As mais belas coisas do mundo

As mais belas coisas do mundo, de Valter Hugo Mãe (ilustrações de Nino Cals, 48 p., R$ 49,90, Biblioteca Azul O Globo, 2019) é um pequeno livro de contos, em que um neto pequeno narra a convivência com o avô.

Os pequenos textos, intercalados pelas ilustrações, tem uma linguagem simples, um pouco bucólica, que envolve o leitor pela poesia em prosa.

Terminada a leitura, nota-se que o pequeno livro tem sensações, e não idéias, como pano de fundo.
Parece uma experiência de auto-ajuda literária.

 

D. Maria I

D. Maria I, as perdas e as glórias da rainha que entrou para a história como “a louca”, de Mary del Piore (Benvirá, 2019, 215 p., R$ 31,90) é um livro sobre a vida a primeira rainha de Portugal, que viveu entre 1734 e 1816, e reinou a partir de 1777.

O livro é mal escrito. Algumas vezes a linguagem é rebuscada, copiando os escritos da época, e em outras parece mais um blog do século XXI. Nem sempre segue a ordem cronológica, para ajeitar por completo a presença de algum personagem.

Traz, porém, as necessárias dúvidas sobre a saúde mental de qualquer pessoa (segundo a autora, com a colaboração do doutor Sávio Santos Silva)).

– como se sentiria uma pessoa que a cada mês via morrer um parente próximo?

– como reagiria uma pessoa cercada da pior laia de fanáticos religiosos, que só falavam “das delícias” de queimar no inferno sob a imperdoável presença de um deus onipotente?

– como era a vida de alguém que, no início do século XIX, chegou aos 81 anos?

Ficar isolada do mundo foi um alívio para a velhinha de bom coração, que se preocupou em reinar para corrigir os inumeráveis abusos do antigo ministro de seu pai, José I, o famoso marquês de Pombal, e que sinceramente se envolvia com o povo, forma como  via sua missão de governar.

O defeito dela foi ter sido rainha de um Portugal já ofuscado por outras potências européias.
Tivesse nascido na Alemanha ou na Inglaterra e teria entrado para a história como uma grande governante.

Foi melhor e mais lúcida do que os presidentes que o Brasil teve nos últimos cento e trinta anos.

Que vida difícil teve a senhora rainha!
Médicos da pior espécie, padres fofoqueiros, ministros incompetentes, parentes.
Duvido que outros governantes tivessem tido a honestidade e a dedicação que teve em sua vida dona Maria I, a piedosa.

Os cem menores contos brasileiros do século

Os cem menores contos brasileiros do século, organizado por Marcelino Freire (editora Atelie, 2018), é uma coletânea de pequenos textos com até cinqüenta letras, como se escritos no Twitter.
Nem todos são contos, e boa parte seqüência sequer passa de frases falando de homicídios ou de suicídios, que mais retratam a banalização de assuntos sobre violência, que toma conta da enpreimça “tupinambá”.
Um pequeno livro, em todos os sentidos, inteiramente dispensável.

Histórias ou Contos de Outrora – Charles Perrault

Histórias ou Contos de Outrora – Charles Perrault, (Martin Claret, tradução Renata Cordeiro, ilustrações Rafael Nunes Cerveglieri, prefácio de Aurora Gebra Ruiz Álvarez, 2015, 126 p, R$ 39,00) contém

  • A Bela Adormecida no bosque
  • Chapèuzinho Vermelho
  • Barba Azul
  • O Mestre Gato ou o Gato de Botas
  • As Fadas
  • Cinderela ou o sapatinho de vidro
  • Riquete do topete
  • O Pequeno Polegar
  • Pele de Asno (adaptação em prosa dos versos de Perrault)
  • Os Desejos rídiculos. (em versos).

Como enunciado no prefácio, a tradução e a adaptação não se colocam como as versões de Walt Disney, que, ao contrário das histórias originais. não se preocuparam com a inserção das “moralidades” de cada conto, como apareciam na literatura do Renascimento.

Os contos não contêm detalhes escatológicos que surgem em algumas versões, sendo de modo básico uma forma de ensinar ao público infantil valores e comportamentos, e menos uma análise psicológica.

O livro tem capa dura, e cada conto é precedido de uma bem feita ilustração.
A tradução preocupa-se em mostrar jogos de palavras e dubiedades que constam do original francês.

