contos de fadas

Histórias ou Contos de Outrora – Charles Perrault

Histórias ou Contos de Outrora – Charles Perrault, (Martin Claret, tradução Renata Cordeiro, ilustrações Rafael Nunes Cerveglieri, prefácio de Aurora Gebra Ruiz Álvarez, 2015, 126 p, R$ 39,00) contém

  • A Bela Adormecida no bosque
  • Chapèuzinho Vermelho
  • Barba Azul
  • O Mestre Gato ou o Gato de Botas
  • As Fadas
  • Cinderela ou o sapatinho de vidro
  • Riquete do topete
  • O Pequeno Polegar
  • Pele de Asno (adaptação em prosa dos versos de Perrault)
  • Os Desejos rídiculos. (em versos).

Como enunciado no prefácio, a tradução e a adaptação não se colocam como as versões de Walt Disney, que, ao contrário das histórias originais. não se preocuparam com a inserção das “moralidades” de cada conto, como apareciam na literatura do Renascimento.

Os contos não contêm detalhes escatológicos que surgem em algumas versões, sendo de modo básico uma forma de ensinar ao público infantil valores e comportamentos, e menos uma análise psicológica.

O livro tem capa dura, e cada conto é precedido de uma bem feita ilustração.
A tradução preocupa-se em mostrar jogos de palavras e dubiedades que constam do original francês.

O preço demonstra que uma boa edição não necessàriamente faz com que os preços tenham de ser estratosféricos, como costuma ocorrer com algumas editoras de letras caras.

 

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Falta de leitura

A cada instante encontramos pessoas que confundem alhos com bugalhos.

Ali Babá foi quem prendeu 40 ladrões dentro de uma caverna. Ele não era chefe da quadrilha.

Frankenstein foi o estudante de medicina que, no romance de Mary Shelley, criou um monstro em laboratório.
Quem diz que o monstro também se chamava Frank, como o doutor, é porque nunca se interessou em ler o livro; preferiu apenas as versões do cinema.

Ler faz bem, para elevar um pouco a cultura.
Melhor do que tantos jornalistas, comentaristas, e parasitas, que repetem frases palavras erradas, pois para eles apenas “livros científicos” (como sociologia ou história)  merecem ser lidos.
Que tal um mergulho nos tradicionais contos e romances?
Certamente refrescará as idéias (e os pré-conceitos).

Contos dos Irmãos Grimm

Contos dos Irmãos Grimm, Editora Rocco , 2005, 310 p., R$ 46,00, prefácio de Clarissa Pinkola Estés, ilustrações de Arthur Rackham.

Grimm, em alemão, significa ira.
Grim, em inglês, significa severo.
Grimace, em francês (e importado para o inglês), significa careta.
Os irmão Grimm (Jakob 1785-1863) e Wilhelm (1786-1859) levaram a sério o sobrenome.
Fizeram, entre 1812 e 1822, uma compilação de contos de fadas que mostraram uma série de princípios que demonstram o caráter das pessoas, em meio a mágicas e espertezas.

Lá estão, dentre os mais conhecidos, Chapèuzinho Vermelho, Branca de Neve, Gata Borralheira, Rapunzel, o Pequeno Polegar, Joãozinho e Mariazinha (Hansel e Gretel, ou seja Joãozinho e Margaridinha), em um total de 53 contos.

O livro não tem versões HollyooDisneyanas.
Cinderela (a gata borralheira) não tinha ratinhos, nem carruagem de abóbora, nem nada disso. Suas irmãs tiveram os olhos furados por pássaros, quando foram bisbilhotar o casamento com o príncipe.
A madrasta da Branca de Neve morreu obrigada pelo príncipe a dançar com sapatos de ferro aquecidos em brasa!
Rapunzel era uma adolescente mãe solteira, cujos pais a tinham trocado por comida com a vizinha bruxa que a criou .

Jakob e Wilhelm (como os antigos) nos contos, castigavam os maus, (como ocorri na vida real), algo que Walt Disney retirou das histórias.
Prêmios a quem demonstra dignidade no caráter, e castigo aos trapaceiros, e, sobretudo, aos invejosos.

Quanto à introdução da psicanalista junguiana Clarissa Pinkola Estés, deveria ter sido dividida em introdução e conclusão. Uma parte falando do que são contos, a forma como trabalharam Jakob e Wilhelm, e sobre o prazer da leitura e da narração para crianças [ver Como um romance]. Ao final do livro, caberia a análise do conteúdo, sem indispor prèviamente o leitor ao que poderá encontrar nos contos.

As històrinhas são violentas? As crianças podem se assustar?
Ainda bem! Hoje em dia boa parte das crianças urbanizadas perderam essa noção.
Criança faz as maiores barbaridades e surgem os defensores dos coitadinhos.
Criança mata e dá risada para o repórter na tv.
Adolescente faz planos para o namorado matar os pais dela, para receber a herança.
Fica tudo por isso mesmo? São seres puros e inocentes? Não têm hormônios conduzindo a cabeça e o comportamento?
Por sua vez, não há tantos pais que despejam bebês recém-nascidos em lixeiras, ou os vendem? Por que isso não pode ser contado em contos de fadas?
Foi exatamente o que os Irmãos Grimm fizeram.
Fizeram-no justamente para mostrar que pode haver algumas pessoas que, por pureza, esperteza ou trabalho, se dão melhor do que outras que querem apenas desfrutar as vantagens da beleza física ou o dinheiro fácil que veio sem trabalho. Clarissa Pinkola Estés deveria ter colocado essa parte da análise como uma conclusão.