biografias

Nessa polêmica sobre “autorização prévia” para se escrever biografias no Brasil, tenho algumas certezas.

Para que quero ler a biografia de Caetano Veloso? Chico Buarque? Roberto Carlos? Quando estou com rádio ligado, não são poucas as vezes em que troco de estação no mesmo instante em que suas vozes desafinadas começam a invadir meus ouvidos. Bons letristas, em alguns casos, mas muito melhor se interpretados por cantores de verdade. Por outro lado, músicos na maioria das vezes medíocres, repetitivos, chatos mesmos. Cantores? Não.

Para que me interessa a biografia de “defuntos frescos”, cujos livros foram escritos por oportunismo de gente que queria faturar grana com celebridades? Aírton Sena, Michael Jackson, Steven Jobs, Lady Di, e sei lá quantos outros que já tinham recebido muito dinheiro em vida, e que continuam a dar lucros para outros depois de mortos. Essas biografias são tão oportunistas quanto projetos do poder legislativo para dar nomes de ruas ou de aeroportos a um ou a outro defunto do momento.

O que ganho com a biografia de “defuntos estrelas”, como Marilyn Monroe, Elvis, Kurt Cobain, e sei lá quantos artistas famosos, que quase nada deixaram de contribuição para a sociedade e para seu avanço?

As vidas dessas pessoas todas são objeto de tudo quanto é “caderno de cultura e fofocas” dos jornais mais variados do país. Nada contribuem para a qualificação do pensamento da população – chavões superados há décadas, e mais do que isso totalmente incoerentes com a vidona grande burguesa que vivem. Esquerda caviar do pior tipo.

Eles e todos os outros que fazem essa campanha contra as biografias não autorizadas pelos biografados.

Dá para acreditar nas biografias escritas para enaltecer políticos? Todos têm o ranço da ideologia do autor babando perante o ídolo. Isso não é história, é perpetuação da lenda. Getúlio, Che Guevara, Marighella, JK, e outros tantos.

Por sua vez, há “biógrafos” que são mais chatos do que os biografados.
Uma vez ganhei o livro “Garrincha”, e quem mo deu disse: li e não gostei.
Não terminei de ler e dei-o, também. Quem o recebeu tampouco gostou do livro.
Três “não gostei”.
A vida de Mané era bem menos interessante do que o jogador em campo.
A biografia dessas pessoas pouco ou nada contribui para alguma coisa em nossas vidas. Igualzinho à falsa história de um ex-presidente, que foi retratada em um filme. Aproveita-se algo da óbvia propaganda política?

Lógico que os “biógrafos” reclamam, pois perdem o filão de ouro de seus aborrecidos livros oferecidos a curiosos que não gostam de se aprofundar, mas apenas conhecer algumas pinceladas daqui e uns retoques dali.

Desde que Fernando Sabino escreveu a biografia daquela economista que em um passe de mágica fez desaparecer o dinheiro de todos os brasileiros, nunca mais quis ler nada que ele tenha escrito. Desde então FS faz parte de minha lista de não-escritores.

Se há pessoas com tantos desejos de escrever biografias, melhor – mais útil, mais elucidativo, mais difícil, também – que abordem a vida de pessoas mortas há mais de um século, cuja verdadeira história confundiu-se com lendas e com fatos mal contados ou não explorados. Pedro II, Lincoln, Marx, Michelangelo, Voltaire.
Nisso, biografias escritas por autores de História são incomparàvelmente melhores.

Que tal deixarmos os corpos apodrecerem por uns cinqüenta anos, para depois se fazer uma avaliação, de cabeça fria, sobre a importância ou não de registrar a vida dessas pessoas na História e na Literatura, com letras maiúsculas.

Que tal deixarmos empoeirados nas livrarias essa sub-literatura que insistem em nos empurrar, chamada “biografia”. O tempo é o senhor da razão. O tempo serve para  avaliarmos quem merece que suas vidas sejam de nós conhecidas.

Apenas este comentário: leio sim biografias, não livros de fofocas ou panfletos.
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2 comentários

  1. eu ligo o rádio e gosto, independente das biografias…
    se fosse assim, ninguém poderia escrever a História do Brasil!

  2. Se há pessoas com tantos desejos de escrever biografias, melhor – mais útil, mais elucidativo, mais difícil, também – que abordem a vida de pessoas mortas há mais de um século, cuja verdadeira história confundiu-se com lendas e com fatos mal contados ou não explorados. Pedro II, Lincoln, Marx, Michelangelo, Voltaire.
    Nisso, biografias escritas por autores de História são incomparàvelmente melhores.

    Que tal deixarmos os corpos apodrecerem por uns cinqüenta anos, para depois se fazer uma avaliação, de cabeça fria, sobre a importância ou não de registrar a vida dessas pessoas na História e na Literatura, com letras maiúsculas.

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