doações

Livros esquecidos (matéria da Folha de São Paulo)

Há alguns anos tenho feito e escrito sobre a necessidade de “desovar” livros lidos.

Parece que só agora, copiando o que descobriram em “neva inhoque” os paulistaninhos resolveram adherir a essa necessidade.

Antes tarde do que nunca.

Espero que com isso a “grife dos livros caros” tenha um bom prejuízo, e não resolva aumentar ainda mais o preço do que edita.

 

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Sebos

Escrevi no post “Como um romance” um “procure em um sebo”, mas não sou muito fã desse tipo de lojas.

Aqui perto, por conta da proximidade da UnB, há uns tantos sebos. Seis, em uma conta rápida pelas quadras vizinhas.

Pequenos, grandes, organizados, bagunçados, limpos, sujos, onde somos bem atendidos, onde somos ignorados. Entro neles, dou uma espiada básica, mas raramente encontro algo de meu interesse, embora já tenham me servido para a busca de um título específico que queria dar a duas diferentes pessoas.

Em São Paulo, perto do antigo endereço de minha amiga Irene, há um bom sebo, mas com um abominável cheiro de ácaros que corrobora inteiramente minha tese de que livros não são feitos para ficar em prateleiras, depois de usados. Melhor serem dados a outra pessoa ou “esquecidos” em uma parada de ônibus.

Uma amiga minha, mão de vaca feito o mais duro dos pães, resolveu vender algumas centenas de livros do pai. Reclamou que lhe pagaram muito pouco por isso. Eu bem que alertei que não compensava e que seria muito mais “inteligente” dispor essas obras em diferentes lugares da cidade, conforme o assunto. Perto de hospital livros sobre saúde; livros de cIências sociais perto de escolas de segundo grau, etc.. Não, preguiçosa, acabou carregando uma malona com aquilo que o pai havia juntado durante anos, e se sentiu depois “roubada”. Não duvido que ela tenha precisado de um analgésico para dor lombar mais caro do que o que recebeu pelos livros…

Já ocorreu mais de uma vez de eu “ludibriar” o negociante. Uma pessoa interessada em vender livros fez cara de que não tinha gostado do preço oferecido pelo sebo, e eu, parado ao lado, perguntei quanto queria por aquela obra, pela qual eu tinha algum interesse. Paguei mais do que o sebo, menos do que eles depois venderiam, e tanto eu quanto o ex-proprietários ficamos satisfeitos.

Por falar em sebos, tenho de terminar a leitura de muitos que estão aqui nas prateleiras. Após minha morte, parentes que bem conheço não se intimidarão em lançar ao lixo reciclado o que tenho hoje. Dará a eles menos trabalho do que sair vendendo aos sebos.
Escolas “modernas” não gostam de livros fora do “desacordo ortográfico” que emburrece a população. Li muitos livros de meus pais escritos com PH e TH, uma das quatro ortografias com que convivi, e não apenas nunca me confundiram com o que eu estudava, que ainda era conforme a ortografia de 1943, como foram muito úteis quando aprendi outras línguas. Coisas da “pedagogice contemporânea”.

Férias Secretas

Férias secretas, da belga Maud Frère, foi escrito em 1956. Li sua 2a. edição da tradução brasileira (Edgar Magalhães), feita pela saudosa Editôra Brasiliense em 1962, dentro da coleção “Jovens do Mundo Todo”.

Livro para adolescentes (*), narra em primeira pessoa a história de um garoto francês que, driblando os planos da família, viaja escondido para passar férias na antiga fazenda do avô, que havia sido vendida após sua morte.

O livro até consegue prender a atenção de leitores de qualquer idade. A tradução, contudo, foi feita para contrariar o vocabulário de qualquer adolescente, mesmo em 1962 (ou em 1956). Isso certamente prejudica o livro, pois não consegue manter empatia entre o narrador e o leitor.

Alguma criança ou jovem diria, hoje ou há 60 anos: “anelávamos ser como ele”? Ou usaria a forma “mouta”, para dizer “fique na moita”, ao pedir o silêncio de um colega? Isso e mais uma porção de preciosismo da tradução de nomes de frutas ou de pássaros, que inexistem no Brasil e não interessam na compreensão do texto – palavras que apenas retardam o entendimento. Não parece que o livro tivesse sido escrito para adolescentes do século XX (e possìvelmente também do início do século XXI).

Pior, porém, foi encontrar em sites da internet que o exemplar do livro (da mesma edição que eu li) está à venda por R$ 38,00!  Isso é um roubo. Ainda bem que a prática de escambo de livros, e das doações, tem se disseminado por todo o Brasil.

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(*) do tempo em que a adolescência um dia terminava, e não se arrastava pelo resto da vida adulta.

A grife dos livros caros

Já comentei mais de uma vez que não gosto de certa editora, chamada de companhia do eu sòzinho, que invariàvelmente cobra mais caro pelos seus livros do que outras.

