Edgar Allan Poe – Contos policiais

Li (reli, em alguns casos) os contos policiais de Edgar Allan Poe (Editora Nova Aguilar, 2001).

Como escrevi em outro post:

Poe, tão reproduzido em filmes (muitos dos quais classe B) e tão copiado por outros escritores, tornou-se “café-com-leite”. Não impressiona tantos mais; algumas vezes chega a ser aborrecida sua leitura, por conta da previsibilidade. Inegável, porém, seu trabalho inovador. Se é tão copiado é porque ousou na criatividade.

 Allan Poe teve uma vida muito curta (1809-1849), e uma obra bem variada, inovadora e algumas vezes profunda no aspecto da ousadia.

Os contos que agora li foram os três de seu Dupin, o “pai” de Sherlock Holmes, dos personagens de Agatha Christie, e tantos outros, com sua mente analítica e ao mesmo tempo intuitiva, derrubadora de pré-conceitos de investigadores policiais:

  • Os Crimes da Rua Morgue (1841),
  • O Mistério de Maria Roget  (1842),
  • A Carta Furtada (1845) (não conhecia esse conto).

Não vou aqui contar as tramas dos contos. Alunos preguiçosos têm à disposição outros blogues para os trabalhos escolares.

  •  O Escaravelho de Ouro (1843) eu li, pela primeira vez, quando tinha 11 anos, e, por ser uma história baseada em um código secreto, a ser decifrado pelo personagem principal, encheu minha imaginação. Nunca esqueci o que Poe havia escrito.
  • Tu és o homem (1844) também foi novidade para mim. Nesse conto, em lugar do detetive, o próprio narrador monta uma forma de desmascarar um criminoso e, conseqüentemente, livrar da pena de morte um condenado injustamente.

O estilo de escrita desses contos muita vezes pode parecer rebuscado demais, tantas são as voltas dadas para se chegar à meta. Levando-se em conta que foram escritos há quase dois séculos, são mais do que inovadores. Estilo sem preocupação com irrelevantes descrições de paisagens românticas, sem considerações sobre personalidades doentias (tão comuns no realismo e no naturalismo que surgiriam mais tarde), utilizando bàsicamente a linguagem jornalística daquela época, com muito mais palavras do que a do jornalismo de hoje.
Algum outro autor fez tudo isso na primeira metade do século XIX?

Não foi à toa que deixou tantos “herdeiros” na literatura de outros países.

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