Marcoré

Marcoré, de Antonio Olavo Pereira (Arqueiro, 2013, 224 p., R$ 29,90) foi escrito em 1957, e ganhou naquele ano o Prêmio de Romance da Academia Brasileira de Letras.

Narrado em primeira pessoa, conta a história de um oficial-maior de um cartório em uma cidade do interior de São Paulo. Vive com a mulher e os sogros, e já beirando os 40 anos o casal tem o único filho, Marco Aurélio, que mais tarde será chamado de Marcoré por uma das babás, e prossegue a narrativa até o começo da adolescência do filho, já com personagens mortos ou afastados, pessoas da cidade que se mesclam no imenso fofocal típico de seres humanos.

No entanto, tudo no romance psicológico pode ser resumido à incapacidade do personagem em se relacionar com a sogra, com a mãe, com uma das irmãs, com a amante, com o funcionário do cartório, com o padre, com as fofoqueiras de turno, e com o afastamento que gradativamente o filho também impõe ao relacionamento com o pai.

O livro pretende falar de melancolia, porém prende-se demasiadamente a negativar todas as pessoas. O personagem principal, em seus pensamentos, vê que apenas os mortos estão bem, enquanto que todas as pessoas vivas são frustradas como ele. Sim, a realidade é assim mesmo, as pessoas envelhecem e em geral perdem o brilho da juventude.

O texto não é arrastado, mas a linguagem, o vocabulário, os pensamentos, remetem muito mais a romances de 1910 e 1920. Fica longe do que era a literatura de 1950.
O autor, contudo, era irmão de José Olympio, o da editora com o mesmo nome. Claro pois que a máfia dos escritores e dos intelectuais da ABL enalteceu as qualidades do romance. São, como sabemos, tão “isentos” de interesses quanto os empresários dos cartéis de ônibus no Brasil.A atual edição, pela Arqueiro, é feita por descendentes da família, em comemoração ao centenário do nascimento do autor.
Sem dúvida mais uma peça no quadro de um mundo à parte, de “artistas e pensadores”. Um romance típico para pessoas que querem “sensibilizar-se”, algo que hoje em dia é muito valorizado por quem tem apenas relacionamentos virtuais e polìticamente corretos, e por isso mesmo sem profundidade.
Não é uma obra ruim, mas não contribui com nada para o futuro do leitor. Parece de fato um livro para uma tarde chuvosa durante as férias, não obstante “a crítica” positiva que recebeu.

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