Argentina

Guerra do Paraguai

O jesuíta argentino (o famoso 333 – meio besta) mais uma vez abriu a boca para dizer besteira.

Agora veio com o discurso esquerdopata de que o Paraguai é um coitadinho, por culpa dos gananciosos vizinhos que saquearam o país na segunda metade do século XIX.

http://www1.folha.uol.com.br/mundo/2015/07/1654559-em-missa-papa-diz-que-guerra-do-paraguai-foi-injusta.shtml

Pois eu digo que CHEGA DESSE DISCURSO PESTILENTO, que foi tão difundido por autores como Júlio Chiavenato (que não é historiador), interessados em falar mal dos governos militares (mas que comprava a propaganda de um ditador chamado Stroessner, que inventou o mito do bom ditador Solano López).
E para quem fugiu das aulas de História do Brasil na escola primária, é bom lembrar que houve antes uma Questão Christie, que provocou o rompimento de relações diplomáticas entre Brasil e Inglaterra, e, portanto, a tese de que o imperialismo inglês estava por trás da Guerra não se sustenta.

Por favor, Imbroglio, Tramboglio, sei lá como é o nome desse cardeal, procure ler o livro Maldita Guerra, de Francisco Doratioto, e pare de abrir a boca sobre assuntos que não são de sua competência. Vá estudar teologia com o Alemão, o papa verdadeiro! Não teologia da escravidão esquerdopata, mas a católica.

um link:

http://www.estadao.com.br/noticias/geral,a-guerra-do-paraguai-sob-nova-visao,489869

Ah, em tempo: não há mais documentos secretos sobre a Guerra, escondidos no Rio de Janeiro, como volta e meia alguns jornalistas de meia pataca gostam de repetir.

Outra coisinha: não temos essa coisa de dívida cármica com os paraguaios, como se diz na Tríplice Fronteira. A quem interessa essa aberração? Nem precisa responder…

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As Armas Secretas

Há um tempo comprei “As Armas Secretas”, de Julio Cortázar (Civilização Brasileira, 2012, 197 p., tradução e posfácio de Eric Nepomuceno), e na hora de guardá-lo descobri que havia um outro exemplar do mesmo livro que mofava na estante, comprado no Chile na década de 1980 – “Las Armas Secretas”, Editorial Nueva Imagen, México, 1984, 178 p.). Houve 35 anos de atraso para que o livro fosse editado no Brasil!

Nestes dias, fui ler e comparar os dois textos.
Li um conto em português, e o reli em espanhol.
Depois inverti: li o segundo conto em espanhol, e o reli em português.
O curioso resultado foi que li mais depressa quando em espanhol (apesar dos ácaros), sem contar que, apesar de a tradução ser correta, o original tinha muito mais “cheiro” de “contázar”  – (contázar = contos de Cortázar).

Tenho posição diferente da que o tradutor incluiu no posfácio sobre cada conto que constitui o livro, todos eles tendo Paris como cenário.
¶“Cartas de mamãe” tem o jeito de literatura fantástica, que os latino-americanos fizeram famosa há meio século.
¶“Os bons serviços” não necessita da impossível advertência à personagem principal, como sugere Eric Nepomuceno. A história mostra os diferentes enfoques sobre um mesmo fato, do ponto de vista de uma pessoa simples, e das tramas de pessoas do mundo dos negócios e manipuladoras.
¶“As babas do diabo” foi o conto que serviu de base para o filme Blow-Up, de Michelangelo Antonioni. Tal como o filme, a interpretação depende de cada leitor / de cada espectador.
¶“O perseguidor”, apontado por Nepomuceno como um divisor de águas, obra-prima, irretocável, escrito em memória de Charles Parker, pareceu-me apenas uma coisa: CHATO e longo demais. Talvez porque eu não tenha qualquer tipo de “culto” ao jazz, e por não me interessar por artistas viciados, seja em drogas, em conhaque ou em cigarro. Por mim, poderia ter se estendido por mil outras páginas e formar um livro à parte, fora dos contos que beiram o fantástico. Não faço parte dos “intelectuais” que fazem reverências a ídolos, apenas digo o que sinto ao ler um livro. “O perseguidor” não se aproxima dos outros contos do livro; ao contrário: destoa.
¶“As armas secretas”, por fim, gira ao redor de traumas não ditos e memórias mal formuladas de um casal de namorados, até que no final emerge uma explicação natural para o que ambos já tinham vivido e vivenciado, durante a II Guerra Mundial.

