I – ramo sírio (Editora Globo, 2005) é acima de tudo um genial e minucioso trabalho do tradutor Mamede Mustafa Jarouche.
A precisão com que se preocupou com o sentido das palavras, com a comparação entre diversos textos, não raras vezes contraditórios, e o humor com que trabalhou o texto em português, fazem desse livro algo muito interessante, ao passo em que deixou de lado – quando não contrariou – o texto do francês Antoine Galland que tornou a obra conhecida no mundo ocidental.

Interessante, no entanto, muito mais para quem gosta de línguas.
Do ponto de vista dos contos e histórias, variam de um erotismo-pornográfico a uma ingenuidade que demonstra alguma falta de imaginação dos autores que há séculos montaram a coleção das narrativas de Xerazade à irmã Duniazade e ao rei Xariar, evitando ser executada, como havia ocorrido com as anteriores esposas do rei.
Há tantos trechos tediosos que, se eu fosse Xariar, teria executado Duniazade antes do nascer do segundo dia, e exilaria Xerazade em florestas européias, para conhecer contos populares com personagens mais variados do que comerciantes e demônios.

As diversas adaptações fora do texto original em árabe melhoraram os contos.