Uma Casa na Escuridão

Uma Casa na Escuridão, de José Luís Peixoto (Bertrand Editora – Portugal, 2008, 296 p., R$ 51,00) é um livro, como direi, estranho.

O livro é todo estranho.
Um escritor maluco que conversa com uma defunta,
um amigo dele que é pior,
a mãe que só come e dorme.

Mas a forma de escrever é interessante.

É como se fosse um poema longuíssississississimo,
que em cada página repete duzentas e trinta e oito vezes cada frase.

Passadas as primeiras cem páginas, porém, o livro resolve mostrar “o lado obscuro de Darth Vader”, ou de um Quentin Tarantino, sei lá, pois o que era apenas maluquice passa a ser o retrato de violência gratuita, com mutilações de pessoas, como símbolo das capacidades humanas que são perdidas. A capacidade de ouvir, a de amar, a de escrever e de andar, …  Sempre acrescidas das repetições ao longo de cada página, com mais alguns outros personagens mutilados e doentios.

Por que? Para que? Para chocar?

Parece que é mais grave.

Os títulos de outras obras do autor conduzem sempre a essa obsessão com a escuridão e com a morte envolvendo o cenário. Nenhum Olhar, A Criança em Ruínas, Cemitério de Pianos, Morreste-me, …

O que pretende o autor? Fazer experiências é uma das respostas.
Ser reconhecido como cult, claro que também é outra resposta óbvia.
O narcisismo é uma marca do autor, que pode ser comprovada em seu site e suas fotos.
Esbanja na intenção de mostrar a “contra-cultura” da contestação. Bem 1968, ainda… !!!!

Restaram em mim duas impressões, simultâneas e indeléveis: ele escreve bem; podia escrever sobre temas que não ficassem apenas no sur-realismo da violência.

Já temos demasiados problemas para, nas horas de repouso, ainda enfrentarmos a leitura de suas páginas.

Ah, em tempo:
Senhores editoras, não venham com esse “modernismo” de escrever, na capa, com pequenas letras brancas sobre fundo preto.
Um dia os jovens editores também ficarão velhos, e perceberão o quanto é difícil a leitura dessa “obra de arte”, mais repetida do que as frases de J. L. Peixoto.

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2 comentários

  1. Já desisti deste tipo de leitura. Quero deleite. Puro, simples, direto e bonito, no meu pouco tempo de lazer. Já não tenho saco para incursões pela experiência alheia. As minhas já me preenchem o suficiente!

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