cartografia

A Carta Esférica

A Carta Esférica, de Arturo Pérez-Reverte (Planeta deAgostini, 2003, 530 p., R$ 16,90), trata de um grupo de pessoas na disputa por um tesouro de um navio de jesuítas, que, afundado no Mediterrâneo na metade do século XVIII, conteria esmeraldas em seu interior.

Os personagens principais são: um oficial da marinha mercante, suspenso por ter levado um navio ao encalhe; uma funcionária do museu naval espanhol, obcecada com o assunto do navio jesuíta; um empresário gibraltarino especializado em resgastes marítimos e caça a tesouros; um ex-suboficial argentino, com ligações à tortura na época  da ditadura militar em seu país; e o dono de um barco que participa da busca ao tesouro. “Gente fina”, acostumada a passar rasteiras nos outros.

O tema é banal, mas o livro é recheado de interessantes informações sobre navegação e sobre cartografia, como os equipamentos e métodos usados desde a Antigüidade para marcar a latitude e a longitude.

Os diálogos do livro em geral são entremeados de número excessivo de descrições, que tornam a linguagem um tanto rebuscada.

Um livro, nada mais, certamente não uma obra-prima.

O que a bíblia não nos contou

O que a bíblia não nos contou – a história secreta sobre as heresias da religião ocidental, organizado em 2006 por J. Douglas Kenyon (editora Pensamento, 2008, 368 p., R$ 40,90), é uma coleção de 40 artigos que versam sobre “teorias da conspiração” tão recorrentes.

Atlântida, Moisés e Akhenaton, Jesus e Maria Madalena, Templários, as guerras pela manutenção da independência da Escócia no século XIV, Cristóvão Colombo e outros navegadores dos séculos XV e XVI, franco-maçonaria, a formação dos Estados Unidos, vão se alternando ao longo dos textos, com insistentes apelos ao famoso “O Código da Vinci” e a filmes de Mel Gibson, o ator ultra-católico que beira a insanidade.

De leitura ágil, que prende a atenção dos leitores, infelizmente o livro não fornece elementos de convencimento sobre tantas teorias, que perfazem um amontoado de especulações que agradam místicos de todo o tipo.

Não podem deixar de ser registradas algumas incoerências ou erros, como assumir que Scots (descendentes de uma princesa egípcia Scota, contemporânea de Moisés, mas curiosamente casada com um príncipe grego!!) teriam formado a Escócia, e esquecer todos os celtas que denominavam a terra de Alba desde muito antes da chegada dos saxões.

Claro que há pontos interessantes, como os artigos em que mencionam portulanos e outros mapas antigos. Outro ponto é o questionamento sobre experiências de quase-morte, mal registradas e que não fazem parte das estatísticas mais comuns.

No conjunto, porém, o livro pouco contribui para algo além de sugestões new age, e para criticar o poder da igreja católica (enquanto que deixa de lado a influência de outras). Um livro dispensável.