comunicação visual

Uma história politicamente incorreta da bíblia

Uma história politicamente incorreta da bíblia, de Robert J. Hutchinson (Agir, 2012, 248 p., tradução de Fabíola Moura, R$ 21,00) é qualquer coisa, menos polìticamente incorreto.

Deplorável.

Apenas uma obra de um cristão fanático que quer derrubar teses de outros autores, que contestam as lendas que envolvem a mitologia judaico-cristã, religião majoritária e visionária.

Não vou comentar mais do que isso.

Afastem de mim esse livro! (que até tem uma boa apresentação visual interna… )

 

As religiões que o mundo esqueceu

As religiões que o mundo esqueceu – Como egípcios, gregos, celtas, astecas e outros povos cultuavam seus deuses (Editora Contexto, 2009, organização de Pedro Paulo Funari, 211 páginas, R$ 32,90), é um livro que aborda as história de religiões de povos desaparecidos ou que deixaram de praticar as religiões primitivas.

Os vários autores – Pedro Paulo Funari, Alexandre Navarro, Ana Donnaro, Betty Mindlin, Flavia Galli Tatsch e Johnny Langer, Júlio César Magalhães, Júlio Gralha, Leandro Karnal, Luiz Alexandre Rossi, Paulo Nogueira, Renata Soares Garraffone, Sérgio Alberto Feldman – dentro de um padrão único de “início, desenvolvimento, o mito da criação, a formação do clero e relação com o poder político, alteração na concepção doutrinária, decadência, perseguição e assimilação por outras religiões”.

Dessa forma, são abordadas as religiões dos antigos egípcios, sumérios, gregos, romanos, gnósticos, arianistas, persas, celtas, vikings, albigenses, maias, astecas, e dos índios brasileiros.

Alguns capítulos são francamente decepcionantes, enquanto que outros são bem enriquecedores em termos de conecimento. Menciono, por exemplo, o sobre os gregos, que não se prende ao período helênico, mas detalha muito mais o período inicial, titânico.

Triste lermos o capítulos dos albigenses, talvez o pior capítulo da igreja católica romana.

Asquerosa a descrição do mundo asteca. Perto deles, os hunos eram anjos de candura. Não foi à toa que outros povos indígenas se aliaram aos espanhóis para ajudar a destruir o império asteca.

Por fim, além da lombada do livro de baixo para cima, com tipo de letras que em nada ajuda a leitura, lamentável a decisão de colocar ilustrações de fundo nas páginas. Velhos, como eu, têm muita dificuldade para encontrar as letras nessas folhas que não têm uniformidade, ocupado com enfeites desnecessários. Um dia os diagramadores também ficarão velhos e terão dificuldades de leitura, e eu, defunto, já terei rido deles por antecipação.

Lombadas de livros

Já repararam como é desagradável em uma biblioteca, livraria, ou mesmo em casa, ter de ficar virando a cabeça de um lado para outro, para acertar a posição das letras das lombadas dos livros?

Certa vez entrei em um sebo, na Rua Teodoro Sampaio, perto do Hospital das Clínicas de São Paulo, onde alguém tinha tido a pachorra de colocar todos na mesma posição.

Não sei porque, mas os diagramadores, artistas gráficos, e outros profissionais da área, até hoje não perceberam como isso é incômodo para o público.

Um chefe que tive me explicou algo bem simples: se a lombada é escrita na vertical, de cima para baixo, o livro mantém a possibilidade de leitura quando ele está na horizontal, sobre qualquer superfície. Nessa  posição, a pessoa pode ver a primeira capa e ler a lombada.

Contudo, alguns “gênios” acreditam que a leitura de baixo para cima é mais fácil (como por exemplo aqueles “picolés” que foram instalados na Avenida Paulista, na década de 1970, por um arquiteto cujo nome obsceno não posso escrever aqui. Japoneses e chineses, por exemplo, escrevem na vertical – mas de cima para baixo.

Sei de povos que escrevem suas línguas da direita para a esquerda, mas nenhum que o faça de baixo para cima. Só os “artistas gráficos” e diagramadores que enviam clientes para as clínicas de ortopedia, para tratamento de torcicolos.

Uma real leitora

Em dezembro de 2008, li um livro pequeno e agradável, Uma real leitora, de Alan Bennett, Editora Record, 2008.

Fala de uma rainha Elisabete II que se torna leitora contumaz, a partir da descoberta de uma biblioteca ambulante que, às quartas-feiras, estaciona nos fundos do Palácio de Buckingham. Com mais e mais livros, as leituras de S.M. britânica começam a tornar-se um problema de estado, visto que ela deseja entabular conversas sobre literatura, autores e personagens com políticos ou súditos, nada afetos a esse novo interesse real, além de passar a perceber características nos funcionários, que até então lhe eram ocultas.

Interessante, sobretudo quando muita gente imagina que os livros serão substituídos pela internet e outros formatos de comunicação visual. O que duvido muito, pois inclusive a facilidade com que os modelos de equipamentos eletrônicos e os programas são descartados já torna por si um empecilho para que haja perpetuação das obras nos novos modelos. Ou alguém ainda tem e assiste VHS em casa? Você faz o back-up de seus arquivos de texto ou de imagens com a periodicidade que é requerida? Jogou fora quantos daqueles floppy discs? E dos pequenos disquetes? CDs gravados e trocados por pen-drives? Por outro lado, jogaria fora algum papiro, pergaminho, ou códice, caso possuísse algum?

Do livro, só faço restrição ao dispensável prefácio de Reinaldo Azevedo, e a uns erros de tradução imperdoáveis – como um certo A no lugar de HÁ, e um Tanna Touva que o tradutor teve preguiça de pesquisar para saber do que se tratava.