Contos Latino-Americanos Eternos

Reli nesta semana Contos Latino-Americanos Eternos, com organização de Alicia Ramal (Bom Texto, 302 p., 2005), que contém textos, todos na versão de tradução para o português, dos seguintes vinte e dois autores, que organizo por países:

  • Argentina – Adolfo Bloy Casares – Em Memória de Paulina (1948)
    • Jorge Luís Borges – O Aleph (1949)
    • Julio Cortázar – Casa Tomada (1951)
    • Leopoldo Lugones – Yzur (1926)
    • Roberto Artl – O Concurdinha (1933)
  • Brasil – Machado de Assis – Missa do Galo (1899)
    • Mário de Andrade – O Peru de Natal (1942)
    • Rubem Fonseca – Feliz Ano Novo (1975)
  • Chile – José Donoso – Uma Senhora (1970)
  • Colômbia – Gabriel García Márquez – Olhos de Cão Azul (1947)
  • Cuba – Alejo Carpentier – Viagem à Semente (1944)
  • Guatemala – Miguel Ángel Asturias – Lenda da Tatuana (1930)
  • México – Carlos Fuentes – Chac Mool (1954)
    • Juan Rulfo – Macário (1953)
    • Octavio Paz – Minha Vida com a Onda (1949)
  • Nicarágua – Rubén Darío – O Rei Burguês (1888)
  • Paraguai – Augusto Roa Bastos – O Trovão entre as Folhas (1953)
  • Peru – César Vallejo – Paco Yunque (1931)
    • Mario Vargas Llosa – Dia de Domingo (1959)
  • Uruguai – Horacio Quiroga – A Almofada de Penas (1917)
    • Juan Carlos Onetti – O Inferno Tão Temido (1967)
    • Mario Benedetti – À Imagem e Semelhança (1968)

Agora tenho de blasfemar contra a tão  decantada e prestigiada literatura “latino-americana”.
De início, tenho de dizer que a Professora Ramal pegou o trilho errado e parece preferir um insignificante eterno, como aparece no título da coletânea.
Fora que a seleção, tão “cuidadosa” incorporou alguns textos que até eu, que sou francamente contrário à hipocrisia do polìticamente correto, fiquei revoltado e chocado com a obscena quantidade de preconceitos e difamações contra grupos generalizantes de pessoas, em alguns dos contos. Coisas da época, eu sei, e não vou pedir que os contos sejam re-escritos, para ficarem “ao sabor” dos emburrecidos leitores de 2014.

Faltaram no livro umas tantas muitas notas de rodapé, para que todos possam entender as expressões em guarani que recheiam O Trovão entre as Folhas. Eu tenho dicionário guarani-português, mas acredito que a imensa maioria dos brasileiros não tenham compreendido o significado das palavras nessa outra língua.
No entanto, em outros contos que incluem menção a personagens ou elementos do folclore local, existem notas de rodapé.

Sabem a conclusão a que chego?
Não existe literatura latindo-americana.
Existe um coitadismo chato, implantado no meio do aristocratismo “criollo”, e mais nada.
Os melhores são os brasileiros, os cisplatinos e, às vezes, mexicanos e argentinos.
De resto, só blablablá para agradar a socialistas de meia-tijela daquela europazinha pirenaica decadente e enfumaçada de tabacarias e conchavos, que costuma premiar os semelhantes.
Sempre a mesma coisa:
os oprimidos, o medo (ai, aquele medo de que os “outros” invadam meu terreno! – não raras vezes “os outros” somos nós, brasileiros), aquele romantismo água com açúcar, o sobrenatural barato que chamam de “fantástico”, e coisas do tipo.
No caso do Brasil, sempre transparece aquela ponta de mau-caratismo típica dos brasileiros, ricos ou pobres, brancos, pretos ou índios, urbanos ou caipiras.
No caso dos hispano-falantes, aquela lamentação, aquele complexo de perdidos no meio do caminho. Los olvidados
O pior é que há uma considerável parcela de brasileiros que compra a idéia de que somos “semelhantes”.
Hermanos, nós?
Jamais!
Nossos irmão são os lusitanos, os cabo-verdianos, os angolanos, os moçambicanos, os são-tomenses. Com esses sei, comprovei, que temos afinidades, inclusive afetivas, embora nem sempre coincidamos na forma de exprimir idéias.
Os outros são hermanos entre si, hijos de la misma p. madre patria, como eles mesmos dizem.
Não me incluam nessa!
Uma coisa muita boa na seleção de contos da Professora Ramal feita pela Bom Texto Editora: amo livros de capa dura. Deveriam ser mais freqüentes. Há muitos livros muito caros e com péssimo acabamento. Não é a capa que eleva seus preços.

