consumidor

Vamos emburrecer a nação brasileira!

Uma figura, que não sei como qualificar, decidiu que uzalunu naum teim qi studá palavra defíssis nus dissionaru.

É, a senhora Patrícia Secco vai reescrever clássicos da literatura brasileira, para torná-los acessíveis a todos os burros e, sobretudo, aos preguiçosos que não sabem consultar dicionário (em papel ou na internet). Como aparece na matéria da Folha de São Paulo, “sagacidade” virou “esperteza”, por exemplo.
Não, minha senhora, não é ischpérto emburrecer a população!

Como talvez não tenha se interessado em estudar outras línguas, dona Patricinha nunca observou que, em outros países, livros de escritores considerados clássicos, editados para estudantes, são publicados com notas de rodapé que dão o significado de palavras menos usuais, e com explicações sobre fatos e/ou personagens menos conhecidos desse público a que se dirige esse tipo de trabalho didático.

A tal “escritora” não sabe que cultura adquire-se com experiência, com leitura, com visitas a centros de estudo. Ou será que é nas ruas, em festas funks? Nem sei mais, confundi-me.

Nada como a inversão de valores para chegar aos resultados desejados por certos grupos:

VAMOS EMBURRECER A NAÇÃO BRASILEIRA!

VAMOS NIVELAR TUDO POR BAIXO!

Sem essa, não vai dar certo.

Se já perdemos o bonde da história com relação a outros países que, em 1960, eram mais atrasados do que nós, como Coréia do Sul, Índia, e outros mais, que investiram em educação, daqui a 20 anos teremos sido convertidos, com projetos como o dessa inqualificável, em algo no nível do Tchad ou do Haiti. Esse projeto político pode interessar a alguns grupos.

O Mar de Monstros

Mais um livro da série para adolescentes Percy Jackson e Os OlimpianosO Mar de Monstros, de Rick Riordan (Editora Intrínseca, 2013, 286 p., R$ 29,90).

O filho de Poseidon e seus amigos sai em busca do Velocino de Ouro (na mitologia grega original levado ao rei Pélias por Jasão e os argonautas), que estava agora no Mar de Monstros, atualmente transladado para o Triângulo das Bermudas, pois o Olimpo, que no primeiro livro da série descobrimos ter se mudado para o Empire State Building, e tudo o que se refere à antiga mitologia grega tem de ser deslocado para o “novo centro da civilização”, ou seja, para os Estados Unidos.

Há em todo o livro excesso de aventuras e de riscos. Cada capítulo é farto em mais e mais personagens, com caras de poucos amigos que, provocam todo tipo de lutas entre os semi-deuses e os monstros que atuam pelo restabelecimento do titã Cronos.

Ao final do livro, uma prévia de um capítulo do próximo volume da série.

Rick Riordan está agora mais preocupado em ganhar dinheiro do que em escrever sobre a mitologia grega. Pior para a literatura juvenil, melhor para os produtores de cinema e melhor para livrarias que vendem enxurradas de livros sobre bruxos, vampiros ou semi-deuses.

biografias

Nessa polêmica sobre “autorização prévia” para se escrever biografias no Brasil, tenho algumas certezas.

Para que quero ler a biografia de Caetano Veloso? Chico Buarque? Roberto Carlos? Quando estou com rádio ligado, não são poucas as vezes em que troco de estação no mesmo instante em que suas vozes desafinadas começam a invadir meus ouvidos. Bons letristas, em alguns casos, mas muito melhor se interpretados por cantores de verdade. Por outro lado, músicos na maioria das vezes medíocres, repetitivos, chatos mesmos. Cantores? Não.

Para que me interessa a biografia de “defuntos frescos”, cujos livros foram escritos por oportunismo de gente que queria faturar grana com celebridades? Aírton Sena, Michael Jackson, Steven Jobs, Lady Di, e sei lá quantos outros que já tinham recebido muito dinheiro em vida, e que continuam a dar lucros para outros depois de mortos. Essas biografias são tão oportunistas quanto projetos do poder legislativo para dar nomes de ruas ou de aeroportos a um ou a outro defunto do momento.

