A Queda de Artur

A Queda de Artur, de J. R. R. Tolkien (Martins Fontes, 2013, 286 p., R$ 32,00), é simplesmente uma delícia para se ler.

Obra incompleta do grande filólogo, mais conhecido por “O Senhor dos Anéis” e por “O Hobbit”, Tolkien escreveu o texto em forma de poesia dos bardos antigos. A aliteração que se declamava na Idade Média busca ritmo nas consoantes tônicas (ou vogais, em certos casos), e não nas rimas das vogais finais.

Tolkien nunca concluiu a obra, que foi editada pelo filho Christopher Tolkien.

O livro contém o texto original em inglês, nas páginas pares, e ao lado a tradução aliterada para o português feita por Ronald Eduard Kyrmse.

Vou acrescentar aqui dois links sobre o livro, para quem quiser mais informações:

1) O Épico Inacabado de Tolkien, do especialista John Garth,

2) O Inesgotável Baú de J. R. R. Tolkien (revista Época).

Não dá para eu comentar mais sobre isso.

Vou apenas apresentar alguns versos da poesia aliterada feita por Tolkien. (coloco letras maiúsculas para ressaltar a aliteração)

In her Blissful Bower   on Bed of silver

Softly slept She   on Silken pillows

with Long hair Loosend,   Lightly breathing,

in Fragrant dreams   Fearless wandering,

of Pity and rePentance   no Pain feeling

in the Courts of Camelot   Queen and peerless,

Queen unGuarded.   Cold blew the wind.

His Bed was Barren;   there Black phantoms

of deSire unSated   and Savage fury

in his Brain had Brooded   till Bleak morning.

-=-=-=-=-

FeLiz na saLeta,    em Leito de prata

em maCios traveSSeiros   de Seda ela dorme,

os tranÇados Soltos,    em suSSurros respira

e Vaga enVolta   no perFume dos sonhos,

não se arrePende, sem Pena,     não a Pica dor nenhuma,

na Cômoda Corte   de Camelot é rainha,

desampaRada sobeRana.    A aRagem sopra fria.

Ele Dorme em lrito esTéril.   FanTasmas negros

de deSejo insaCiado   e inSólita fúria

assalTaram-lhe a vonTAde   na maTina enfadonha.

(alterado conforme o comentário inserido pelo próprio Ronald Kyrmse)

Um brevíssimo comentário: a língua galesa (do País de Gales) mantém a estrutura de “combinar” os sons das consoantes em cada frase.

 

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2 comentários

  1. Caro crítico: A aliteração pretendida por mim difere um pouco da que você destacou. Era para ser assim, aliterando sempre na consoante da sílaba tônica das palavras (ou em vogal, nos casos em que a tônica não começa por consoante – mas esse caso não acontece no exemplo que você citou):

    FeLiz na saLeta, em Leito de prata
    em maCios traveSSeiros de Seda ela dorme,
    os tranÇados Soltos, em suSSurros respira
    e Vaga enVolta no perFume dos sonhos,
    não se arrePende, sem Pena, não a Pica dor nenhuma,
    na Cômoda Corte de Camelot é rainha,
    desampaRada sobeRana. A aRagem sopra fria.
    Ele Dorme em leito esTéril. FanTasmas negros
    de deSejo insaCiado e inSólita fúria
    assalTaram-lhe a vonTade na maTina enfadonha.

    Um abraço! Ronald Kyrmse

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