Divertimento

Divertimento, de Julio Cortázar (Editorial Sudamericana, 1986, 126 p.), foi escrito em 1949, mas publicado apenas em 1986, dois anos após a morte do escritor.

Narra o envolvimento de alguns amigos com sessões de espiritismo, que influenciam um deles, pintor. Tentam decifrar o que há por trás da influência do médium sobre o quadro que está sendo pintado, e as palavras acusatórias do espírito que é incorporado nas sessões contra uma das mulheres que faz parte do grupo.

No final, o livro se encerra sem explicações convincentes e, pior, com um ato de crueldade inteiramente dispensável.

Se o autor preferiu nunca ter publicado o livro em vida, tinha alguma razão para isso.

Sobre Heróis e Tumbas

Há mais de duas semanas comecei a ler Sobre Heróis e Tumbas, de Ernesto Sabato (Planeta DeAgostini, 2003, 623 p., R$ 16,90) , e até agora só consegui chegar à página 188 (30% do total). Tem parecido uma carroça atolada.

O livro fala da paixão entre os adolescentes Martín e Alejandra. A cada capítulo, mais e mais enrolação de conversas intermináveis, de falatório. A longa caracterização dos jovens é dispensável e aborrecida, sem contribuir com algo mais concludente. Não se chega a lugar algum.

No entanto, o livro foi classificado como um dos cem melhores romances do século XX em língua espanhola.

Prefiro, muito muito muito mais, El túnel, realmente uma obra de primeira categoria, do mesmo autor.

Se um dia eu for um velho aposentado, com tempo sobrando, talvez eu retome a leitura desses  heróis, enquanto relembrar o passado, como vô Pancho e outros personagens secundários.

Certamente há outros livros em minhas estantes que me ensinarão muito mais. Por essa razão, por enquanto, vou deixar para os críticos que adulam tudo o que se faz em espanhol, como o máximo da literatura do século XX, que aproveitem suas tumbas.

Queremos tanto a Glenda

Queremos tanto a Glenda, de Julio Cortázar (Editorial Nueva Imagen, 1984, 166 p.), é uma coletânea de contos do escritor argentino. Contém:

  • Orientación a los gatos
  • Queremos tanto a Glenda
  • Historia con migalas
  • Texto en una libreta
  • Recortes de prensa
  • Tango de vuelta
  • Clone
  • Grafitti
  • Historias que me cuento
  • Anillo de Moebius.

Os contos tratam tanto de gatos caminhando no meio de quadros expostos, quanto de pessoas desaparecidas durante a ditadura militar na Argentina, na década de 1970.

A maioria dos contos são escritos exclusivamente na primeira pessoa, sem diálogos. As cenas desenrolam-se pela descrição do autor. Clone é o que mais contém diálogos e, para meu gosto, foi o mais aborrecido dos textos que compõem o livro. Texto en una libreta, por sua vez, que fala de imaginárias pessoas que viveriam nos túneis e trens do metrô de Buenos Aires, fruto de informações estatísticas que induziam às visões do narrador, foi o que mais me agradou.

Júlio Cortázar foi, sem dúvida, um escritor da maior importância na literatura hispano-americana do século XX, e seus textos podem ser lidos sem dificuldades e não devem ser considerados superados pelo tempo.

Sangre de amor correspondido

Sangre de Amor Correspondido, de Manuel Puig (Seix Barral, 1982, 208 p.), foi escrito enquanto o autor de O Beijo da Mulher Aranha vivia no Rio de Janeiro.

Lembranças que se sucedem e se misturam, na vida de um jovem, da adolescência ao início da idade adulta, em uma vilazinha do Estado do Rio, em um subúrbio da cidade do Rio, e no interior de São Paulo, enquanto passa de estudante a pedreiro, eletricista e encanador.

Suas relações com namoradas e amantes, e o peso da relação com pai e mãe.

Um livro que poderia ser mais criativo. Seria também muito mais curto, se não abusasse de palavrões e de expressões como “verdad?” e “está claro?”, que, muitas vezes, tornam a leitura tediosa. O autor ficou devendo algo de mais qualidade.