Homens imprudentemente poéticos

Homens imprudentemente poéticos é o último lançamento de Valter Hugo Mãe (outubro de 2016 – Biblioteca Azul da Editora Globo, 190 p., R$ 44,00, ).

Um livro que descrevo como pesado igual a sopa de chumbo derretido no café da manhã, ou como um edredon (kakebuton; futon, em japonês) fabricado de tijolos de cromo (o mineral).
Dois japoneses vizinhos em um lugar pavoroso, ao lado da Floresta do Suicidas.
Um é pobre e faz leques de bambu, e o outro é miserável, faz tigelas e as pinta.
Um cuida de uma irmã cega, e o outro teve a mulher morta por um urso que invadiu a aldeia, e cultua o quimono da falecida.
Enquanto isso, um vizinho discretamente odeia o outro.

MAS o livro é poesia pura!
Você vai deslizando as páginas como se fossem os relatos mais doces do mundo.

O texto, porém, segundo a forma saramaguiana da escrita de Válter Mãe, sem pontos de interrogação, sem travessões, e com uma infinidade de frases muito curtas, pelo não uso de conjunções, – linguagem poética à parte no meio do texto em prosa – torna-se muitas vezes entediante, sobretudo na metade do livro.

Ressalto, porém, que a leitura deste livro é recomendável. Uma verdadeira obra de arte, como os leques de Itaro e os jardins cultivados por Saburo.

 

 

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