As Mil e Uma Noites

Livro das Mil e Uma Noites – Volume I – ramo sírio (Editora Globo, 2005) é acima de tudo um genial e minucioso trabalho do tradutor Mamede Mustafa Jarouche.
A precisão com que se preocupou com o sentido das palavras, com a comparação entre diversos textos, não raras vezes contraditórios, e o humor com que trabalhou o texto em português, fazem desse livro algo muito interessante, ao passo em que deixou de lado – quando não contrariou – o texto do francês Antoine Galland que tornou a obra conhecida no mundo ocidental.

Interessante, no entanto, muito mais para quem gosta de línguas.
Do ponto de vista dos contos e histórias, variam de um erotismo-pornográfico a uma ingenuidade que demonstra alguma falta de imaginação dos autores que há séculos montaram a coleção das narrativas de Xerazade à irmã Duniazade e ao rei Xariar, evitando ser executada, como havia ocorrido com as anteriores esposas do rei.
Há tantos trechos tediosos que, se eu fosse Xariar, teria executado Duniazade antes do nascer do segundo dia, e exilaria Xerazade em florestas européias, para conhecer contos populares com personagens mais variados do que comerciantes e demônios.

As diversas adaptações fora do texto original em árabe melhoraram os contos.

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