O que ganho com a biografia de “defuntos estrelas”, como Marilyn Monroe, Elvis, Kurt Cobain, e sei lá quantos artistas famosos, que quase nada deixaram de contribuição para a sociedade e para seu avanço?

As vidas dessas pessoas todas são objeto de tudo quanto é “caderno de cultura e fofocas” dos jornais mais variados do país. Nada contribuem para a qualificação do pensamento da população – chavões superados há décadas, e mais do que isso totalmente incoerentes com a vidona grande burguesa que vivem. Esquerda caviar do pior tipo.

Eles e todos os outros que fazem essa campanha contra as biografias não autorizadas pelos biografados.

Dá para acreditar nas biografias escritas para enaltecer políticos? Todos têm o ranço da ideologia do autor babando perante o ídolo. Isso não é história, é perpetuação da lenda. Getúlio, Che Guevara, Marighella, JK, e outros tantos.

Por sua vez, há “biógrafos” que são mais chatos do que os biografados.
Uma vez ganhei o livro “Garrincha”, e quem mo deu disse: li e não gostei.
Não terminei de ler e dei-o, também. Quem o recebeu tampouco gostou do livro.
Três “não gostei”.
A vida de Mané era bem menos interessante do que o jogador em campo.
A biografia dessas pessoas pouco ou nada contribui para alguma coisa em nossas vidas. Igualzinho à falsa história de um ex-presidente, que foi retratada em um filme. Aproveita-se algo da óbvia propaganda política?

Lógico que os “biógrafos” reclamam, pois perdem o filão de ouro de seus aborrecidos livros oferecidos a curiosos que não gostam de se aprofundar, mas apenas conhecer algumas pinceladas daqui e uns retoques dali.

Desde que Fernando Sabino escreveu a biografia daquela economista que em um passe de mágica fez desaparecer o dinheiro de todos os brasileiros, nunca mais quis ler nada que ele tenha escrito. Desde então FS faz parte de minha lista de não-escritores.

Se há pessoas com tantos desejos de escrever biografias, melhor – mais útil, mais elucidativo, mais difícil, também – que abordem a vida de pessoas mortas há mais de um século, cuja verdadeira história confundiu-se com lendas e com fatos mal contados ou não explorados. Pedro II, Lincoln, Marx, Michelangelo, Voltaire.
Nisso, biografias escritas por autores de História são incomparàvelmente melhores.

Que tal deixarmos os corpos apodrecerem por uns cinqüenta anos, para depois se fazer uma avaliação, de cabeça fria, sobre a importância ou não de registrar a vida dessas pessoas na História e na Literatura, com letras maiúsculas.

Que tal deixarmos empoeirados nas livrarias essa sub-literatura que insistem em nos empurrar, chamada “biografia”. O tempo é o senhor da razão. O tempo serve para  avaliarmos quem merece que suas vidas sejam de nós conhecidas.

Apenas este comentário: leio sim biografias, não livros de fofocas ou panfletos.

Férias Secretas

Férias secretas, da belga Maud Frère, foi escrito em 1956. Li sua 2a. edição da tradução brasileira (Edgar Magalhães), feita pela saudosa Editôra Brasiliense em 1962, dentro da coleção “Jovens do Mundo Todo”.

Livro para adolescentes (*), narra em primeira pessoa a história de um garoto francês que, driblando os planos da família, viaja escondido para passar férias na antiga fazenda do avô, que havia sido vendida após sua morte.

O livro até consegue prender a atenção de leitores de qualquer idade. A tradução, contudo, foi feita para contrariar o vocabulário de qualquer adolescente, mesmo em 1962 (ou em 1956). Isso certamente prejudica o livro, pois não consegue manter empatia entre o narrador e o leitor.

Alguma criança ou jovem diria, hoje ou há 60 anos: “anelávamos ser como ele”? Ou usaria a forma “mouta”, para dizer “fique na moita”, ao pedir o silêncio de um colega? Isso e mais uma porção de preciosismo da tradução de nomes de frutas ou de pássaros, que inexistem no Brasil e não interessam na compreensão do texto – palavras que apenas retardam o entendimento. Não parece que o livro tivesse sido escrito para adolescentes do século XX (e possìvelmente também do início do século XXI).