Livros na rua

Um escritor e a editora

Pois nesta semana, estava eu circulando pelas prateleiras de uma livraria, e vi a coleção de livros de bolso que a tal grife tem.

Além de serem todos impressos em papel de qualidade MUITO INFERIOR ao das outras editoras que divulgam livros de bolso (a grife deve se intitular ecològicamente engajada, sem dúvida), a média dos preços também é mais elevada do que os títulos de outras empresas.

Perguntinha simples: Vocês não têm vergonha na cara?

Recomendo a todos que sempre que puderem boicotem os livros da Companhia dos Livros Caros.

Em tempo: por falar em livros na rua, também os envio pelo correio a amigos, que sei poderão apreciar aqueles cuja leitura concluí. Nos próximos dias, quatro amigos receberão um total de doze livros dos quais não mais necessitarei, agora que já os li. Dois outros foram ontem entregues a amigos, durante o almoço. Mais sete outros volumes serão em breve deixados em alguma parada de ônibus próxima a uma faculdade goianiense. É sempre bom diversificar o leque de possíveis leitores.

Amor, de novo

Amor, de novo (Love, Again – 1995), da nobelizada Doris Lessing (Coleção Grandes Escritores da Atualidade, Planeta DeAgostini, 2007) é mais um romance que abandonei.

Fui pulando páginas e páginas, até desistir.

Tinha personagens demais. E eu não tenho mais vontade de ser apresentado a muita gente. Os que eu conheci há cinco anos eu já não reconheço, então para que dezenas de pessoas fictícias que vão durar apenas umas páginas? A autora realmente exagerou. Mas isso, vejo, é uma características de algumas mulheres escritoras: excesso de personagens. Ficção não é um prato que elas saibam rechear. Falta humor, falta objetividade, falta trama, falta vida. Excedem nos detalhes inúteis e em comentários que estão mais para fofocas.

Eu até cheguei a pensar em fazer uma tabelinha com o quem era quem, mas desisti e achei melhor devolver o livro à prateleiras, de onde um dia desses sairá para algum lugar público, onde será recolhido por algum curioso.

El libro del fantasma

El libro del fantasma, de Alejandro Dolina (Editora Booket), foi um livro que comprei no Aeroporto de Ezeiza (pelo qual paguei 40 pesos), para ler durante um vôo Buenos Aires – São Paulo – Brasília.

São vários contos que vão se costurando ao longo do livro, encomendado por um fantasma que morreu sem ter escrito o livro que lhe fôra encomendado, mas que já havia gastado todo o dinheiro correspondente ao livro.

O fantasma se apresenta a um homem comum, que sofre do mal de amor, e a este o fantasma pede que escreva umas “duzentos páginas de qualquer coisa”, e em troca lhe concederá o amor da mulher desejada pelo tal homem comum.

Ao longo das páginas do livro, o narrador menciona a vida de várias personalidades: Miguel de Unamuno, Carlos Gardel, Platão, Oscar Wilde, Shakespeare, Miguelângelo, Marx, Leibiniz e o Conde de Saint Germain, junto com pessoas comuns do bairro bonaerense de Flores.

O livro não é nenhuma obra de arte, mas é interessante a forma como os capítulos acontecem e se relacionam, além de ser uma boa fonte de cultura inútil.

Terminado de ler o livro, enviei-o por correio a meu amigo Emerson.

Livros na rua

Embora eu comente há muito tempo sobre meu hábito de deixar livros nas ruas, algo que aprendi quando li o chaterrésimo livro Xadrez, Truco e Outras Guerras – Ira, de José Roberto Torero, da coleção Plenos Pecados, em 1998, e o deixei em um banco na sala de espera do aeroporto 2 de Julho, em Salvador, o Estadão publicou uma matéria sobre um projeto carioca de deixar livros na rua, “copiando um projeto dos Estados Unidos”.

O açougue cultural T-Bone, na Asa Norte, também deixa livros expostos no próprio local, ou em paradas de ônibus de Brasília, há bastante tempo. Mas, a idéia é dos gringos, lógico.

O que importa é que vocês adotem a idéia: terminou de ler um livro, repassem-no a outra pessoa, conhecida ou não. Se ele tiver “a cara de alguém” conhecido, dê a essa pessoa; se não, deixe-o em qualquer lugar, máquina de auto-atendimento bancário, parada de ônibus, poltrona de cinema, assento de ônibus, etc.. A menos que seja um livro de referência, ou de uma área de estudo particular do seu interesse, que lhe vai ser necessário no futuro. Literatura é para ser repassada aos outros, essa é a própria idéia de existir qualquer arte, não ficar enfurnada.

A cultura agradece, e as editoras que se emputeçam. Afinal de contas, quem manda cobrarem absurdos pelo produto, sobretudo uma certa “grife“.