O preço demonstra que uma boa edição não necessàriamente faz com que os preços tenham de ser estratosféricos, como costuma ocorrer com algumas editoras de letras caras.

 

Os contos de Lygia

Os contos de Lygia (Companhia das Letras; 2018; 750 p, R$ 100,00; posfácio de Walnice Nogueira Galvão) tem a reedição dos contos publicados nos vários livros de Lygia Fagundes Telles:

Antes do Baile Verde (18 contos) – 1970;

Seminário dos Ratos (13 contos) – 1977;

A Estrutura da Bolha de Sabão (8 contos) – 1991;

A Noite Escura e Mais Eu (9 contos) – 1995;

Invenção e Memória (15 contos) – 2000;

Um Coração Ardente (10 contos) – 2012;

e mais ainda contos esparsos ((12).

Lygia é, em minha opinião a mais importante contista brasileira.
Impossível não apreciar sua obra.

A edição da Companhia das letras caras, porém, não é prática. As 750 páginas ocupam um livro com espessura de 4,5 cm, e um peso 600 gramas.
O resultado é que o incômodo de se ler um livro de contos comme il faut, ou seja, refestelado na cama ou em uma poltrona, é uma tarefa quase hercúlea.

Uma pena – uma tristeza e um castigo.
Melhor seria dividir a obra em tomos, ou, quem sabe, procurar em sebos os vários livros, embora nesse caso não seriam incluídos os contos esparsos.

 

A casa de Virginia W.

A casa de Virginia W., de Alicia Giménez Bartlett (Ediouro, 272 p., R$ 21,00, 2005, título original Una habitación ajena, tradução de Joana Angélica d’Avila Melo) é um misto de romance e ensaio, com a inserção de trechos dos diários (autênticos) da escritora inglesa Virginia Woolf (1882-1941) e da cozinheira Nelly Boxall (1890-1965), que trabalhou, de 1916 a 1934, com Virginia e seu marido Leonard (1880-1969).

Fiz a leitura no “modo diário”, a conta gotas, o que também deu oportunidade para permear com leituras sobre outros personagens e sobre o grupo de Bloomsbury,que reunia intelectuais e artistas do início do século XX na inglaterra, e como burgueses trabalhistas e socialistas fabianos condenavam e desprezavam os valores…  … burgueses da era vitoriana.

Nelly tem a capacidade de análise que faltou a sua colega Lottie Hope, que não questionava a incoerência entre o que era pregado pelo casal Woolf, em palestras e livros, e a atitude de indisposição com as classes inferior, o zé povinho, e o desconforto que lhes era oferecido nas próprias residências.

A escritora espanhola compõe em “la habitación ajena” (um dormitório na casa de outrem, em uma tradução livre) um retrato da falta de liberdade das empregadas domésticas nas casas de seus empregadores, fazendo a mixagem dos diários, de fatos daquelas décadas, e textos que foram inseridos para dar a movimentação de romance ao livro, e explicar os comportamentos sexuais do grupo de “vanguardistas”.

Um livro agradável e útil.

 

O Vendedor de Passados

O Vendedor de Passados, de José Eduardo Agualusa (Gryphus, 2011, 200 + 8 páginas, R$ 21,00, no Sebo), é sem dúvida merecedor de um prêmio!

O livro mais CHATO que já li, desde que fui alfabetizado nesta encarnação!
Nem sei quantos meses eu me arrastei para concluir a leitura dessa obrada!

O começo curioso, com a participação de uma lagartixa da espécie osga, que recebeu o nome de Eulálio e vive na casa do albino Félix Ventura, em Luanda.
Outros personagens menos interessantes surgem, como José Buchmann, Ângela e Edmundo
Melhor seria se o livro se focasse na Velha Esperança, que arruma a casa no início do romance.

Narrado ora em terceira pessoa, ora pelo inFeliz desVenturado albino e ora pela filosófica lagartixa, o texto já se perde nessa experiência.

Para piorar, o livreto ganhou 64 páginas em branco e mais 8 iniciais, para que a editora pudesse chegar a 200 páginas e propusesse um preço mais elevado.

Procurei outros comentários e/ou críticas sobre o livro, e tampouco foram favoráveis (ou farofáveis).
Achei melhor colocar o link para a versão cinematográfica (brazuco-global), com os comentários dos leitores/visualizadores:

http://www.adorocinema.com/filmes/filme-218155/criticas-adorocinema/