artes gráficas

Virginia Woolf – Contos Completos

Virginia Woolf – Contos Completos é um livro com uma bonita edição gráfica, da Cosac Naify, de 2005 (reedição em 2007)  (468 p.), com tradução de Leonardo Fróes e notas de Susan Dick.

O livro é dividido em etapas cronológicas da vida de Virginia (1882-1941):   Primeiros Contos (1906/1909) ; 1917-1921; 1922-1925; 1926-1941, com um total de 46 contos.
Pode-se ser observada claramente a mudança de estilo da grande escritora ao longo desses 35 anos de trabalho.
Os primeiros são nìtidamente arrastados, de leitura que não se fixa, mas vão se alterando progressivamente.

Alguns contos são nìtidamente crônicas que foram adaptadas. Outros apresentam um sutil humor ou alguma malícia. Há os que são apenas “confissões de luluzinhas” preocupadas com os assuntos femininos de casamento, filhos e casa, ou então o a roupa e o penteado para um jantar.
A variedade de conteúdos inclui também ficção que se assemelha a lendas, ou outros que são retratos visuais descritos em palavras.

Sem dúvida o livro é de leitura obrigatória para quem quer conhecer um pouco mais da literatura em língua inglesa da primeira metade do século XX.
A leitura deste livro me fez desejar reler o conhecido Orlando, romance publicado em 1928, do qual tenho vívidas lembranças passados já 36 anos da primeira vez em que o livro me caiu aos olhos.

Sergio Y. Vai À América

Sergio Y. vai à América, de Alexandre Vidal Porto (2014, Companhia das Letras, 181 p., R$ 37,00) oferece uma leitura bem rápida.
Inclusive porque a própria formatação do livro inseriu muitas páginas apenas com o título dos capítulos, que se iniciam sempre em uma página ímpar – ou seja, há bem menos do que as 181 páginas. Além disso, alguns capítulos constituem-se de um único parágrafo. Evidentemente que se o livro tivesse um número menor de páginas, o preço de venda poderia ser mais baixo, mas não é essa a política da grife dos livros caros, como algumas vezes já comentei.
Como tantos outros livros, tem a característica da lombada que não permite leitura quando o livro é colocado em posição vertical. Por que essa moda entre os editores?

O livro trata a história de um psiquiatra paulistano que tem como um dos pacientes um rapaz de 17 anos, que um ano depois afirma já ter descoberto, na terapia, como deveria se comportar para superar a tristeza crônica que sentia. O jovem muda-se para Nova York, e o psiquiatra, mais tarde, casualmente encontra a mãe dele, que diz que o filho agradece muito por todo o trabalho feito pelo médico. Pouco depois, o médico sabe que o ex-paciente havia sido assassinado, aos 23 anos, em Nova York, e começa a buscar respostas para isso, deparando-se com dúvidas sobre sua própria atuação como profissional que antes não cogitava.

Quase toda a narrativa se desenvolve com o relato do médico sobre a própria terapia e por fatos que envolvem o psiquiatra e outras pessoas que tiveram contato com o ex-paciente, com um total de poucos personagens no livro. Não chega, portanto, a constituir um romance.

Deixando propositadamente algumas dúvidas sobre o trabalho do médico e a real personalidade do paciente, o livro pode ser fàcilmente “digerido” em ocasiões de mente relaxada e de ócio.
O autor desenvolveu um texto bem direto, sem expressões rebuscadas que queiram insinuar intelectualismo ou o uso de expressões da moda. É verdade que a descrição e as razões do assassinato não são muito convincentes. A se lamentar sèriamente foi apenas a escolha da editora.

As religiões que o mundo esqueceu

As religiões que o mundo esqueceu – Como egípcios, gregos, celtas, astecas e outros povos cultuavam seus deuses (Editora Contexto, 2009, organização de Pedro Paulo Funari, 211 páginas, R$ 32,90), é um livro que aborda as história de religiões de povos desaparecidos ou que deixaram de praticar as religiões primitivas.

Os vários autores – Pedro Paulo Funari, Alexandre Navarro, Ana Donnaro, Betty Mindlin, Flavia Galli Tatsch e Johnny Langer, Júlio César Magalhães, Júlio Gralha, Leandro Karnal, Luiz Alexandre Rossi, Paulo Nogueira, Renata Soares Garraffone, Sérgio Alberto Feldman – dentro de um padrão único de “início, desenvolvimento, o mito da criação, a formação do clero e relação com o poder político, alteração na concepção doutrinária, decadência, perseguição e assimilação por outras religiões”.

Dessa forma, são abordadas as religiões dos antigos egípcios, sumérios, gregos, romanos, gnósticos, arianistas, persas, celtas, vikings, albigenses, maias, astecas, e dos índios brasileiros.

Alguns capítulos são francamente decepcionantes, enquanto que outros são bem enriquecedores em termos de conecimento. Menciono, por exemplo, o sobre os gregos, que não se prende ao período helênico, mas detalha muito mais o período inicial, titânico.

Triste lermos o capítulos dos albigenses, talvez o pior capítulo da igreja católica romana.

Asquerosa a descrição do mundo asteca. Perto deles, os hunos eram anjos de candura. Não foi à toa que outros povos indígenas se aliaram aos espanhóis para ajudar a destruir o império asteca.

Por fim, além da lombada do livro de baixo para cima, com tipo de letras que em nada ajuda a leitura, lamentável a decisão de colocar ilustrações de fundo nas páginas. Velhos, como eu, têm muita dificuldade para encontrar as letras nessas folhas que não têm uniformidade, ocupado com enfeites desnecessários. Um dia os diagramadores também ficarão velhos e terão dificuldades de leitura, e eu, defunto, já terei rido deles por antecipação.

Lombadas de livros

Já repararam como é desagradável em uma biblioteca, livraria, ou mesmo em casa, ter de ficar virando a cabeça de um lado para outro, para acertar a posição das letras das lombadas dos livros?

Certa vez entrei em um sebo, na Rua Teodoro Sampaio, perto do Hospital das Clínicas de São Paulo, onde alguém tinha tido a pachorra de colocar todos na mesma posição.

Não sei porque, mas os diagramadores, artistas gráficos, e outros profissionais da área, até hoje não perceberam como isso é incômodo para o público.

Um chefe que tive me explicou algo bem simples: se a lombada é escrita na vertical, de cima para baixo, o livro mantém a possibilidade de leitura quando ele está na horizontal, sobre qualquer superfície. Nessa  posição, a pessoa pode ver a primeira capa e ler a lombada.

Contudo, alguns “gênios” acreditam que a leitura de baixo para cima é mais fácil (como por exemplo aqueles “picolés” que foram instalados na Avenida Paulista, na década de 1970, por um arquiteto cujo nome obsceno não posso escrever aqui. Japoneses e chineses, por exemplo, escrevem na vertical – mas de cima para baixo.

Sei de povos que escrevem suas línguas da direita para a esquerda, mas nenhum que o faça de baixo para cima. Só os “artistas gráficos” e diagramadores que enviam clientes para as clínicas de ortopedia, para tratamento de torcicolos.