Quando éramos órfãos

Quando éramos órfãos (Planeta DeAgostini, 2003, 393 p., R$ 16,90) é uma obra do escritor britânico Kazuo Ishiguro. Sim, britânico, apesar do nome e de ter nascido no Japão.

O livro narra, em primeira pessoa, a história de um homem inglês que passou parte da infância em Xangai, quando a cidade chinesa era dividida em setores internacionais, e quando os ingleses auferiam lucros fantásticos com o tráfico de ópio, para entorpecer os chineses, de modo que a comunidade internacional dominasse o país, sem necessitar ter os gastos que normalmente tinham de ser assumidos com as colônias tradicionais.

As recordações de Christopher Banks, esse personagem principal, estendem-se de 1930 a 1958. Nele misturam-se a tenra infância, o período em que, órfão, vai viver na Inglaterra com uma tia, a vida profissional como detetive, o retorno a Xangai (já durante a guerra entre Japão e China, que antecedeu a II Guerra Mundial, e com as lutas entre o exército nacionalista de Chiang Ka-Chek, e o movimento comunista de Mao Tsé-Tung, além de vários outros exércitos mercenários de líderes chineses de segundo plano), e a vida no início de sua velhice.

Quando criança, Christopher vive o desaparecimento do pai, seguido depois pelo da mãe, que ele acredite que se tratassem de casos de seqüestros, motivados pelo envolvimento dos ingleses tanto no tráfico de ópio quanto nas campanhas contra isso. Isso o leva a fazer da vida de detetive uma profissão, na qual obtém algum sucesso.

O livro, contudo, como o próprio autor mencionou, não é sua obra-prima. Muito bem escrito, e com descrições muito boas do ambiente que Christopher percebe a seu redor, a trama, contudo, perde-se em inconsistências. Há uma profusão de confusões que o personagem quer acreditar como fatos verdadeiros, que enfraquecem o texto.

Uma leitura agradável, desde o ponto de vista formal, mas um pouco frágil no que se refere ao desenrolar da história.

Vale, porém, um alerta: o tráfico de drogas, como uma forma de dominação de populações, é uma política que se utiliza ao longo da história.

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