Pior, porém, foi encontrar em sites da internet que o exemplar do livro (da mesma edição que eu li) está à venda por R$ 38,00!  Isso é um roubo. Ainda bem que a prática de escambo de livros, e das doações, tem se disseminado por todo o Brasil.

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(*) do tempo em que a adolescência um dia terminava, e não se arrastava pelo resto da vida adulta.

A volta para casa

Quando vi pela primeira vez em uma livraria A volta para casa, de Bernhard Schlink (Editora Record, 2009, 368 p.) seu preço era mais de R$ 40,00. Não o comprei naquela ocasião, mas esta semana eu o encontrei por R$ 9,90, na pilha de encalhes de uma loja. Certamente os editores e livreiros tinham pensado que, por ser do mesmo autor de O Leitor, podiam cobrar quanto quisessem. Vemos que não foi bem assim.

A volta para casa é um romance que narra a vida de um menino alemão, Peter, que passa férias com os avós suíços, revisores de editoras, e descobre trechos da história de um soldado que, durante a Segunda Guerra Mundial foge da Sibéria e retorna à Alemanha. Anos depois, percebe que a história poderia se referir a algum fato real, embora houvesse muitas contradições entre a narrativa e a realidade. Ao longo de muitos anos, por acaso ou propositalmente, o personagem principal vai montando as peças do quebra-cabeças que formam a verdadeira história do soldado narrado naquele texto, incompleto, que ele havia lido quando criança.

Misturando as aventuras do soldado com A Odisséia, Peter percebe que aquele soldado, na verdade, tratava-se de seu próprio pai, tido como morto em combate. Descobre-o como professor de filosofia do direito, em uma universidade dos Estados Unidos, e dá-se conta de quanto o autor daquele texto lido na infância era um mentiroso manipulador, que não devia receber mais sua atenção, e retorna à vida corriqueira na Alemanha, recém-reunificada.

O livro prende a atenção do leitor, na busca dos elos que permitirão montar todo o quadro da vida do soldado, enquanto avança a vida do próprio Peter. Não é uma obra indispensável, mas é curiosa. Aborda a evolução da Alemanha desde a derrota na Guerra, passando pela divisão em dois países e chegando à reunificação, e trata, com muita atenção, as dificuldades de relacionamentos de diferentes gerações e de casais.

Por outro lado, certamente era mais um assalto ao consumidor o preço anteriormente cobrado, pelo qual tive a sorte de não chegar a pagar.

A grife dos livros caros

Já comentei mais de uma vez que não gosto de certa editora, chamada de companhia do eu sòzinho, que invariàvelmente cobra mais caro pelos seus livros do que outras.

Livros na rua

Um escritor e a editora

Pois nesta semana, estava eu circulando pelas prateleiras de uma livraria, e vi a coleção de livros de bolso que a tal grife tem.

Além de serem todos impressos em papel de qualidade MUITO INFERIOR ao das outras editoras que divulgam livros de bolso (a grife deve se intitular ecològicamente engajada, sem dúvida), a média dos preços também é mais elevada do que os títulos de outras empresas.

Perguntinha simples: Vocês não têm vergonha na cara?

Recomendo a todos que sempre que puderem boicotem os livros da Companhia dos Livros Caros.

Em tempo: por falar em livros na rua, também os envio pelo correio a amigos, que sei poderão apreciar aqueles cuja leitura concluí. Nos próximos dias, quatro amigos receberão um total de doze livros dos quais não mais necessitarei, agora que já os li. Dois outros foram ontem entregues a amigos, durante o almoço. Mais sete outros volumes serão em breve deixados em alguma parada de ônibus próxima a uma faculdade goianiense. É sempre bom diversificar o leque de possíveis leitores.

A Cidade do Século XIX

Senhores da Editora Perspectiva,

NUNCA li um livro tão MAL TRADUZIDO como esse A Cidade do Século XIX, de Guido Zucconi, 2009, ISBN 978-85-273-0867-0,

destruído na tradução para o português pela senhora Marisa Barda.

PÉSSIMO

Vocês não têm revisores? Ou fazem tradução apenas pelas máquinas da internet?

