Passo de Caranguejo

Na última noite, às 4h00, terminei a leitura de um dos livros mais interessantes e bem escritos que li nos últimos 100 anos.

Passo de Caranguejo, do nobelizado Günter Grass (Editora Nova Fronteira, 2002, 205 p., Im Krebsgang no original, Crabwalk em inglês) narra, entrelaçando versões de uma senhora septuagenária, do filho jornalista, e do filho deste, com 17 anos, a história do afundamento do navio Wilhelm Gustloff, em janeiro de 1945.

Perdi uma parte do livro, no início, por não saber que o naufrágio do navio, real, provocou a morte de mais de 10.000 pessoas (isso mesmo, DEZ MIL pessoas), sendo o mais grave episódio do tipo em toda a história da humanidade. Muito mais importante do que Titanic, e outros desastres tão badalados na literatura, no cinema, e no imaginário popular.

Ao longo da leitura percebi que aquilo que estava escrito poderia ter um cunho de realidade, não era apenas um romance bem escrito por um grande autor contemporâneo. Li o que há na internet sobre o navio e seu afundamento por um submarino soviético, ao final da Segunda Guerra Mundial, e retomei a leitura do Passo de Caranguejo. Como o próprio livro menciona, há que retroceder para dar o pulo e avançar.

Juntando conflitos de gerações, pais frustrados, avós malucas, mães alienadas, filhos recalcados, alemães nazistas, comunistas, neo-nazistas, pseudo-liberais, etc., o romance desenrola, sob as versões de cada um dos três personagens que mencionei no início, quem foi o tal Gustloff homenageado por Hitler, seu assassinato na Suíça por um médico iugoslavo judeu, a construção do navio de cruzeiro sem classes (sociais), a transformação em navio-hospital, a derrota alemã na Prússia Oriental e a fuga da população para o que sobraria da Alemanha, a vida dos comandantes do navio e do submarino soviético de onde foram disparados os torpedos, e a vida das próprias pessoas da antiga Dantzig, da Alemanha do III Reich, da duas Alemanhas do pós-guerra, e as diferenças pós-reunificação.

Tudo MUITO bem escrito, muito bem descrito, bem de acordo com a realidade de cada época ao longo de 70 anos.

Recomendo a leitura do livro a todas as pessoas que gostam de boa literatura ou se interessam por História e problemas da psicologia política.

Ah, não posso deixar de comentar a alegria que me deu ver que na Alemanha não existem regras como as do nosso ECA.

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