Um rio chamado tempo, uma casa chamada terra

livro009Um rio chamado tempo, uma casa chamada terra é um interessante romance de Mia Couto (Companhia das Letras, 2009, 262 p., R$ 26,00).
Narra a história de Mariano, jovem que mora na cidade e é chamado para o funeral do avô Dito Mariano, na pequena aldeia de Ilha-do-Chão, à margem do Rio Madzimi. Ali ele reencontra o pai Fulano Malta, os tios Abstinêncio e Ultímio, a avó Dulcineusa, a tia-avó Admirança, a gorda cunhada da avó Miserinha, o português Padre Nunes, e o médico goês Amílcar Mascarenha. Vai sendo levado às lembranças de sua mãe Mariavilhosa, que se afogara no rio.

No rio se passam as histórias das pessoas da aldeia, o porto, a corrupção dos agentes do governo, o tráfico de drogas, as bebidas.
Na casa do avô, chamada Nyumba-Kaya, junção da palavra “casa” nas línguas do Norte e do Sul,  já com partes em ruínas, desenrola-se um funeral que demora para ser realizado, com o teto arrancado para que o velório não a poluísse de maus fluidos.
Cartas psicografas vão sendo encontradas por Mariano, e ele paulatinamente ele descobre segredos da família, e de outras pessoas da Ilha-do-Chão.

Uma soma de frustrações, de (auto-)enganos, desejos e adultérios percorre as páginas do livro.
Nos últimos dos vinte e dois capítulos, um tom mais de lirismo na prosa começa a permear o romance, de modo a chegar a uma conclusão sobre a vida daquelas pessoas no tempo e naquela terra.

Uma leitura recomendável, um excelente exercício mental para quem percorre suas páginas.

 

Anúncios

2 comentários

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s