Monaco da Baviera em português se diz simples e lindamente MUNIQUE,

vocês não sabiam?

Exército de Salvação é uma instituição, tal como essas pestilentas WWF e Greenpeace de hoje.

Letras maiúsculas também para ela.

Grenz, em alemão, significa fronteira. Grenzenland é a região de fronteira.

Slesia em italiano é SILÉSIA em português.

Lipsi não é nada, em nenhuma língua, pois em italiano se diz Lipsia; no Brasil se utiliza simplesmente LEIPZIG, como no original alemão.

Magonça, invenção da autora vinda do italiano Magonza, em português lusitano é Mogúncia, ou no Brasil se utiliza o original alemão MAINZ.

Spalato é italiano; em português se utiliza a forma croata de SPLIT.

Ausburgo e asbúrgico são coisas de italiano. Habsburgo é como se usa em português, originado do alemão Habsburg.

Além disso, não houve império Habsburgo na Prússia, mas sim na Áustria. Faltou uma virgula, como há logo em seguida.

Cárpatos é o topônimo. Carpático é o adjetivo.

Algéria em português é Argélia, e seus adjetivos variam de forma correspondente.

Os Champs Elysées em português já foram devidamente traduzidos por Campos Elíseos, e estão plenamente incorporados ao entendimento coletivo.

Todos no Brasil conhecem a Bastilha.

Praça da Concorde, que ridículo! Em outro página aparece Place de la Concorde. Preguiça da tradutora.

Tâmisa leva acento – sempre, não às vezes.

Vale o mesmo para Vêneto, Catânia, Morávia.

Se é para escrever na forma francesa: Ancien Régime, sempre com acento, não às vezes. Aliás, entre outras páginas se preferiu traduzir para antigo regime, algumas vezes com letras maiúsculas e outras com letras minúsculas. Por que?

Lycée se escreve com Y, não com I.

Havia em Paris a École des Ponts et Chaussées, com S, plural.

A cidade australiana é Sydney, e não sidney.

Manhattan tem N final, não -m.

O que é Mássico central? O Maciço Central de outra página?

EBREO nao é apenas hebraico, mas também judeu, e no caso do livro, IÍDICHE.

Jônico, e não iônico, como em italiano. Ou a tradutora se referia a íons?

Heptaneso, com H, porque as palavras referentes a SETE em grego tem H em português (e em praticamente todas as outras línguas, exceto italiano – em grego levam um acento no início da palavra).

(O livro foi traduzido para público brasileiro, ou apenas para arquitetos ítalo-paulistas?)

Docks e Wharfs têm palavras em português. A tradutora poderia procurá-las, em lugar de manter o original inglês, nesses casos.

Puzzle, em português, é quebra-cabeças, se a tradutora ainda não sabe.

Standard é padrão.

Para se traduzir é muito conveniente algum conhecimento de história, de geografia, e de comparações de diferentes línguas, algo que certamente a arquiteta Marisa Barda esqueceu.

Saber italiano para entender uma obra não significa que se sabe português para traduzir um livro.

Se Hobsbawn escreveu “A Era do Capital“, então Victor Hugo poderia ter escrito “Os Miseráveis“, e Charles Dickens “Tempos Difíceis“. Por que traduz uns títulos e outros não?

Que falta de critério!

Estes são alguns dos muitíssimos exemplos de falhas que o livro contém.

Sinto-me inteiramente enganado. Gastei dinheiro com algo que não teve qualquer cuidado na produção.

Pensem nisso no futuro.

E eu estarei mais atento em comprar outras obras da Perspectiva, pois pude ver que QUALIDADE é algo com que a editora não se preocupa nas obras.

Preguiça foi o estímulo utilizado pela tradutora desse livro publicado pela Editora.

Ganância foi a prática da Editora na sua publicação.

                                                                             Em tempo: o presente texto foi encaminhado, por correio eletrônico, à Editora Perspectiva e à Câmara Brasileira do Livro. A primeira não respondeu, e da segunda recebi o aviso automático de que a mensagem excedia o tamanho permitido (por eles mesmos) para a entrega do texto.