Haroun e o Mar de Histórias

Maroun e o Mar de Histórias, de Salman Rushdie (Companhia das Letras, 2005, formato de bolso, 262 p., R$ 21,00), foi escrito em 1990, como livro infanto-juvenil, para o autor explicar ao filho a situação vivida pela família, depois do decreto religioso de morte, pronunciado pelos malucos islâmicos do Irã contra o escritor indo-britânico, por conta de Versos Satânicos.

Um contador de histórias profissional, Rashid, conhecido como Xá do Blablablá, tem a família desestruturada, quando a mulher o abandona e foge com o vizinho. A depressão que segue impede que o contador mantenha sua rotina. É contratado para se apresentar em showmícios, em outras cidades, e viaja com o filho, Haroun, para as duas cidades. aonde chegam e conhecem pessoas muito estranhas e diferentes.

Haroun descobre um gênio que tentava sabotar o Rashid (que deveria se apresentar no dia seguinte), e sai em perseguição ao homenzinho. Com isso, cai em Kahani, outro satélite da Terra, escondido, dividido em um lado sempre iluminado e o outro sempre escuro, com seres que são inimigos entre si, os tagarelas e os calados, em analogia à divisão religiosa na Índia natal de Salman Rushdie.

A seqüência de novos personagens é muito curiosa, e rica em expressões visuais que remetem ao mundo “psicodélico”,  de seres coloridos e flutuantes. Peixes voadores com cabeça de cachorro, máquinas com formato de aves, jardins flutuantes, luzes nas águas, Máquinas Complicadas Demais Para Descrever (MCD+P/D) e muito mais.

O menino encontra o pai também neste satélite, e ambos primeiramente são tidos como espiões, e depois passam a ser os guias de duas divisões dos tagarelas, que lutarão contra os calados, que estão poluindo o Mar de Histórias.

O livro, naturalmente, tem final feliz – reconciliação entre tagarelas e mudos, deposição dos ditadores mudos que obrigavam as pessoas a usar zíper na boca, e, quando do regresso na cidade de origem, o fim da depressão de Rashid e o reencontro com a mulher que havia abandonado o lar.

A leitura é muito agradável. A tradução, de Isa Mara Lando, muito bem feita e com as explicações sobre a razão dos nomes e das palavras utilizados nessa obra de Rushdie, com inspiração no hindustani (hindi+urdu).

Rushdie comprova, nesta obra, sua grande habilidade de escritor que merece o sucesso que tem.
Pelo menos a que demonstrou em O Último Suspiro do Mouro.
Por isso, vou novamente tentar ler Os Versos Satânicos.
A lamentar temos os “ditadores mudos” do mundo islâmico que tentam calá-lo.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s